Com chip interno, dados em tempo real, quatro painéis e testes em túnel de vento, a Trionda promete levar tecnologia ao centro do jogo e pode influenciar chutes, faltas e decisões do VAR na Copa de 2026
A bola da Copa do Mundo de 2026, chamada Trionda, chega ao torneio com quatro painéis, ponto crítico aerodinâmico a 43 km/h e tecnologia interna capaz de registrar toques em tempo real, características que podem influenciar trajetórias, faltas e chutes longos.
Testes em túnel de vento na Universidade de Tsukuba, Japão, indicaram que a nova bola oficial entra na crise de arrasto em velocidade mais baixa que modelos anteriores. Esse comportamento altera a resistência do ar e pode mudar como a bola voa, cai ou desvia.
A Trionda será usada na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. O modelo chama atenção por ter o menor número de painéis da história das bolas da Copa.
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Bola da Copa do Mundo passa por teste para evitar novo caso Jabulani
A comparação com a Jabulani, usada em 2010 na África do Sul, aparece como ponto central dos testes. Aquele modelo ficou marcado por trajetórias imprevisíveis, quedas repentinas e movimentos difíceis de antecipar, gerando críticas de goleiros.
Os cientistas compararam a Trionda com Al Rihla, Telstar 18, Brazuca e Jabulani. O resultado apontou que a nova bola parece mais estável que a de 2010, mas pode reduzir a velocidade de chutes fortes.
Essa diferença parece pequena fora de campo, mas ganha peso em uma Copa do Mundo. Em jogos eliminatórios, metros a menos em lançamento longo podem interferir em jogada decisiva.
Quatro painéis mudam a relação da bola com o ar
A Trionda rompe uma evolução gradual das bolas, que passaram por couro costurado, espumas sintéticas, costuras seladas a quente e superfícies texturizadas. Nunca antes uma bola da Copa do Mundo masculina teve apenas quatro painéis.
Menos painéis significam menos costuras e superfície lisa. Do ponto de vista aerodinâmico, isso pode tornar a trajetória mais imprevisível. Para compensar esse risco, a Adidas adicionou sulcos profundos, microtexturas e canais tridimensionais à superfície.
A intenção foi alterar artificialmente o fluxo de ar ao redor da bola para aumentar a estabilidade. Os testes indicaram desempenho mais consistente em velocidades comuns de escanteios e faltas, o que pode favorecer chutes técnicos e cobranças precisas.
Em altas velocidades, porém, a Trionda apresentou mais resistência que modelos recentes como Brazuca e Al Rihla. Isso significa que finalizações potentes podem perder força antes de chegar ao alvo.
Chip interno registra cada toque durante as partidas
Além da aerodinâmica, a bola da Copa do Mundo de 2026 terá tecnologia conectada para enviar dados em tempo real ao VAR e ao sistema semiautomático de impedimento. Cada impacto, contato e toque poderá ser registrado digitalmente.
O sensor foi integrado a um dos painéis, com contrapesos distribuídos pela estrutura para equilibrar o conjunto. Pesquisadores acreditam que o chip não causará efeitos perceptíveis, mas reconhecem que o teste final virá em partidas reais.
Variáveis como umidade, altitude, temperatura do ar, giro e impacto humano ainda podem alterar trajetórias. Mesmo cercada por laboratório, sensores e simulações, a Trionda dependerá do jogo real para mostrar como ciência encontrará acaso.
