Avangard é o planador hipersônico russo lançado por ICBM que atinge Mach 27, manobra na atmosfera e dificulta a interceptação por defesas antimísseis.
Segundo o Army Recognition, o Avangard é um veículo planador hipersônico desenvolvido pela NPO Mashinostroyenia e fabricado na Planta de Construção de Máquinas de Votkinsk, a mesma instalação que produz mísseis balísticos intercontinentais russos. O sistema pesa cerca de 2.000 kg, tem 5,4 metros de comprimento e é transportado como carga útil por um ICBM UR-100N UTTH, mantido pela Rússia como plataforma de lançamento.
A velocidade reivindicada pelo Kremlin é de Mach 27, cerca de 32.202 km/h, o que colocaria o Avangard entre os sistemas de armas operacionais mais velozes já implantados. O diferencial, porém, não está apenas na velocidade, mas na capacidade de manobrar lateral e verticalmente durante a descida pela atmosfera superior, tornando sua trajetória muito menos previsível do que a de um míssil balístico convencional.
Avangard combina velocidade hipersônica e trajetória imprevisível para dificultar a interceptação
Um ICBM convencional segue uma trajetória balística previsível. Após o lançamento, sobe, atinge um apogeu e depois desce em arco calculável, o que permite que radares de alerta antecipado e sistemas antimíssil estimem a rota e tentem a interceptação.
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O Avangard altera esse padrão. Depois de lançado pelo UR-100N, o veículo se separa do foguete e entra em voo planado na atmosfera superior em velocidade hipersônica, realizando mudanças de trajetória durante o percurso. Isso dificulta o cálculo do ponto futuro de impacto e reduz a janela útil para resposta defensiva.
Segundo o Army Recognition, é justamente a combinação entre velocidade extrema e manobrabilidade que faz o sistema desafiar as arquiteturas atuais de defesa antimíssil. Em vez de seguir um caminho estável e antecipável, o veículo pode alterar seu curso durante a fase terminal do voo.
Voo a Mach 27 gera plasma, calor extremo e novos desafios de rastreamento
Voar a Mach 27 dentro da atmosfera significa enfrentar condições físicas extremas. O texto afirma que a superfície do veículo pode superar 2.000 graus Celsius, temperatura suficiente para ionizar o ar ao redor e criar uma bainha de plasma.
Essa bainha de plasma tem dois efeitos operacionais centrais. De um lado, dificulta o rastreamento por radar, porque interfere na reflexão dos sinais.

De outro, também complica a comunicação por rádio entre o veículo e sistemas externos, tornando a guiagem em ambiente hipersônico um problema de engenharia altamente complexo.
O Army Recognition destaca que o Avangard teria resolvido esse desafio em nível suficiente para ser declarado operacional. Isso significa que o sistema precisaria manter controle e precisão mesmo envolto em um ambiente de gás ionizado e aquecimento extremo durante o voo.
Revelação do Avangard teve peso militar e político na doutrina nuclear russa
O Avangard foi revelado publicamente por Vladimir Putin durante discurso à Assembleia Federal da Rússia, acompanhado de uma simulação em vídeo mostrando o veículo em trajetória até um alvo nos Estados Unidos. A apresentação foi descrita como uma mensagem política e militar ao mesmo tempo.
O contexto era a percepção russa de que a expansão de sistemas antimíssil dos Estados Unidos, como Patriot, THAAD e Aegis, poderia comprometer o equilíbrio da dissuasão nuclear.

Na lógica estratégica, cada lado precisa acreditar que conseguirá retaliar mesmo após sofrer um ataque, mantendo a credibilidade da resposta e evitando o incentivo a um primeiro golpe.
Nesse cenário, o Avangard aparece como resposta técnica a esse problema. Ao ser apresentado como um sistema de difícil interceptação, ele reforça a ideia de que a Rússia ainda manteria capacidade de penetração estratégica contra qualquer escudo antimíssil existente.
Rússia mantém Avangard em Yasny e planeja integração futura com o Sarmat
Segundo o Army Recognition, o Avangard está operacional com as Forças de Foguetes Estratégicos russas no Décimo Terceiro Regimento de Foguetes da Bandeira Vermelha, em Yasny, na região de Orenburg. As plataformas de lançamento são silos subterrâneos com UR-100N equipados para carregar o sistema.
O número citado é de 12 unidades UR-100N equipadas com o Avangard nessa instalação. Embora esse total pareça limitado, a lógica estratégica do texto é que mesmo poucas plataformas capazes de atravessar defesas antimísseis já seriam suficientes para manter a dissuasão nuclear.
A Rússia também pretende integrar o Avangard ao RS-28 Sarmat, ICBM de nova geração com capacidade de carga maior.
Se essa integração avançar, um único lançamento poderia, em tese, liberar múltiplos veículos hipersônicos manobráveis para trajetórias independentes.
Sistemas antimíssil atuais foram feitos para mísseis balísticos previsíveis, não para planadores hipersônicos
Os sistemas de defesa antimíssil hoje em uso, como THAAD, Aegis com SM-3 e Ground-Based Midcourse Defense, foram projetados com base no comportamento de mísseis balísticos convencionais. Toda a lógica de interceptação depende de detectar o lançamento, calcular a trajetória e lançar interceptores para o ponto previsto de colisão.
O Avangard, segundo o Army Recognition, compromete essa cadeia em vários pontos ao mesmo tempo. A bainha de plasma dificulta o rastreamento, as manobras laterais e verticais reduzem a previsibilidade e a altitude de cruzeiro na atmosfera superior também escapa da faixa ideal de alguns interceptores.


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