Animal símbolo do estado do Texas, o gado Texas Longhorn sobreviveu séculos em estado semi-selvagem, tornou-se peça histórica do agro americano e hoje vale até R$ 2 milhões em leilões
Criado originalmente a partir de bovinos trazidos da Península Ibérica durante as expedições espanholas no século XV, o gado Texas Longhorn se tornou uma das raças mais emblemáticas do agronegócio americano.
Com chifres que podem ultrapassar 3 metros de envergadura e alta resistência ao calor e à seca, esses animais foram salvos da extinção e hoje são símbolo cultural e econômico do estado do Texas.
O gado Texas Longhorn surgiu da miscigenação de animais trazidos por conquistadores espanhóis entre 1493 e 1512. Os primeiros bovinos chegaram à ilha de Hispaniola na segunda viagem de Cristóvão Colombo e foram levados aos poucos até o que hoje é o México e, posteriormente, ao território do Texas.
-
Produto com menor procura no Brasil ganha força no exterior: Indonésia compra US$ 19,5 milhões em miúdos bovinos e ajuda o setor a ampliar receitas, reduzir desperdícios e aproveitar melhor cada animal
-
Plantaram soja onde antes havia Cerrado, mas o avanço dos grãos abriu disputa por água e território em uma das maiores fronteiras agrícolas do Brasil
-
Praga que saiu do México avança nos EUA, ameaça rebanho no menor nível desde 1952 e pode abrir espaço para o Brasil vender mais carne bovina, enquanto o hambúrguer dispara e americanos buscam proteína no exterior
-
Plantaram abacate para abastecer mesas da Europa e dos Estados Unidos, mas a fruta virou símbolo de rios secos, caminhões-pipa e disputa por água em uma das regiões mais afetadas pela seca no Chile
Muitos desses animais viveram soltos por séculos nas planícies áridas, desenvolvendo características de extrema adaptação ao clima hostil, tornando-se símbolo da pecuária de sobrevivência no Velho Oeste.
Ao longo de gerações, os descendentes desses bovinos criaram uma genética robusta: alta tolerância à escassez de alimento, resistência a doenças e longevidade incomum.
Durante o século XX, com o avanço da pecuária industrial, a raça foi quase extinta, sendo preservada graças a esforços coordenados do governo americano e de entusiastas ligados à história e à cultura do estado.

Em 1927, o Serviço Florestal dos EUA iniciou a recuperação da raça, reunindo exemplares no Refúgio de Vida Selvagem de Wichita Mountains, em Oklahoma.
Em 1964, Charles Schreiner III fundou a Texas Longhorn Breeders Association of America, o que formalizou os registros e deu novo fôlego ao rebanho.
A criação de eventos como a condução simbólica de gado de San Antonio até Dodge City reforçou a identidade histórica do Texas Longhorn com o imaginário do velho oeste americano.
Outro marco cultural ocorreu em 1917, com a adoção do Longhorn “Bevo” como mascote da Universidade do Texas, em Austin.
A imagem do animal passou a estampar uniformes e bandeiras de times universitários, fortalecendo a ligação do gado Longhorn com o orgulho texano. Hoje, a raça é oficialmente o grande mamífero símbolo do estado do Texas, conforme reconhecido pela legislação estadual de 1995.
Características marcantes do gado de chifres grandes
O traço mais visível e impressionante do gado Texas Longhorn são seus chifres, que podem ultrapassar os 3 metros de ponta a ponta.
O recorde, segundo o Guinness Book, é de 323,7 cm, pertencente a um boi chamado Poncho Via. Além dos chifres longos, a raça se destaca pela diversidade de pelagens: cerca de 40% apresentam tons de vermelho, com padrões que incluem manchas, pintas e até pelagens azuladas ou rajadas (brindle), o que torna cada exemplar visualmente único.
Apesar de seu passado ligado ao pastoreio extensivo e à sobrevivência em regiões áridas, o gado Texas Longhorn voltou a ser valorizado também como gado de corte.
Sua carne magra, resistência natural a doenças e capacidade de aproveitar pastos pobres o tornam atrativo para pequenos e médios produtores rurais.
Além disso, alguns criadores investem em exemplares para concursos de chifres ou exposições culturais, com preços que chegam a R$ 2 milhões em leilões, como o caso da vaca 3S Danica, vendida com bezerro por US$ 380 mil em 2017.
Com três registros oficiais, Texas Longhorn Breeders Association of America, International Texas Longhorn Association e Cattlemen’s Texas Longhorn Registry, o mercado do gado Texas Longhorn se organiza em torno da preservação genética, valorização da história e expansão para turismo rural e educação agropecuária.
Algumas fazendas nos Estados Unidos mantêm rebanhos abertos à visitação, onde o público pode conhecer de perto os animais e aprender sobre sua importância na formação do Texas e da cultura agro americana.


-
-
-
-
-
-
70 pessoas reagiram a isso.