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A mesma equipe que encontrou o Titanic localizou no fundo do porto de Alexandria, a apenas 7 metros de profundidade, uma embarcação real egípcia de 2.000 anos soterrada sob lama e os arqueólogos acreditam que ela pode ser a chave para descobrir o túmulo desaparecido de Cleópatra

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 07/03/2026 às 18:40
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A mesma equipe que encontrou o Titanic localizou no fundo do porto de Alexandria, a apenas 7 metros de profundidade, uma embarcação real egípcia de 2.000 anos soterrada sob lama e os arqueólogos acreditam que ela pode ser a chave para descobrir o túmulo desaparecido de Cleópatra
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Advogada dominicana desafia dois mil anos de egiptologia ao procurar o túmulo de Cleópatra no templo de Taposiris Magna, a 48 km de Alexandria

Em 1990, Kathleen Martínez tinha 24 anos, um diploma de direito e uma obsessão que ninguém ao seu redor levava realmente a sério: encontrar o túmulo de Cleópatra, que segundo sua teoria pode estar escondido no Templo de Taposiris Magna, a cerca de 48 quilômetros de Alexandria — uma hipótese que ganhou nova força após a descoberta de um antigo porto submerso com vestígios de uma embarcação egípcia de 2.000 anos ligada ao período da última rainha do Egito.

Durante uma discussão com o pai — professor e jurista em Santo Domingo, na República Dominicana — ela defendeu uma visão muito diferente da imagem popular de Cleópatra. Para Martínez, a rainha não era apenas a figura sedutora retratada pela propaganda romana, mas uma das líderes mais complexas e intelectualmente sofisticadas da Antiguidade. Cleópatra VII, argumentava ela, era políglota em pelo menos nove idiomas, estudiosa de filosofia, alquimia e medicina, além de estrategista política que financiou campanhas militares de Júlio César e Marco Antônio.

A discussão familiar nunca chegou a uma conclusão definitiva, mas plantou uma ideia que marcaria o resto da vida de Martínez.

Décadas depois, essa teoria levaria a uma das investigações arqueológicas mais persistentes do século XXI. Em setembro de 2025, a equipe liderada por Martínez anunciou a descoberta de um antigo porto submerso próximo ao templo, uma estrutura arqueológica que pode alterar completamente o entendimento histórico sobre o destino final de Cleópatra e sobre a possível rota marítima usada para transportar seu corpo após sua morte.

A advogada que se tornou arqueóloga para encontrar o túmulo de Cleópatra

Kathleen Martínez seguiu inicialmente o caminho profissional esperado por sua família. Formou-se em direito aos 18 anos e começou a trabalhar como advogada na República Dominicana. Apesar disso, a fascinação pela história de Cleópatra nunca desapareceu.

Durante quinze anos, ela conduziu uma extensa pesquisa bibliográfica sobre a última rainha do Egito. Nesse período, analisou documentos clássicos e encontrou um detalhe aparentemente simples em um texto do historiador romano Plutarco que despertou sua atenção.

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Segundo Plutarco, após a morte de Marco Antônio, Cleópatra teria visitado seu túmulo e retornado ao palácio “no mesmo dia”. Para Martínez, essa frase continha uma pista geográfica crucial. Se a viagem foi realmente feita em poucas horas, o local de sepultamento de Marco Antônio — e possivelmente o destino final de Cleópatra — deveria estar dentro de um raio relativamente curto de Alexandria.

Inicialmente, ela calculou um raio possível de cerca de 100 quilômetros. Com refinamentos posteriores, reduziu essa distância para aproximadamente 45 quilômetros. Dentro dessa área estava um local arqueológico frequentemente negligenciado: o Templo de Taposiris Magna, dedicado ao deus Osíris.

“Grande Tumba de Osíris”

O próprio nome do templo tem significado simbólico relevante. Em grego, Taposiris Magna pode ser traduzido como “Grande Tumba de Osíris”, o deus egípcio associado à morte, à ressurreição e ao mundo dos mortos.

Na época em que Martínez apresentou sua hipótese, o sítio arqueológico era considerado amplamente explorado e estava próximo de ser transformado apenas em atração turística. Mesmo assim, ela decidiu levar sua teoria ao Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Em 2005, após apresentar seu projeto a um comitê composto por cerca de 100 professores universitários egípcios, Kathleen Martínez recebeu autorização oficial para iniciar escavações em Taposiris Magna — tornando-se a primeira pesquisadora latino-americana a liderar uma missão arqueológica desse tipo no Egito.

Descobertas arqueológicas em Taposiris Magna reforçam a teoria sobre o túmulo de Cleópatra

Nas duas décadas seguintes, a missão arqueológica egípcio-dominicana transformou Taposiris Magna de um sítio secundário em um dos locais mais importantes para o estudo do período ptolemaico.

Durante esse período, os arqueólogos descobriram 27 tumbas diferentes contendo pelo menos 10 múmias, duas delas cobertas com folha de ouro — um indicador associado a status extremamente elevado dentro da sociedade egípcia antiga. Além disso, foram encontradas centenas de moedas com o rosto de Cleópatra, reforçando a ligação direta do templo com o período final da dinastia ptolemaica.

Entre os achados mais curiosos estavam múmias com línguas de ouro, um fenômeno raríssimo na arqueologia egípcia. Essas peças metálicas eram colocadas na boca dos mortos para que pudessem “falar” diante dos deuses no além-vida.

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Ao longo das escavações, mais de 1.800 artefatos arqueológicos foram recuperados, incluindo bustos, estatuetas, objetos cerimoniais e peças arquitetônicas associadas ao reinado de Cleópatra.

Outro detalhe chamou atenção dos pesquisadores: vários enterramentos foram encontrados com os rostos voltados em direção ao templo. Na tradição funerária egípcia, essa orientação pode indicar que os mortos acreditavam que uma figura de grande importância — possivelmente realeza — estava enterrada naquele local.

Descoberta de túnel subterrâneo de 1,3 km ampliou a investigação arqueológica

Em 2022, a equipe liderada por Martínez encontrou uma estrutura que mudou completamente a escala da investigação. A cerca de 13 metros abaixo do templo, arqueólogos descobriram um túnel subterrâneo com aproximadamente 1.305 metros de comprimento. A passagem, parcialmente inundada pela água do mar, continha jarros e cerâmicas datadas do período em que Cleópatra governava o Egito.

O túnel parecia seguir diretamente em direção ao Mar Mediterrâneo. A descoberta levantou uma nova possibilidade: o templo poderia ter sido conectado a estruturas portuárias antigas por meio de corredores subterrâneos. No entanto, havia um problema técnico significativo.

O túnel terminava no mar. Para continuar a investigação, Martínez precisava de especialistas capazes de explorar o fundo do Mediterrâneo.

Robert Ballard, descobridor do Titanic, entra na busca pelo túmulo de Cleópatra

Robert Ballard é um dos oceanógrafos mais conhecidos do mundo. Em 1985, ele liderou a equipe que encontrou os destroços do Titanic no fundo do Atlântico Norte. Ao longo de sua carreira, também participou da descoberta de navios históricos como o encouraçado alemão Bismarck.

Quando Kathleen Martínez entrou em contato com Ballard, ele já tinha mais de oito décadas de vida e uma carreira consagrada na exploração oceânica. Ainda assim, demonstrou interesse imediato no projeto. Ballard chegou a comentar que gostaria que seu epitáfio mencionasse não apenas a descoberta do Titanic, mas também a possível localização do túmulo de Cleópatra.

A colaboração entre Martínez e Ballard contou com apoio da Marinha egípcia e de Larry Mayer, diretor do Centro de Mapeamento Costeiro e Oceânico da Universidade de New Hampshire. Utilizando sonar e tecnologias avançadas de mapeamento submarino, a equipe investigou aproximadamente 10 quilômetros quadrados do fundo marinho ao largo de Taposiris Magna.

Descoberta de porto submerso no Mediterrâneo pode mudar a história de Cleópatra

Em setembro de 2025, os resultados dessa investigação foram anunciados oficialmente pelo Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito e documentados em um especial da National Geographic. A cerca de 12 metros de profundidade, mergulhadores identificaram as ruínas de um antigo porto que não havia sido mencionado em nenhuma fonte histórica conhecida.

Foto: Christoph Gerigk / Divulgação

As estruturas submersas chegam a 6 metros de altura e incluem blocos de pedra, colunas, pisos de pedra polida, âncoras e ânforas datadas do período ptolemaico.

Pesquisadores também identificaram que a linha costeira antiga estava cerca de 4 quilômetros além da costa atual, resultado de séculos de mudanças geológicas e de pelo menos 23 terremotos registrados entre os anos 320 e 1303 d.C. que alteraram o litoral egípcio.

Foto: Christoph Gerigk / Divulgação

Mais surpreendente ainda foi a continuação submarina do túnel descoberto em 2022. Ao seguir o trajeto do corredor subterrâneo em direção ao mar, mergulhadores encontraram estruturas retangulares de pedra e pedestais de basalto semelhantes aos existentes no interior do templo.

Entre essas formações está uma estrutura conhecida como “Três Irmãs”, composta por três pilares alinhados, hoje cobertos por sedimentos e corais.

Escrituras – Foto: Christoph Gerigk / Divulgação

Para Martínez, esse conjunto de estruturas sugere que o porto não era apenas um ponto comercial, mas parte de um sistema arquitetônico que conectava o templo diretamente ao mar.

Debate entre arqueólogos sobre o verdadeiro local do túmulo de Cleópatra

Cleópatra morreu em 30 a.C., após a derrota de Marco Antônio para Otávio — o futuro imperador Augusto — na Batalha de Ácio. Relatos antigos afirmam que a rainha se suicidou para evitar ser levada como prisioneira para Roma. No entanto, o destino de seu corpo permanece um dos maiores mistérios da arqueologia.

A teoria de Kathleen Martínez sugere que Cleópatra, que frequentemente se associava simbolicamente à deusa Ísis e ao deus Osíris, teria escolhido ser enterrada em Taposiris Magna. Segundo essa hipótese, o templo dedicado a Osíris — associado ao renascimento e à vida após a morte — teria sido o local ideal para o sepultamento da rainha.

O túnel subterrâneo e o porto recém-descoberto poderiam representar a rota pela qual o corpo de Cleópatra foi transportado secretamente de Alexandria até o templo. Apesar das evidências acumuladas, muitos especialistas permanecem cautelosos. Paul Cartledge, professor emérito de cultura grega na Universidade de Cambridge, argumenta que Cleópatra provavelmente foi enterrada em Alexandria, possivelmente no cemitério real da cidade.

Outros arqueólogos reconhecem que as descobertas em Taposiris Magna são extremamente relevantes para o estudo do período ptolemaico, mas consideram a localização do túmulo ainda uma hipótese em investigação.

Próximas escavações podem revelar o túmulo de Cleópatra

Novas expedições arqueológicas estão planejadas para 2026. A equipe pretende utilizar equipamentos de perfuração especializada para investigar estruturas soterradas na área submarina conhecida como Salam 5. Os mapas detalhados produzidos por Robert Ballard servirão como guia para essas futuras explorações.

Após mais de vinte anos de escavações, a missão liderada por Martínez já identificou possíveis áreas funerárias dentro do complexo do templo. A grande pergunta agora é se o túmulo de Cleópatra está localizado na parte terrestre do sítio arqueológico ou se afundou no Mediterrâneo após os terremotos medievais que alteraram a costa.

Independentemente da resposta final, uma coisa já está clara para a comunidade científica: Taposiris Magna era um centro de poder ativo durante o reinado de Cleópatra e possuía um porto funcional que permaneceu escondido no fundo do mar por cerca de dois mil anos.

E a busca continua. Como disse Kathleen Martínez ao comentar as descobertas mais recentes:

Não vou parar. Para mim, é apenas uma questão de tempo.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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