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A guerra no Irã pode ser o empurrão que faltava para o mercado de veículos elétricos explodir de vez porque quando o barril de petróleo passa de 100 dólares o carro a combustão vira um luxo e a China já domina 60% do mercado global de elétricos

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 31/03/2026 às 16:24
Atualizado em 31/03/2026 às 16:27
A guerra no Irã empurrou o petróleo acima de US$ 100 e as vendas de veículos elétricos no Brasil dobraram em 2026. Entenda por que o carro a gasolina virou luxo.
A guerra no Irã empurrou o petróleo acima de US$ 100 e as vendas de veículos elétricos no Brasil dobraram em 2026. Entenda por que o carro a gasolina virou luxo.
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As vendas de veículos elétricos no Brasil cresceram 65,5% nos dois primeiros meses de 2026 e a participação de mercado dobrou para 14%, enquanto a guerra no Irã empurrou o barril de petróleo acima de US$ 100 e provocou corrida por veículos elétricos em concessionárias de Manila, Vietnã e São Francisco, com economistas do Banco Asiático de Desenvolvimento afirmando que preços altos do petróleo sempre favorecem a transição

As vendas de veículos elétricos no Brasil cresceram 65,5% nos dois primeiros meses de 2026, com 55.961 unidades emplacadas.

A participação de mercado dos veículos elétricos dobrou em um ano: era 7% em fevereiro de 2025 e chegou a 14% em fevereiro de 2026.

Conforme a CNN, na primeira quinzena de março, foram 15.007 emplacamentos de veículos elétricos, equivalente a 14,8% de todos os veículos leves vendidos no período, e no acumulado do ano o Brasil já soma 68.654 unidades, praticamente o dobro de 2025.

Esse crescimento já estava em curso antes da guerra, mas a escalada do petróleo acima de US$ 100 por barril acelerou tudo.

A guerra no Irã fez o que nenhum subsídio governamental conseguiu: tornou o carro a gasolina mais caro que o elétrico no custo total de propriedade, e consumidores do mundo inteiro começaram a repensar suas escolhas ao mesmo tempo.

Concessionárias da BYD em Manila receberam em duas semanas o equivalente a um mês de pedidos. Lojas da VinFast no Vietnã quadruplicaram o fluxo de clientes. E nos Estados Unidos, um marketplace de carros registrou aumento de 20% no tráfego por modelos de veículos elétricos após os ataques.

Por que petróleo acima de 100 dólares transforma veículos elétricos em escolha óbvia

A guerra no Irã empurrou o petróleo acima de US$ 100 e as vendas de veículos elétricos no Brasil dobraram em 2026. Entenda por que o carro a gasolina virou luxo.

O cálculo é simples: quando a gasolina fica cara, o custo de rodar um carro a combustão sobe, e a diferença de preço entre abastecer na bomba e carregar na tomada se torna gritante.

No Brasil, o custo por quilômetro rodado de veículos elétricos é estimado em R$ 0,05, uma fração do que custa rodar com gasolina ou etanol, e essa diferença aumenta a cada real que o combustível sobe.

Segundo a BloombergNEF, quando a gasolina ronda 4 dólares por galão, o custo total de propriedade de veículos elétricos já fica abaixo do de um veículo convencional. Com o barril acima de US$ 100, esse ponto de equilíbrio é ultrapassado com folga.

O Bank of America calculou cenários com Brent entre US$ 160 e US$ 240 por barril: a economia em cinco anos de um VW ID.3 comparado a um VW Golf na Europa variaria entre 2.500 e 8.500 euros.

Albert Park, economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento, resumiu: preços mais altos do petróleo sempre favorecem a transição para veículos elétricos porque criam incentivos econômicos que aceleram a mudança.

Em São Francisco, uma loja de veículos elétricos usados registrou uma enxurrada de visitas quando a gasolina bateu US$ 6,81 por galão.

O Brasil no meio do furacão: veículos elétricos já dominam quase 15% do mercado

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A ABVE projeta mais de 280 mil emplacamentos de veículos elétricos no Brasil em 2026, mas o ritmo atual sugere que o número pode chegar a 300 mil.

O líder absoluto é o BYD Dolphin Mini, que concentrou 55,8% de todas as vendas de elétricos puros na primeira quinzena de março, com 2.732 unidades emplacadas.

As marcas chinesas como um todo responderam por 14,1% das vendas totais de veículos leves no Brasil na primeira quinzena de março, um número que era impensável há dois anos.

A produção local já começou. A BYD iniciou montagem em Camaçari (BA). A GWM produz híbridos em Iracemápolis (SP). A Geely anunciou produção local nos próximos meses.

O Brasil deixou de ser apenas importador de veículos elétricos chineses e se tornou uma base de montagem para essas marcas, o que reduz custos e tende a acelerar ainda mais as vendas quando a gasolina está cara.

Para motoristas de aplicativo e trabalhadores autônomos que rodam centenas de quilômetros por dia, veículos elétricos com custo de R$ 0,05 por quilômetro se tornaram ferramenta de trabalho mais viável que populares flex.

O precedente dos anos 70: carros japoneses entraram assim e agora a China repete o caminho com veículos elétricos

Na crise do petróleo dos anos 1970, motoristas americanos migraram em massa para carros japoneses menores e mais econômicos.

Toyota e Honda construíram seus impérios globais naquele momento, e a mesma dinâmica se repete agora: em vez de trocar um carro grande por um menor, parte dos consumidores começa a sair do motor a combustão e migrar para veículos elétricos.

A China, como maior produtora mundial de veículos elétricos, é a principal beneficiária desse movimento.

As remessas internacionais de veículos elétricos chineses nos dois primeiros meses de 2026 já haviam mais do que dobrado em relação ao ano anterior.

O colunista David Fickling, da Bloomberg Opinion, escreveu que a crise energética de 2026 levará o mercado de veículos elétricos da Ásia além de seu ponto de inflexão, o momento a partir do qual a adoção se torna irreversível.

Ironicamente, Toyota e Honda, as gigantes japonesas que se construíram na crise dos anos 70, estão recuando de posições no Sudeste Asiático apostando que a eletrificação vai estagnar. A Bloomberg classifica essa hesitação como potencialmente desastrosa.

O outro lado: por que nem todos acreditam que veículos elétricos vão dominar agora

Paul Jacobson, CFO da General Motors, disse que são precisos 4 a 6 meses de preços altos sustentados antes que as pessoas mudem suas preferências de fato.

O ceticismo da GM é que a guerra pode acabar, o petróleo pode cair e os consumidores que estavam prestes a comprar veículos elétricos podem voltar para o combustão se a gasolina ficar barata de novo.

Há também um paradoxo: o mesmo choque que estimula a troca de tecnologia encarece cadeias produtivas inteiras.

Combustível caro empurra o consumidor para veículos elétricos, mas a mesma inflação que encarece a gasolina encarece baterias, frete e componentes, o que pode dificultar a própria transição.

A infraestrutura de recarga continua sendo um gargalo em muitos países, e o Brasil ainda tem poucos pontos de carregamento fora dos grandes centros, o que limita a adoção de veículos elétricos em regiões mais distantes.

Ainda assim, os números de vendas mostram que o mercado já decidiu em grande parte: quando abastecer na bomba dói no bolso, carregar na tomada vira a escolha mais lógica.

A guerra fez o que nenhum subsídio conseguiu: o mercado de veículos elétricos decidiu sozinho

As vendas de veículos elétricos no Brasil dobraram, a participação de mercado chegou a quase 15%, concessionárias no mundo inteiro registraram corrida por elétricos e o petróleo acima de 100 dólares transformou o carro a combustão em luxo.

A guerra no Irã pode ser o ponto de inflexão que a indústria de veículos elétricos esperava: o momento em que a economia fala mais alto que o hábito e o consumidor troca de tecnologia não por convicção ambiental, mas porque não tem mais como pagar a gasolina.

A China domina 60% do mercado global de veículos elétricos e é quem mais ganha com esse cenário. O Brasil, com fábricas da BYD e GWM já operando, está posicionado para surfar a onda. A pergunta que resta é se a gasolina vai ficar cara o suficiente por tempo suficiente para que a mudança se torne irreversível.

Você já considerou trocar seu carro a combustão por um elétrico? Acha que a guerra vai acelerar essa transição ou o petróleo vai cair e tudo volta ao normal? Quanto você gasta de gasolina por mês? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem paga caro na bomba e está pensando em mudar.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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