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Sucateiro gaúcho processa 3 mil toneladas de sucata ferrosa por mês, paga de R$ 0,45 a R$ 3,50 por quilo e mostra por que um cilindro escondido custa 1.500 kg de desconto na carga

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 06/07/2026 às 20:03 Atualizado em 06/07/2026 às 20:05
Assista o vídeoSucata ferrosa rende de R$ 0,45 a R$ 3,50 o quilo em sucateiro gaúcho de 3 mil toneladas por mês; veja a tabela e por que classificar paga mais
Sucata ferrosa rende de R$ 0,45 a R$ 3,50 o quilo em sucateiro gaúcho de 3 mil toneladas por mês; veja a tabela e por que classificar paga mais
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A visita da O RECICLADOR à Goldani Sucatas, no Rio Grande do Sul, abre a tabela de preços de cada tipo de sucata ferrosa, explica a prensa-tesoura, o eletroímã e a regra de ouro do negócio: quanto mais separado, mais caro

Para onde vai a geladeira velha e o fogão que ninguém quer mais? Segundo o canal O RECICLADOR, em visita publicada em abril de 2026 à Goldani Sucatas, no Rio Grande do Sul, a resposta é uma operação que processa cerca de 3 mil toneladas de sucata ferrosa por mês e paga por ela de R$ 0,45 a R$ 3,50 o quilo, dependendo de como o material chega ao pátio.

A régua do negócio é uma só. Quanto mais classificada, fatiada e limpa a sucata ferrosa, mais alto o preço pago por quilo, e o inox 304 encosta em R$ 3,50, cerca de três vezes o valor do aço comum, conforme o O RECICLADOR mostra na conversa com o dono da empresa, Paulo Goldani. Do clipe de papel ao vagão de trem, tudo tem destino, e o destino determina o preço.

A tabela de preços da sucata ferrosa, quilo por quilo

O coração da visita é a lista de valores. Segundo o O RECICLADOR, a sucata mista, aquela de obsolescência com fogão e geladeira, é paga a cerca de R$ 0,45 o quilo, e a mesma sucata já separada, com menos impureza e mais densa, sobe para R$ 0,60.

A escada de preço sobe à medida que o trabalho aumenta. A sucata miúda, já fatiada, chega a R$ 0,80 o quilo; o ferro fundido de carcaça de motor vai a R$ 1,20; a ponta de barra de alto carbono fica em torno de R$ 1; e o inox 304 alcança os R$ 3,50, conforme o O RECICLADOR registra na tabela apresentada. Ainda entram na conta a estamparia de folha de Flandres a R$ 0,80, o inox de menor teor de níquel a R$ 1,40 e o cavaco de aço, aquela sobra em espiral das metalúrgicas, a R$ 0,50 o quilo.

Por que classificar paga mais que juntar tudo

O pátio da Goldani reúne as pilhas de sucata separadas por tipo e densidade.
O pátio da Goldani reúne as pilhas de sucata separadas por tipo e densidade.

A lição central do vídeo é que preguiça custa dinheiro. Segundo o O RECICLADOR, a sucata graúda demais vale menos porque ocupa volume e mistura impurezas, enquanto a mesma sucata cortada, separada por liga e limpa de plástico e poliuretano rende um preço muito maior na usina.

O recado é direto para quem quer viver da reciclagem. Quem entende de classificação de resíduos vende com mais valor e vira parceiro fixo das usinas, e quem entrega material sujo é o primeiro a ser cortado da lista de fornecedores, conforme o O RECICLADOR resume. É a diferença entre despejar um monte no caminhão e montar uma operação que sabe distinguir folha de Flandres de inox 304 e ferro fundido de ponta de barra.

O perigo escondido: cilindros que explodem e custam 1.500 kg

Nem toda sucata é apenas metal, e algumas escondem risco de vida. Segundo o O RECICLADOR, o pesadelo do setor são os cilindros de gás, os de GNV e os de GLP, o famoso botijão, que se caírem no triturador de uma usina como Gerdau ou ArcelorMittal podem explodir e colocar pessoas em risco.

A penalidade é dura mesmo quando ninguém se machuca. Para cada cilindro encontrado na carga, a empresa leva 1.500 kg de desconto por impureza, ou seja, um botijão de poucos quilos derruba mais de uma tonelada do valor da carga, conforme o O RECICLADOR conta. Por isso a Goldani só compra cilindro sem válvula e separado, pagando até o preço da sucata miúda para incentivar o fornecedor a entregar esse material segregado e seguro.

O golpe do “Kinder Ovo” que estraga o mercado

A prensa-tesoura corta e compacta a sucata em pacotes para o transporte.
A prensa-tesoura corta e compacta a sucata em pacotes para o transporte.

Toda cadeia de reciclagem tem seus espertos, e eles saem caro para todos. Segundo o O RECICLADOR, existe o velho costume de esconder peso morto no meio da carga, prática apelidada de “Kinder Ovo”, a surpresa negativa no meio do fardo, como o caso citado de um fornecedor que enfiou sal barato no meio de uma carga de alumínio.

O tiro sai pela culatra. Quem adultera a carga acaba perdendo o cliente e passando meses limpando o próprio prejuízo, além de derrubar a confiança de todo o mercado, conforme o O RECICLADOR alerta. A Goldani paga mais justamente pelo material bem separado, o que torna a trapaça um mau negócio duplo: não rende no curto prazo e queima a parceria no longo.

A frota que busca 90% da sucata na fonte

A logística explica parte do preço e da escala. Segundo o canal O RECICLADOR no YouTube, cerca de 90% da sucata é buscada na fonte pela própria empresa, que mantém 13 caminhões com garra, 4 caminhões roll-off, 5 poliguindastes que deixam contêineres nos fornecedores, além de Munck e carretas para coleta e entrega.

O maquinário do pátio dá conta do volume. Um manipulador Liebherr LH30 movimenta as pilhas com agilidade, uma prensa-tesoura corta e compacta a sucata em pacotes que reduzem o volume em cerca de 60%, e um eletroímã carrega e descarrega o material ferroso sem precisar de garra, conforme o O RECICLADOR mostra. A compactação é o que permite acomodar mais peso por viagem, e a separação prévia é o que garante o preço lá na usina.

De caminhão velho a império: 50 anos e 3 gerações

Por trás da operação tem uma história de virada de vida. Segundo o O RECICLADOR, o pai do dono começou sem saber nada de reciclagem, com um caminhão velho e uma placa de “faço frete” na frente de casa, até que um cliente perguntou se ele transportava osso, o primeiro material com valor comercial que a família aprendeu a garimpar.

O salto veio de uma oferta inesperada. Por volta de 1975, ofereceram ônibus velhos para desmanchar, o material foi parar na Gerdau, e ali nasceu a operação de sucata que hoje passa de 50 anos, chega à terceira geração da família e reúne cerca de 600 fornecedores, conforme o O RECICLADOR relata. É o retrato de quase toda a reciclagem brasileira, que, como o próprio O RECICLADOR mostra, nasce na esmagadora maioria de unidades familiares que cresceram no ferro-velho.

O que a sucata ensina sobre renda no Brasil

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A pauta é econômica antes de ser ambiental. A reciclagem de sucata sustenta famílias inteiras no Brasil, do catador que junta lata na rua ao operador de pátio, e o vídeo trata a atividade como fonte de renda formalizável, e não como último recurso.

O potencial é do tamanho do país. Todo CPF e todo CNPJ geram sucata, e o mercado brasileiro é grande o bastante para quem se especializa em classificar e agregar valor em vez de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, conforme o O RECICLADOR conclui. A mensagem para o iniciante é clara: o dinheiro não está em juntar mais, está em separar melhor, porque cada nível de classificação, do cavaco de R$ 0,50 ao inox de R$ 3,50, multiplica o valor do mesmo quilo de metal.

O vídeo percorre o pátio da Goldani Sucatas, os equipamentos, as pilhas de cada material e a tabela de preços explicada pelo dono.

A visita à Goldani mostra que sucata não é lixo, é matéria-prima com preço de tabela e regras próprias. Conta pra gente nos comentários: tu sabias que o inox 304 vale três vezes o aço comum no ferro-velho?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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