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A Espanha está usando câmaras de ar comprimido à beira-mar para transformar o balanço das ondas em eletricidade e abastecer comunidades costeiras inteiras com energia contínua

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 20/01/2026 às 09:24
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A Espanha usa câmaras de ar comprimido para converter ondas em eletricidade no porto de Mutriku, gerando energia contínua com a tecnologia OWC.

Quando pensamos em energia renovável na Espanha, costumam vir à mente placas solares e turbinas eólicas nos campos semiáridos de Castela-La Mancha. O que quase ninguém imagina é que, no litoral do País Basco, existe uma plataforma capaz de transformar o simples “levantar e abaixar” das ondas em eletricidade usando apenas câmaras de ar comprimido, turbinas especiais e uma engenharia que dispensa barragens, combustíveis fósseis ou impacto visual.

O projeto existe, é real e já está alimentando a rede espanhola desde 2011: trata-se da planta de energia das ondas de Mutriku, baseada na tecnologia OWC – Oscillating Water Column (ou Coluna de Água Oscilante), um conceito relativamente simples na teoria, mas extremamente eficiente quando aplicado na costa certa.

Como funciona a tecnologia que captura a energia das ondas

A estrutura funciona como uma espécie de “galeria” marítima. As ondas entram e saem de câmaras estanques construídas no paredão do porto. Quando uma onda avança, a água força o ar para cima, criando um jato de ar comprimido. Quando recua, cria um vácuo relativo, puxando ar de volta para dentro.

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Esse movimento cíclico faz o ar passar por uma turbina especial — a turbina Wells, que tem uma sacada de engenharia muito inteligente:

  • ela gira no mesmo sentido seja com ar entrando ou saindo.
    Isso elimina a necessidade de sistemas reversores complexos e aumenta a durabilidade.

Em Mutriku, o processo é completamente automático, modular e contínuo. Não há combustão, não há emissão, não há motores expostos ao mar — só ar, ondas e aço.

Quantos megawatts a usina gera e para quem ela serve

A planta espanhola possui 16 turbinas Wells, cada uma com 30 kW, totalizando 480 kW de potência instalada (0,48 MW).

Embora pareça pouco quando comparado com hidrelétricas ou eólicas, o foco aqui não é potência bruta, mas regularidade marítima. O mar não “para” quando venta pouco ou faz frio — e isso traz uma vantagem estratégica:

Energia de ondas pode operar à noite, em dias nublados e mesmo sob baixa intensidade de vento, cobrindo lacunas das outras renováveis.

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Segundo dados do Ente Vasco de la Energía (EVE), a planta já ultrapassou 2 GWh de energia entregue à rede, o suficiente para abastecer centenas de residências anualmente, além de servir como plataforma de testes para futuras versões industriais.

Por que a Europa está olhando para essa tecnologia

O OWC não é um experimento isolado, ele faz parte de uma tendência silenciosa, porém crescente, chamada energia marinha renovável, que inclui:

  • energia das ondas (wave energy),
  • energia das marés (tidal),
  • energia de gradiente térmico,
  • e gradiente salino.

A União Europeia estima que até 10% do consumo elétrico europeu poderia vir do mar até 2050 se tecnologias como o OWC e turbinas de marés atingirem escala industrial.

Para países com muito litoral — caso de Espanha, Portugal, Reino Unido, Noruega e Irlanda — o potencial é gigantesco.

Quais são as vantagens práticas de um sistema OWC

Além da operação contínua, essa tecnologia se destaca por:

Não precisar de plataformas flutuantes
Não interferir em rotas de navegação
Baixo impacto visual e sonoro
Baixo custo de manutenção (turbinas ficam fora da água)
Possibilidade de instalação em portos já existentes

Isso explica por que o porto de Mutriku se tornou vitrine internacional: ele já recebe visitas técnicas de Japão, Coreia do Sul e países do norte da Europa, todos interessados no modelo.

O desafio agora é industrializar

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O maior entrave para energias oceânicas hoje não é tecnológico, é econômico. A produção ainda é pequena e o custo por kWh, alto. Mas o avanço dos últimos 15 anos mostra que o setor está seguindo o mesmo caminho que:

  • solar fotovoltaica (que caiu mais de 90% em custo desde 2010),
  • eólica onshore (que hoje é mais barata que gás natural na UE).

Se houver escala industrial, portos costeiros do mundo inteiro poderão se tornar usinas híbridas — parte porto, parte gerador de energia.

Por que esse projeto importa para o futuro

Mutriku representa algo maior que meia dúzia de turbinas girando: É a prova real de que o oceano pode se tornar um ativo energético descentralizado e constante, especialmente para:

✔ ilhas,
✔ comunidades costeiras,
✔ bases marítimas,
✔ e integração com redes inteligentes (smart grids).

Num cenário em que o mundo busca reduzir combustíveis fósseis sem perder estabilidade elétrica, plantas como essa podem ocupar um espaço estratégico entre solar, eólica e baterias.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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