A fabricante brasileira de aviões fechou 2025 com a maior fila de pedidos de todos os tempos e ainda emplacou seu cargueiro militar na Europa
A Embraer encerrou 2025 com a maior carteira de encomendas de toda a sua história, somando US$ 31,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 164 bilhões. O número transforma a fabricante brasileira de aviões em um dos grandes símbolos de que o país é capaz de competir na indústria de altíssima tecnologia, e não só exportar matéria-prima.
A Embraer não bateu o recorde por acaso: a fila de encomendas cresceu 20% em relação ao fim de 2024, puxada pela demanda por jatos comerciais e pela venda de aeronaves militares para países europeus. É a prova de que os aviões verde-amarelos seguem disputados num mercado dominado por gigantes como Boeing e Airbus.
A maior carteira de pedidos da história da empresa
O dado central é a marca histórica. Segundo o Poder Aéreo, a Embraer fechou o quarto trimestre de 2025 com US$ 31,6 bilhões em pedidos, o maior valor de todos os tempos, com expansão de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
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Esse volume se espalha por todas as divisões da empresa. A aviação executiva chegou a US$ 7,6 bilhões, também um recorde, e a área de serviços e suporte somou US$ 4,9 bilhões, igualmente histórica. Quando todas as frentes batem recorde ao mesmo tempo, não é sorte, é demanda real, e isso dá previsibilidade de receita para os próximos anos.
O que é uma carteira de pedidos e por que ela importa
Para entender o tamanho da notícia, vale explicar o termo. Conforme a Times Brasil, a carteira de pedidos é o valor total de todas as encomendas que a empresa já recebeu e aceitou, mas ainda não entregou, ou seja, trabalho contratado que está em produção ou esperando para ser fabricado.
Esse indicador é uma espécie de bola de cristal financeira. Ele mostra quanta receita está garantida lá na frente e dá segurança de produção para a fábrica. Uma carteira recorde significa anos de trabalho assegurado e fluxo de caixa previsível, justamente o que tranquiliza investidores e fornecedores de uma indústria que planeja com muita antecedência.
A aviação comercial puxando o recorde

O motor principal do recorde foi a aviação comercial. De acordo com a Times Brasil, esse segmento somou US$ 14,5 bilhões, o equivalente a R$ 75,4 bilhões, um salto de 42% na comparação anual, sustentado pela procura por jatos de médio porte.
Entre os negócios recentes aparecem pedidos de empresas como TrueNoord e Helvetic, para os jatos E195-E2, e da Air Côte d’Ivoire, para o E175. Os aviões de corredor único da Embraer caíram no gosto das companhias regionais do mundo todo, que precisam de aeronaves eficientes para rotas de média distância, um nicho que a marca dominou.
A aviação executiva também entra na festa
Não foi só o avião de linha que vendeu bem. A aviação executiva, voltada para jatos particulares, atingiu sua própria marca histórica de US$ 7,6 bilhões em pedidos, segundo a Times Brasil, refletindo o apetite global por jatos de luxo.
Esse equilíbrio entre frentes é um trunfo da empresa. Quando um mercado esfria, outro aquece, e a companhia não fica refém de um único produto. Ter força em aviação de linha, executiva, defesa e serviços ao mesmo tempo é o que dá estabilidade à Embraer, blindando-a contra as crises cíclicas que costumam atingir o setor aéreo.
O KC-390 Millennium que conquistou a Europa

O capítulo mais simbólico do ano veio da área de defesa. Segundo o Poder Aéreo, a Embraer confirmou a venda de cinco aeronaves KC-390 Millennium para Suécia e Portugal, reforçando a presença internacional do seu cargueiro militar multimissão.
Vender avião de transporte militar para países europeus, em um mercado historicamente dominado por americanos, é um feito de engenharia e de diplomacia. O KC-390 vem sendo apontado como uma das principais plataformas de transporte aéreo militar da nova geração. Quando uma força aérea europeia escolhe um cargueiro brasileiro, o recado para o mundo é claro, de que a tecnologia nacional joga no primeiro time.
Mais de 9 mil aviões em mais de 50 anos
A conquista atual se apoia em uma trajetória longa. Fundada em 1969, a Embraer já entregou, ao longo de sua história, mais de 9 mil aeronaves, segundo o Poder Aéreo, que hoje voam por companhias e forças armadas espalhadas pelo planeta.
Esse acúmulo de experiência é o que sustenta a confiança dos compradores. Aviação é um setor em que reputação e histórico de segurança valem ouro, e décadas de entregas constroem credibilidade. Mais de meio século fabricando aviões transformou a empresa em uma marca de confiança no mercado global, algo que dinheiro nenhum compra do dia para a noite.
Por que a Embraer é estratégica para o Brasil
O caso vai muito além do balanço de uma empresa. A Embraer é uma das poucas companhias do país que dominam tecnologia de ponta de verdade, gerando empregos altamente qualificados, exportando produtos de alto valor e puxando uma cadeia inteira de fornecedores especializados. Ela representa o tipo de indústria que o Brasil sonha em multiplicar.
Em um país que exporta muita commodity, ter uma campeã na indústria aeroespacial é raro e valioso. Cada avião vendido lá fora carrega engenharia, software e mão de obra brasileira embarcados, exatamente o oposto de mandar minério cru para o exterior. É soberania tecnológica em forma de produto.
Os desafios que ainda rondam o setor
Nem tudo é céu de brigadeiro. A indústria aeronáutica enfrenta gargalos globais na cadeia de fornecimento, com falta de peças e motores que atrasam entregas no mundo todo. Converter uma carteira gigante de pedidos em aviões entregues no prazo é o próximo grande teste da companhia.
A pergunta que fica é se a Embraer vai conseguir transformar esse recorde de encomendas em entregas e lucro sem tropeçar nos gargalos do setor. Você sabia que uma das maiores fabricantes de aviões do mundo, disputada por forças aéreas europeias, é brasileira?
