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O mercado de games do Brasil move R$ 13 bilhões, mas o país joga muito e produz pouco

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/06/2026 às 21:36 Atualizado em 30/06/2026 às 21:39
Mercado de games: o Brasil move R$ 13 bilhões por ano e tem 100 milhões de jogadores, mas produz pouco e manda bilhões para fora. Entenda o paradoxo.
Mercado de games: o Brasil move R$ 13 bilhões por ano e tem 100 milhões de jogadores, mas produz pouco e manda bilhões para fora. Entenda o paradoxo.
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Uma das maiores nações gamers do planeta, o Brasil tem mais de 100 milhões de jogadores e gasta bilhões, mas ainda manda quase todo esse dinheiro para estúdios de fora

O Brasil é, sem que muita gente perceba, uma das maiores potências de videogame do mundo. O mercado de games no país já movimenta R$ 13 bilhões por ano e reúne mais de 100 milhões de jogadores, um exército que coloca o Brasil na liderança da América Latina e entre os dez maiores do planeta em consumo de jogos.

O tamanho do mercado de games esconde, porém, um paradoxo desconfortável. O país joga muito, gasta muito, mas quase não produz os jogos que consome. A maior parte desse dinheiro todo acaba indo para estúdios estrangeiros, e é justamente esse descompasso que define o desafio do setor no Brasil.

R$ 13 bilhões por ano e mais de 100 milhões de jogadores

Com mais de 100 milhões de jogadores, o Brasil é uma das maiores nações gamers do mundo.
Com mais de 100 milhões de jogadores, o Brasil é uma das maiores nações gamers do mundo.

Os números do consumo impressionam. Segundo a CartaCapital, o setor de games no Brasil movimenta cerca de R$ 13 bilhões por ano, com mais de 100 milhões de usuários, o que coloca o país como o décimo maior mercado do mundo.

Ter uma base de gamers desse tamanho é um ativo cultural e econômico enorme. São dezenas de milhões de brasileiros gastando tempo e dinheiro em jogos todos os dias. Quando quase metade da população de um país joga videogame, isso deixa de ser passatempo e vira um setor econômico de peso, com impacto em publicidade, tecnologia e entretenimento.

82,8% dos brasileiros consomem jogos digitais

A penetração dos games na vida do brasileiro é altíssima. De acordo com o jornal Estado de Minas, com base na Pesquisa Game Brasil de 2025, 82,8% da população brasileira consome jogos digitais de alguma forma.

Esse número mostra que o jogo furou a bolha do público jovem e masculino e virou hábito de gente de todas as idades e gêneros. Games viraram cultura de massa no país. Um passatempo que alcança quatro em cada cinco brasileiros é praticamente universal, e é essa universalidade que torna o mercado tão atraente para quem investe em tecnologia e entretenimento.

O smartphone como plataforma número 1

A forma como o brasileiro joga também explica o tamanho do mercado. Conforme o Estado de Minas, a plataforma preferida é o smartphone, com 40,8% da preferência, seguido pelos consoles, com 24,7%, e pelos computadores, com 20,3%.

O domínio do celular faz sentido num país onde nem todo mundo pode comprar um console caro, mas quase todo mundo tem um telefone. O jogo mobile democratizou o acesso. Foi o celular que transformou o Brasil de nicho gamer em nação gamer, colocando um videogame no bolso de mais de cem milhões de pessoas de todas as classes sociais.

O boom dos estúdios nacionais

Do lado da produção, houve avanço, mas ainda tímido. A CartaCapital aponta que o número de estúdios de games no Brasil cresceu de cerca de 150 empresas no começo da década passada para mais de mil hoje, um salto expressivo em poucos anos.

Esse crescimento mostra que existe talento e vontade de criar por aqui. Jovens desenvolvedores estão montando estúdios e tentando emplacar jogos autorais. Sair de 150 para mais de mil estúdios prova que o Brasil tem cérebro criativo de sobra para o setor, mesmo que a indústria ainda seja pequena diante do tamanho do consumo interno.

O paradoxo do mercado de games: joga muito e produz pouco

Aqui está o nó da questão. Segundo a CartaCapital, o Brasil representa cerca de 1,4% do consumo global de games, mas apenas 0,1% da produção mundial. Ou seja, o país é um dos que mais consomem e um dos que menos criam jogos no mundo.

Esse abismo entre consumir e produzir é a grande fraqueza do setor. Significa que o dinheiro gasto pelo gamer brasileiro sustenta, em boa parte, a indústria de outros países. Ser gigante no consumo e anão na produção é como encher o carrinho no mercado do vizinho, e é exatamente esse desequilíbrio que o Brasil precisa corrigir.

Bilhões que vão embora para o exterior

Boa parte do dinheiro gasto pelos jogadores brasileiros vai para estúdios e plataformas de outros países.
Boa parte do dinheiro gasto pelos jogadores brasileiros vai para estúdios e plataformas de outros países.

A consequência do paradoxo é sangria de divisas. A CartaCapital alerta que, sem mudanças, o Brasil continuará a ser um grande consumidor, enviando bilhões para o exterior ao comprar jogos, itens virtuais e assinaturas de empresas de fora.

Cada compra de um jogo estrangeiro é dinheiro que sai do país em vez de girar aqui dentro. Se parte disso fosse gasto em jogos nacionais, geraria emprego e tecnologia no Brasil. Transformar consumo em produção é a diferença entre alimentar a indústria dos outros e construir a sua própria, e esse é o debate central do setor.

O que falta: uma política nacional para o setor

O que trava o crescimento da produção nacional? A CartaCapital destaca a ausência de uma política nacional adequada para games, com incentivos, financiamento e formação que ajudem os estúdios brasileiros a competir com os gigantes internacionais.

Outros países trataram o game como indústria estratégica e colheram frutos. Sem apoio estruturado, o talento brasileiro esbarra na falta de capital e de escala. Ter jogadores e criadores não basta, é preciso política pública para transformar potencial em indústria, e é aí que o Brasil ainda patina apesar de todo o consumo.

Um mercado com potencial de crescer muito mais

O tamanho da oportunidade é enorme. Com uma base de mais de 100 milhões de usuários e um consumo que só cresce, o Brasil tem tudo para se tornar não só um grande mercado, mas também um grande produtor de games, se conseguir organizar o setor.

A pergunta que fica é se o país vai aproveitar essa legião de gamers para construir uma indústria própria, ou se vai seguir apenas como o freguês bilionário dos estúdios estrangeiros. Você sabia que o Brasil é um dos países que mais jogam videogame no mundo, mas um dos que menos criam os jogos que todos jogam?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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