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A Grendene vendeu menos pares em 2025, mas a Melissa disparou 36% e virou a aposta

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/06/2026 às 21:30 Atualizado em 30/06/2026 às 21:32
Grendene: a gigante brasileira de calçados vendeu menos pares em 2025, mas a Melissa cresceu 36,7% e virou a aposta. Veja a virada de estratégia.
Grendene: a gigante brasileira de calçados vendeu menos pares em 2025, mas a Melissa cresceu 36,7% e virou a aposta. Veja a virada de estratégia.
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Uma das maiores fabricantes de calçados do mundo trocou a estratégia de volume pela de valor, e a explosão da sua marca mais icônica mostra que o plano está dando certo

A Grendene, gigante brasileira dona de marcas como Melissa e Ipanema, viveu em 2025 um ano que parece contraditório, mas conta uma história clara. A empresa vendeu menos pares de sapato, e ainda assim segurou o faturamento, porque apostou em vender produtos mais caros e desejados, com a Melissa puxando a fila.

A empresa tem capacidade para produzir 250 milhões de pares por ano, mas escolheu mudar de rota: em vez de inundar o mercado com calçado barato, passou a focar em valor e marca. O resultado é a Melissa, sua joia, crescendo perto de 37% enquanto o volume total recuava, num claro recado de qual caminho a empresa decidiu seguir.

A Grendene e os 123,9 milhões de pares de 2025

O número de produção mostra o tamanho da operação e a queda no volume. Segundo o Diário do Nordeste, a empresa vendeu 123,9 milhões de pares em 2025, uma queda de 11,1% em relação ao ano anterior, bem abaixo da capacidade instalada de 250 milhões.

À primeira vista, vender menos parece má notícia. Mas a estratégia era justamente essa, abrir mão de parte do volume de baixo valor para ganhar em rentabilidade. Trocar quantidade por qualidade é uma aposta arriscada, porque o faturamento depende de o preço subir mais do que o volume cai, e foi exatamente o equilíbrio que a Grendene perseguiu.

A Melissa que disparou 36,7%

As sandálias de plástico coloridas e perfumadas viraram objeto de desejo e item de moda no mundo todo.
As sandálias de plástico coloridas e perfumadas viraram objeto de desejo e item de moda no mundo todo.

A grande vitória do ano tem nome próprio. Conforme o jornal O Povo, a marca Melissa registrou um crescimento de 36,7% na receita bruta em 2025, impulsionada pela alta do preço médio e por um posicionamento cada vez mais global e premium.

A Melissa deixou de ser só uma sandália de plástico e virou item de moda, vendido a preço de grife e cobiçado mundo afora. Esse sucesso é o modelo que a empresa quer replicar. Quando uma única marca cresce quase 37% num ano de queda geral, ela vira o mapa do tesouro da companhia, e a Grendene sabe disso muito bem.

Menos pares, mas preço médio em alta

O segredo da conta está no valor de cada par. Ainda segundo o Diário do Nordeste, mesmo com a queda no volume, a companhia elevou o preço médio em 18,3% no acumulado de 2025, o que ajudou a sustentar a receita apesar de vender menos sapatos.

Esse movimento é o coração da virada de estratégia. Em vez de competir na briga de preço baixo, onde a margem é mínima, a empresa subiu de patamar. Vender o par mais caro é o que permite faturar bem mesmo produzindo menos, e essa lógica de valor sobre volume é a mesma que sustenta marcas de luxo no mundo todo.

A aposta: repetir a Melissa em Ipanema e Rider

Convencida pelo sucesso, a empresa quer clonar a fórmula. De acordo com o O Povo, o diretor financeiro Alceu Albuquerque afirmou que a companhia estuda reforçar os investimentos em marketing, especialmente para as marcas Ipanema e Rider, buscando repetir com elas o que deu certo com a Melissa.

A ideia é transformar mais marcas em objetos de desejo, e não apenas em calçados funcionais. Se conseguir, a Grendene multiplica o efeito Melissa por todo o portfólio. Pegar a receita que deu certo em uma marca e aplicá-la nas outras é a jogada mais lógica de quem descobriu uma mina de ouro, e é exatamente o plano traçado para os próximos anos.

As exportações que cresceram 40%

Boa parte da produção da empresa cruza fronteiras, com a América Latina como principal destino.
Boa parte da produção da empresa cruza fronteiras, com a América Latina como principal destino.

O mercado externo foi outro destaque positivo. Segundo o O Povo, as exportações da Grendene somaram R$ 817 milhões em 2025, um salto de 40,4%, com a América Latina respondendo por mais de 60% do total e o volume exportado chegando a 26,3 milhões de pares.

Crescer 40% nas vendas para fora num ano de queda interna mostra a força da marca lá fora. O calçado brasileiro, leve e colorido, tem apelo em climas quentes do mundo todo. Quando o mercado interno desacelera, a exportação vira o respiro que mantém a fábrica girando, e foi esse fôlego externo que ajudou a empresa a fechar o ano de pé.

O coração da produção em Sobral

A força industrial da empresa está no Nordeste. Conforme o Diário do Nordeste, a sede da Grendene fica em Sobral, no Ceará, e a cidade concentra cerca de 80% da capacidade de produção da companhia, que emprega aproximadamente 16 mil pessoas.

Ter uma indústria desse porte no interior do Ceará é um caso raro e valioso de desenvolvimento regional. A fábrica é o motor econômico de toda uma região. Uma gigante de calçados fincada no sertão gera milhares de empregos onde a oferta costuma ser escassa, e isso faz da Grendene muito mais que uma empresa para a economia cearense.

Um portfólio de oito marcas para todo bolso

A empresa não vive só da Melissa. O grupo reúne marcas como Grendha, Zaxy, Rider, Cartago, Ipanema, Pega Forte e Grendene Kids, cobrindo desde a sandália popular até o calçado esportivo e o infantil, em diferentes faixas de preço.

Essa variedade permite atender públicos distintos e diluir o risco entre vários produtos. Se uma marca esfria, outra esquenta. Ter um portfólio amplo é o que dá à empresa fôlego para errar em uma aposta e acertar em outra, e é essa carteira de marcas que agora será trabalhada para gerar novas Melissas.

Por que a virada de estratégia importa

O ano de 2025 pode ser lembrado como o momento em que a Grendene escolheu deixar de ser só a fábrica do sapato barato para virar uma casa de marcas de valor. A queda no volume assusta no curto prazo, mas a alta de preço e o boom da Melissa sugerem que a direção faz sentido.

A pergunta que fica é se a empresa vai conseguir transformar Ipanema e as demais em sucessos do tamanho da Melissa, ou se vai depender para sempre de uma única estrela. Você imaginava que a sandália de plástico que muita gente teve na infância virou item de moda vendido a preço de grife pelo mundo?

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