Entenda os avanços, os benefícios e os motivos que levaram ao cancelamento do primeiro projeto permanente de estrada elétrica na Suécia, a E20
A Suécia se posicionou como líder mundial na pesquisa de estradas que recarregam veículos elétricos enquanto eles se movimentam. O país investiu em diversos projetos piloto para testar tecnologias e acelerar a transição para um transporte sustentável. A visão era clara: viabilizar a construção da primeira estrada elétrica permanente do mundo.
No entanto, o ambicioso projeto de eletrificar a rodovia E20 foi cancelado em 2024. Isso revelou uma lacuna crítica entre o sucesso dos testes e os desafios de custo e financiamento para uma implementação em larga escala. Apesar do revés, a Suécia mantém seu compromisso de longo prazo com a tecnologia, que promete revolucionar o futuro do transporte.
O que eram as estradas elétricas e os projetos piloto da Suécia?
A Suécia testou três tipos principais de Sistemas de Estradas Elétricas (ERS). O projeto Smartroad Gotland, inaugurado no início de 2020, usou carregamento indutivo (sem fio) em 1,65 km de via. Já o eRoadArlanda, aberto em 2018, utilizou um trilho condutivo no asfalto em um trecho de 2 km. Houve também testes com linhas aéreas, similares às de trólebus, em Sandviken.
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Todos os projetos piloto foram bem-sucedidos, demonstrando a viabilidade técnica das diferentes abordagens. O sistema indutivo provou funcionar bem sob neve e gelo, enquanto o condutivo mostrou-se eficiente em custo-benefício.
O ambicioso projeto da rodovia E20 e seu cancelamento em 2024

Com base nos sucessos dos pilotos, a Suécia planejou a construção da primeira estrada elétrica permanente do mundo. O projeto previa a eletrificação de um trecho de 21 km da rodovia E20, entre as cidades de Hallsberg e Örebro, com conclusão prevista para 2025 ou 2026.
Contudo, o processo de licitação foi cancelado em agosto de 2023 devido ao “aumento de custos e falta de financiamento necessário”. Em fevereiro de 2025, o governo sueco removeu oficialmente o projeto do Plano Nacional, encerrando os planos imediatos para a E20. O cancelamento destacou os enormes desafios financeiros de transformar um piloto em uma infraestrutura nacional.
Como uma estrada elétrica pode diminuir o tamanho das baterias
Um dos maiores benefícios do ERS é a possibilidade de reduzir drasticamente o tamanho das baterias dos veículos. Estudos suecos mostraram que o carregamento em movimento poderia diminuir o tamanho das baterias de carros de passeio em até 71%.
Para caminhões pesados, a diferença é ainda mais notável. A capacidade da bateria poderia ser reduzida de 500 kWh para cerca de 150 kWh. Baterias menores significam veículos mais leves, mais baratos e com menor impacto ambiental na sua fabricação, resolvendo um dos maiores obstáculos para a adoção em massa de veículos elétricos.
Os desafios para a implementação em larga escala, custo, padronização e o avanço das baterias
Apesar dos benefícios, a implementação do ERS em larga escala enfrenta grandes desafios. O principal é o custo. O projeto da E20 foi estimado em cerca de 30 milhões de coroas suecas (SEK) por quilômetro. Além disso, é preciso padronizar uma única tecnologia (indutiva, condutiva ou aérea) para garantir a interoperabilidade.
Outro risco significativo é a própria evolução das baterias. Se as baterias se tornarem muito mais baratas e com maior autonomia, a necessidade de uma infraestrutura de carregamento dinâmico poderia diminuir, tornando o investimento em estradas elétricas obsoleto.
O futuro da estratégia sueca, foco em 3.000 km de estradas até 2045

Embora a construção da primeira estrada elétrica permanente na E20 tenha sido cancelada, a Suécia não abandonou o conceito. A Administração de Transportes Sueca (Trafikverket) afirmou que “continuará a monitorar o desenvolvimento da tecnologia”.
As metas de longo prazo do país permanecem ambiciosas. O plano é expandir a rede de estradas elétricas para 2.000 km até 2030 e, posteriormente, para 3.000 km até 2045. A visão de um transporte livre de combustíveis fósseis continua, agora com uma abordagem mais cautelosa e focada na evolução da tecnologia e nos modelos de financiamento.

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