Cubatão estuda implantar usina para geração elétrica a partir de resíduos sólidos urbanos com tecnologia chinesa e aposta em novo polo de energia sustentável.
O que antes era problema pode virar solução. Em Cubatão, no litoral de São Paulo, a prefeitura avalia implantar um projeto ousado de geração elétrica a partir de resíduos sólidos urbanos.
A proposta prevê a instalação de uma URE (Usina de Recuperação Energética) em uma área que abrigava um antigo lixão.
A ideia é simples e, ao mesmo tempo, ambiciosa: transformar lixo em eletricidade e vapor térmico por meio da tecnologia WTE (Waste-to-Energy).
-
Pesquisador da USP cria tese para atrair fundos internacionais para o setor de energia elétrica do país
-
Trafigura recebe autorização da ANEEL para comercializar energia elétrica no Brasil e amplia atuação no maior mercado de energia da América Latina
-
Painéis solares móveis prometeram dividir espaço com lavouras de milho, mas a sombra de 20% a 25% reduziu a produção em média 7,7% e abriu uma nova disputa entre energia e alimento
-
Mais de 80 milhões de quilômetros de fios precisam ser trocados até 2040: a transição energética não depende só de painéis e carros elétricos, mas de uma corrida colossal por cobre, alumínio, transformadores e reciclagem de cabos antigos
Essa tecnologia já é usada em larga escala na Ásia e na Europa. Agora, pode chegar ao Brasil.
Além disso, o projeto faz parte de um plano maior. Ele integra o futuro Polo de Energia Sustentável de Cubatão, que também negocia a instalação de uma indústria de hidrogênio verde no município.
Tecnologia estrangeira promete impulsionar geração elétrica
Para tirar o projeto do papel, a prefeitura iniciou tratativas com a China Civil Engineering Construction Corporation, parceira da SUS Environment.
A proposta envolve a adoção de sistemas modernos de eficiência térmica e filtragem de gases.
O objetivo é converter resíduos urbanos em insumo energético para o Polo Industrial de Cubatão e para o futuro Corredor Porto-Indústria.

Ou seja, a geração elétrica deixaria de depender exclusivamente de fontes tradicionais e passaria a aproveitar o próprio lixo produzido pela cidade.
Segundo Wang Kay, gerente do Departamento de Tecnologia e Projetos da empresa chinesa, o modelo já é consolidado em outros países.
“É um processo seguro e consolidado globalmente. A nossa tecnologia já opera em larga escala em vários países da Ásia e da Europa, convertendo resíduos em recursos valiosos”, afirmou o executivo.
Ele destacou ainda que a China praticamente eliminou seus lixões após construir mais de 600 usinas semelhantes.

Projeto envolve governos e pode sair via PPP
Enquanto as negociações avançam, a prefeitura também articula apoio político.
O prefeito César Nascimento confirmou que há diálogo com os governos estadual e federal para viabilizar não apenas a usina, mas também outros projetos ligados à transição energética.
“Já estamos em tratativas avançadas para trazer a indústria do hidrogênio verde para a cidade, com apoio dos governos Estadual e Federal. Agora avançamos também em outra frente promissora e alinhada às tendências globais”, afirmou.
No entanto, a implantação ainda depende de análises técnicas e do licenciamento ambiental. Além disso, o modelo pode ser estruturado por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada), o que exigirá estudos financeiros detalhados.
Antigo lixão pode virar símbolo de nova economia
Se aprovado, o projeto mudará completamente o destino de uma área antes marcada por degradação ambiental.
A proposta é transformar o espaço em um polo de economia circular, onde resíduos deixam de ser descartados e passam a gerar valor.
A geração elétrica a partir do lixo também pode reduzir impactos ambientais, diminuir a necessidade de aterros sanitários e fortalecer a infraestrutura energética local.
Por outro lado, especialistas apontam que projetos desse tipo costumam gerar debates sobre custos, impactos ambientais e eficiência a longo prazo.
Ainda assim, a promessa de transformar lixo em energia e desenvolvimento econômico tem chamado atenção.
Cubatão, conhecida historicamente por seu polo industrial, pode estar prestes a escrever um novo capítulo em sua trajetória energética.

