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A cidade brasileira que já foi chamada de Vale da Morte, entrou para a lista das mais poluídas do mundo e depois se transformou em uma potência industrial que hoje concentra química, aço, energia e uma das reviravoltas mais radicais do país

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Escrito por Ana Alice Publicado em 20/04/2026 às 22:08 Atualizado em 20/04/2026 às 22:11
Assista o vídeoCubatão virou símbolo de poluição e depois referência em recuperação ambiental, sem perder a força do seu polo industrial. (Imagem: Ilustrativa)
Cubatão virou símbolo de poluição e depois referência em recuperação ambiental, sem perder a força do seu polo industrial. (Imagem: Ilustrativa)
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Entre a Serra do Mar e o polo industrial, Cubatão concentra geografia rara, memória ambiental e infraestrutura estratégica em um mesmo território, reunindo elementos que transformaram a cidade em um dos casos mais conhecidos do país quando ciência e desenvolvimento se cruzam.

Cubatão reúne, num mesmo território, encostas da Serra do Mar, áreas de manguezal, canais, dutos, ferrovias e um dos polos industriais mais conhecidos do país.

Essa combinação ajuda a explicar por que a cidade entrou para a história tanto pela crise ambiental que marcou sua imagem quanto pela recuperação que virou referência em estudos sobre controle de poluição.

O município, no litoral paulista, também chama atenção por um dado menos lembrado fora da Baixada Santista: sua geografia nunca foi apenas pano de fundo.

Em Cubatão, relevo, clima, drenagem e ocupação urbana interferem diretamente na indústria, no meio ambiente e no cotidiano da população.

Foi nesse cenário que a cidade passou a ser associada, sobretudo nas décadas de 1970 e 1980, a uma das situações ambientais mais graves do Brasil.

A expressão “a mais poluída do mundo” ganhou espaço em reportagens e estudos sobre o período.

A concentração de indústrias pesadas, somada à ausência de controle adequado sobre emissões por muitos anos, produziu um quadro de poluição do ar, contaminação ambiental e danos à vegetação da Serra do Mar.

Foi dessa fase que surgiu o apelido Vale da Morte, incorporado ao noticiário da época.

Geografia de Cubatão e crise ambiental

Em Cubatão, a crise ambiental não pode ser entendida apenas pelo número de fábricas.

Relatórios técnicos da CETESB indicam que a própria configuração do terreno agravava o problema.

Espremida entre a planície e a serra, a cidade reúne condições que, em certos momentos, dificultavam a dispersão dos poluentes.

Isso significa que a poluição lançada no ar não encontrava a mesma facilidade de circulação observada em outros contextos geográficos.

Em vez de se afastar rapidamente, parte dessa carga permanecia sobre a região, o que intensificava os efeitos sobre a vegetação, os rios e a saúde da população.

Por isso, Cubatão se tornou objeto frequente de pesquisas em áreas diferentes.

Estudos passaram a analisar, ao mesmo tempo, qualidade do ar, impactos respiratórios, degradação da Mata Atlântica, comportamento do relevo e formas de ocupação urbana.

O município acabou se transformando em um caso de interesse não só ambiental, mas também científico.

A cidade ajuda a mostrar, por exemplo, que a poluição industrial não depende apenas da fonte emissora.

Ela também é influenciada pela maneira como o território responde a essa emissão.

Em Cubatão, esse fator teve peso relevante e aparece com frequência em documentos técnicos sobre a região.

Vila Parisi, em Cubatão (SP), no dia 3 de maio de 1985 — Foto: João Vieira/Arquivo A Tribuna
Vila Parisi, em Cubatão (SP), no dia 3 de maio de 1985 — Foto: João Vieira/Arquivo A Tribuna

Recuperação ambiental e controle da poluição

A virada não veio de uma única obra nem de uma solução isolada.

Segundo registros oficiais, o processo começou a se consolidar a partir da implantação do Programa de Controle da Poluição Ambiental em Cubatão, conduzido pela CETESB.

A resposta incluiu fiscalização mais rígida, metas de redução, exigência de equipamentos de controle e acompanhamento contínuo das fontes poluidoras.

Na prática, isso significou mudar a rotina industrial e transformar o controle ambiental em parte da operação.

Com o tempo, filtros, sistemas de abatimento de emissões, tratamento de efluentes e manejo mais rigoroso de resíduos passaram a integrar esse esforço.

Ao mesmo tempo, áreas degradadas da Serra do Mar entraram em programas de recuperação com replantio e semeadura de espécies nativas.

Documentos públicos do Estado e do município apontam que esse conjunto de medidas levou à redução expressiva das emissões e alterou a imagem de Cubatão ao longo dos anos.

A cidade passou, então, a ser citada como exemplo de recuperação ambiental em área industrializada.

Geologia, solo e risco em Cubatão

Outro aspecto que ajuda a explicar Cubatão está debaixo dos pés.

Estudos geográficos e geológicos mostram que o município reúne terrenos ligados à planície costeira e áreas diretamente influenciadas pelas encostas da Serra do Mar.

Na prática, isso interfere em decisões sobre construção, drenagem, implantação de infraestrutura e monitoramento de risco.

Em uma cidade como essa, a discussão ambiental não se resume ao que sai das chaminés.

Ela envolve também o comportamento do solo, das águas e das encostas.

Levantamentos técnicos registram, por exemplo, a recorrência de escorregamentos e inundações em setores da região.

Esse quadro obriga o poder público e os setores produtivos a considerar a geologia como parte do planejamento urbano e industrial.

É justamente esse ponto que torna Cubatão um caso tão particular.

Ali, o território não funciona como cenário neutro.

Ele participa do problema e também das soluções, já que qualquer projeto relevante depende de leitura técnica sobre relevo, drenagem e vulnerabilidade ambiental.

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Polo industrial de Cubatão e importância estratégica

A recuperação ambiental não retirou a importância econômica da cidade.

Dados do IBGE mostram que Cubatão continua com forte participação industrial, apoiada por sua posição logística entre o polo produtivo e o Porto de Santos.

Essa localização explica por que o município segue relevante para cadeias ligadas à petroquímica, siderurgia, fertilizantes e circulação de insumos.

Ao mesmo tempo, o caso local passou a ser observado como exemplo de que atividade industrial pesada e controle ambiental precisam caminhar juntos.

Mais do que uma história sobre passado, Cubatão continua sendo uma referência quando o debate envolve cidades instaladas em áreas ambientalmente sensíveis.

O Polo Industrial de Cubatão é referência para a América Latina | DANIEL VILLAÇA/DIÁRIO DO LITORAL
O Polo Industrial de Cubatão é referência para a América Latina | DANIEL VILLAÇA/DIÁRIO DO LITORAL

O município reúne, no mesmo espaço, Mata Atlântica, encostas, infraestrutura logística e produção industrial de grande escala.

Por isso, a cidade costuma aparecer em pesquisas e documentos públicos como um ponto de encontro entre ciência, território e indústria.

O que aconteceu ali mostra que a relação entre desenvolvimento e meio ambiente não depende apenas de tecnologia, mas também de como cada território reage à ocupação e ao uso intensivo de recursos.

Cubatão permanece, assim, como um dos casos mais conhecidos do país para entender como relevo, clima, urbanização e produção industrial podem se cruzar de forma crítica.

E talvez seja esse o aspecto mais curioso de sua trajetória: a cidade que virou símbolo de poluição também se tornou uma das experiências mais lembradas quando o assunto é recuperação ambiental em área industrial.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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