Túnel Eysturoyartunnilin atinge 189 metros sob o mar e abriga a primeira rotatória submarina do mundo nas Ilhas Faroé.
Em dezembro de 2020, o governo das Ilhas Faroé, território autônomo do Reino da Dinamarca localizado no Atlântico Norte, inaugurou uma das estruturas de engenharia mais incomuns já construídas: o Eysturoyartunnilin, um túnel submarino que não apenas conecta ilhas, mas também abriga a primeira rotatória subaquática do mundo.
Segundo informações oficiais divulgadas por autoridades locais e pelo portal institucional de turismo Visit Faroe Islands, o túnel atinge cerca de 189 metros abaixo do nível do mar em seu ponto mais profundo, tornando-se uma das estruturas rodoviárias submarinas mais profundas do planeta. A obra conecta a capital Tórshavn, na ilha de Streymoy, à ilha de Eysturoy, reduzindo drasticamente o tempo de deslocamento entre regiões que antes dependiam de longos trajetos ou balsas.
O elemento que transformou o projeto em um fenômeno global, no entanto, vai além da profundidade. No coração do túnel, a centenas de metros sob o oceano, foi construída uma rotatória completa, iluminada e funcional, algo que até então não existia em nenhum outro lugar do mundo.
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Por que construir um túnel no fundo do Atlântico Norte
As Ilhas Faroé possuem uma geografia extremamente fragmentada, formada por arquipélagos separados por fiordes profundos e mares agitados. Essa configuração sempre representou um desafio para a mobilidade da população local.
Antes da construção do Eysturoyartunnilin, muitas viagens dependiam de balsas ou de rotas longas contornando as ilhas. Isso aumentava o tempo de deslocamento e tornava o transporte mais vulnerável às condições climáticas severas da região.
A solução adotada pelo governo foi investir em uma rede de túneis submarinos para conectar diretamente as ilhas, criando uma infraestrutura mais eficiente e resiliente.
O Eysturoyartunnilin é parte de um plano mais amplo para transformar completamente a mobilidade no arquipélago, reduzindo distâncias e integrando regiões isoladas.
A rotatória no fundo do mar que virou símbolo da obra
O ponto mais icônico do Eysturoyartunnilin é sua rotatória central, localizada no interior do túnel, a grande profundidade. Essa estrutura permite que os motoristas escolham diferentes direções, conectando múltiplas rotas dentro do sistema subterrâneo.
A rotatória não é apenas funcional, mas também foi projetada com um forte componente visual. No centro, há uma instalação artística iluminada, que transforma o ambiente em uma experiência única para quem passa pelo local.
A iluminação foi cuidadosamente planejada para criar um efeito visual marcante, com cores e formas que remetem à cultura local e à paisagem natural das ilhas. Essa combinação de engenharia e arte transformou uma infraestrutura de transporte em um ponto turístico internacional.
Como foi possível construir a estrutura a 189 metros de profundidade: rotatória iluminada no fundo do Atlântico
Diferente de túneis imersos, como aqueles construídos com blocos submersos, o Eysturoyartunnilin foi escavado diretamente na rocha sob o leito marinho.
Esse método envolve o uso de explosivos controlados e escavação mecânica para abrir galerias no interior da rocha sólida. A escolha dessa técnica é comum em regiões com geologia favorável, como as Ilhas Faroé, onde o substrato rochoso oferece maior estabilidade estrutural.
A escavação exigiu planejamento detalhado para lidar com pressão da água, ventilação, drenagem e segurança estrutural. Sistemas avançados foram instalados para monitorar constantemente o comportamento da estrutura.
Além disso, o túnel foi revestido com concreto e equipado com sistemas de iluminação, ventilação e segurança, garantindo condições adequadas para o tráfego.
Dimensões e características técnicas da rotatória iluminada no fundo do Atlântico
O Eysturoyartunnilin possui cerca de 11,2 quilômetros de extensão total, incluindo suas ramificações. A estrutura é composta por múltiplos túneis que convergem para a rotatória central, criando uma rede subterrânea complexa.
O ponto mais profundo, a 189 metros abaixo do nível do mar, representa um desafio significativo em termos de pressão e engenharia.
O túnel foi projetado para suportar tráfego constante, com faixas adequadas para veículos leves e pesados, além de sistemas de emergência distribuídos ao longo da estrutura.
Impacto direto no tempo de deslocamento no Eysturoyartunnilin
Um dos principais objetivos do projeto foi reduzir o tempo de viagem entre diferentes partes do arquipélago. Antes da construção, trajetos entre Tórshavn e áreas de Eysturoy podiam levar mais de uma hora, dependendo das condições.
Com o túnel, esse tempo foi reduzido para cerca de 15 a 20 minutos, transformando a dinâmica de mobilidade local.
Essa mudança tem impacto direto na qualidade de vida da população, no acesso a serviços e na integração econômica entre as ilhas.
Eysturoyartunnilin: engenharia em um ambiente extremo
Construir um túnel sob o Atlântico Norte envolve desafios que vão além da escavação. A região é conhecida por suas condições climáticas severas, com ventos fortes, águas frias e atividade geológica.
Esses fatores exigiram soluções robustas de engenharia, incluindo sistemas de drenagem para evitar infiltrações e estruturas capazes de suportar pressão constante.
Além disso, o projeto precisou considerar cenários de emergência, com saídas de evacuação, áreas de segurança e monitoramento contínuo. A capacidade de operar com segurança em um ambiente tão extremo é um dos principais méritos da obra.
Um projeto que mistura infraestrutura e identidade cultural
Um dos aspectos mais interessantes do Eysturoyartunnilin é a integração entre engenharia e cultura local. A rotatória iluminada foi concebida não apenas como elemento funcional, mas como expressão artística.
O design interno inclui elementos visuais que fazem referência às paisagens das Ilhas Faroé, criando uma conexão entre o ambiente subterrâneo e a identidade do arquipélago.

Essa abordagem diferencia o projeto de outras obras de infraestrutura, mostrando que engenharia pode também incorporar elementos culturais.
Comparação com outros túneis submarinos
Embora existam túneis submarinos mais longos em outras partes do mundo, o Eysturoyartunnilin se destaca por sua configuração única.
A presença de uma rotatória completa dentro de um túnel subaquático não tem precedentes em projetos anteriores. Isso o coloca em uma categoria própria dentro da engenharia civil. Além disso, sua profundidade e localização em um ambiente isolado reforçam seu caráter singular.
O papel da obra no futuro das Ilhas Faroé
O Eysturoyartunnilin é apenas uma parte de um plano maior de infraestrutura nas Ilhas Faroé. Outros túneis submarinos já foram construídos ou estão em planejamento, com o objetivo de conectar ainda mais o arquipélago.
Essa estratégia visa reduzir a dependência de transporte marítimo e criar uma rede integrada de mobilidade. O resultado é uma transformação estrutural na forma como as ilhas funcionam, aproximando regiões que antes estavam separadas pelo oceano.

Apesar de seus benefícios, o projeto também enfrenta desafios. O custo de construção foi elevado, e a manutenção de uma estrutura dessa complexidade exige investimentos contínuos.
Além disso, o uso intensivo do túnel pode exigir adaptações futuras para lidar com aumento de tráfego. Outro ponto importante é a necessidade de monitoramento constante para garantir a segurança da estrutura ao longo do tempo.
Você atravessaria uma rotatória a quase 200 metros de profundidade no meio do oceano?
O Eysturoyartunnilin representa uma das formas mais criativas e ousadas de engenharia aplicada à mobilidade. Ao transformar o fundo do mar em uma rede viária funcional e visualmente marcante, o projeto redefine o que é possível em termos de infraestrutura.
Diante disso, você acredita que soluções como essa podem se tornar comuns em outras regiões do mundo ou esse tipo de obra continuará sendo algo único?

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