A China inaugurou em Qingdao a primeira usina de energia solar do mundo totalmente instalada sobre a água do mar, segundo a estatal Sinopec. O projeto offshore tem painéis que acompanham as marés, ocupa cerca de 60 mil metros quadrados e deve gerar 16,7 milhões de kWh por ano.
A China colocou em operação uma usina de energia solar totalmente instalada sobre a água do mar, considerada a primeira do mundo com capacidade para uso industrial e geração em larga escala. Instalada em Qingdao, na província de Shandong, a estrutura faz parte do esforço do país para ampliar as fontes renováveis no litoral e reduzir as emissões de carbono.
Desenvolvida pela estatal Sinopec, a usina ocupa cerca de 60 mil metros quadrados e tem capacidade instalada de 7,5 megawatts. O que mais chama atenção no projeto offshore são os painéis solares, que sobem e descem acompanhando o movimento das marés, mantendo-se perto da superfície do oceano para gerar energia solar diretamente sobre o mar.
Como funciona a usina de energia solar sobre o mar

Construída pela Sinopec Qingdao Refining & Chemical, a usina mantém os painéis bem próximos da água, a uma distância cerca de dez vezes menor do que a de sistemas tradicionais fixados por estacas. Essa proximidade aproveita o resfriamento natural da água do mar e, segundo a empresa, aumenta a eficiência de geração de energia solar entre 5% e 8%. O conjunto integra um projeto offshore anterior, baseado em estacas, e juntos formam a maior usina fotovoltaica flutuante já erguida pela Sinopec.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
Os números ajudam a dimensionar a obra. A estrutura tem capacidade de 7,5 megawatts e deve produzir cerca de 16,7 milhões de quilowatts-hora por ano, o suficiente para evitar a emissão de aproximadamente 14 mil toneladas de dióxido de carbono anualmente. Para a China, que busca expandir a geração limpa em áreas costeiras, é uma vitrine tecnológica instalada diretamente em Qingdao.
Os desafios de gerar energia solar na água do mar

Segundo informações divulgadas pelo portal da NSC, operar uma usina sobre o mar significa enfrentar condições extremas: maresia, corrosão, cracas, ondas, ventos fortes e variação das marés. Para vencer esses obstáculos, a Sinopec afirma ter aplicado três inovações principais. A primeira são flutuadores e suportes feitos com materiais resistentes ao sal e ao acúmulo de organismos marinhos, que reduzem a corrosão típica do ambiente salino.
A segunda é um sistema de ancoragem projetado para suportar ventos de até nível 13 e variações de maré de 3,5 metros, o que ajudou a reduzir o custo de investimento em cerca de 10% na comparação com estruturas sobre estacas.
A terceira é um caminho de inspeção de baixo perfil, que corta custos de operação e manutenção. A empresa já planeja ampliar o projeto offshore de Qingdao para 23 megawatts, reforçando sua cadeia de energia solar renovável.
Por que a China aposta na energia solar offshore
A aposta faz sentido para quem lidera o setor. A China é a maior fabricante e consumidora de produtos fotovoltaicos do mundo, e a energia solar já responde por cerca de 30% da capacidade instalada total do país, perto de metade de toda a capacidade registrada no planeta. Em 2020, Pequim fixou a meta de ultrapassar 1,2 bilhão de quilowatts de capacidade instalada de energia eólica e solar até 2030.
Historicamente, os grandes projetos solares se concentravam no oeste chinês, mas as dificuldades de terreno e as longas distâncias de transmissão empurraram a busca por alternativas no litoral e no mar. O governo trata a fotovoltaica como peça das chamadas “novas forças produtivas de qualidade”, modelo de crescimento baseado em tecnologia e modernização industrial defendido por Xi Jinping, que associa o desenvolvimento verde ao desenvolvimento de alta qualidade. Por isso o projeto offshore da Sinopec ganha peso simbólico.
A corrida solar no litoral e a economia marítima
O movimento de Qingdao não está isolado. Em janeiro de 2025, a própria província de Shandong concluiu a maior usina fotovoltaica de unidade única do país em planícies de lama salina-alcalina ao longo da costa, com potencial para gerar cerca de 1,442 bilhão de quilowatts-hora por ano quando estiver plena. A usina sobre o mar, por sua vez, deve ajudar a abastecer futuros projetos de hidrogênio verde da Sinopec.
Ainda assim, vale o equilíbrio. A indústria solar chinesa convive com excesso de capacidade produtiva, o que tem levado empresas e autoridades a priorizar inovação e ganho tecnológico. Especialistas também observam que o desempenho de usinas totalmente sobre o mar ainda será testado em condições severas, como a temporada de tufões, fator decisivo para saber se a energia solar marítima vai mesmo se firmar em larga escala. Por enquanto, a China trata o projeto como um marco da sua transição energética.
Painéis solares que flutuam e sobem com a maré em pleno oceano parecem coisa de ficção, mas já são realidade na China.
Conte nos comentários se você acha que a energia solar sobre o mar é o futuro das renováveis ou se faz mais sentido investir em terra firme.

