O ministro da Defesa, José Múcio, disse que os submarinos da classe Scorpène que a França pretende vender à Argentina poderão ser construídos no Brasil, no complexo de Itaguaí. A operação envolveria financiamento e cooperação industrial e poria o país no centro da recomposição da frota argentina.
Os submarinos da classe Scorpène que a França quer vender à Argentina poderão ser construídos no Brasil. A afirmação é do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que voltou na semana passada de uma visita a Buenos Aires com a missão de avançar nas negociações de venda, financiamento e construção das embarcações.
Se o acordo avançar, o Brasil deixaria de ser apenas comprador da tecnologia francesa para virar uma plataforma regional de produção de submarinos. Do outro lado, a Argentina tenta recompor uma força submarina parada desde o desaparecimento do ARA San Juan, em 2017, tragédia que abalou a Armada do país vizinho.
Submarinos Scorpène construídos no Brasil: como seria
A operação tem uma lógica triangular. O Naval Group, estatal França, é dono de parte do Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, e parceiro do Brasil no programa de submarinos desde 2008. A proposta que surge da articulação franco-brasileira seria construir as embarcações em Itaguaí, aproveitando a infraestrutura já consolidada, em um modelo de cofinanciamento em que o negócio só se fecharia se a produção fosse feita em território brasileiro.
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Segundo Múcio, a Argentina compraria ao menos três submarinos da classe Scorpène. O ministro avalia que o país vizinho tem buscado na Europa e nos Estados Unidos equipamentos que poderia adquirir do Brasil, e que essa é justamente a lógica da chamada diplomacia das Forças Armadas, voltada a aproximar os militares sul-americanos e abrir mercado para a indústria de defesa nacional.
O que é o ProSub e por que o Brasil pode construir

A capacidade brasileira não surgiu do nada. Firmado com a França em 2008, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub) já resultou na construção de quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo, derivados do Scorpène e montados em Itaguaí: Riachuelo, Humaitá, Tonelero e Almirante Karam, este último lançado ao mar no fim do ano passado. O acordo também previu transferência de tecnologia e a base para o futuro submarino de propulsão nuclear, esperado para meados da próxima década.
É essa estrutura que coloca o Brasil em condição de construir para terceiros. A classe Scorpène, projeto da Naval Group, é usada por marinhas de países como Chile, Malásia, Índia e o próprio Brasil, e foi a base da classe Riachuelo. Aproveitar a cadeia já montada em Itaguaí permitiria produzir submarinos para a Argentina sem começar do zero, um salto relevante para a indústria naval militar brasileira.
Argentina sem submarinos desde o ARA San Juan
Segundo informações do blog naval, do lado argentino, a urgência é real. Buenos Aires está sem submarinos operacionais desde 2017, quando o ARA San Juan desapareceu no Atlântico Sul com 44 tripulantes a bordo, episódio que marcou profundamente a Armada e expôs a deterioração de sua força submarina. Recompor essa capacidade virou prioridade, e a solução brasileira traria vantagens logísticas e políticas, como a proximidade geográfica, que reduz custos de treinamento e suporte.
Mas há obstáculos concretos. A Argentina enfrenta restrições orçamentárias severas e precisaria estruturar financiamento de longo prazo para viabilizar a compra. Há também a questão dos prazos: análises da imprensa especializada apontam que Buenos Aires quer receber os submarinos entre 2032 e 2036, janela que pode conflitar com compromissos já assumidos pelo Naval Group, na França. Por isso, a visita de Múcio também serviu para discutir mecanismos de crédito e cooperação.
Além dos submarinos: o KC-390 e o Atlântico Sul
A oferta brasileira não se limita aos submarinos. O Brasil também tenta vender à Argentina o cargueiro militar KC-390 Millennium, da Embraer, aeronave multimissão capaz de fazer transporte tático, evacuação aeromédica, lançamento de carga e tropas e reabastecimento em voo. Segundo Múcio, as conversas sobre o avião começaram tensas, mas terminaram com a possibilidade de Buenos Aires analisar a compra.
Vale a ressalva: por conter componentes britânicos, a aeronave esbarra em barreiras de exportação para a Argentina, herança da disputa pelas Malvinas, e uma eventual adaptação exigiria novos testes e certificações.
No plano geopolítico, a recomposição da força submarina argentina teria peso no Atlântico Sul, região estratégica para os dois países pela proteção de rotas marítimas, pela presença de cabos submarinos, áreas de pesca, exploração offshore e interesses antárticos. Para a base industrial de defesa, fechar negócios em submarinos e aeronaves geraria empregos e ganho de escala. Ainda assim, trata-se de uma negociação em curso, e não de um contrato assinado, com a França como peça-chave ao lado do Brasil e da Argentina.
A ideia de o Brasil construir submarinos Scorpène para a Argentina, com tecnologia da França, pode inaugurar um eixo inédito de cooperação na América do Sul, mas ainda esbarra em orçamento e prazos.
Conte nos comentários se você acha que o país deve mesmo virar polo regional de produção de submarinos ou se há prioridades mais urgentes para a defesa nacional.

Tomara que os EUA não barrem a França de realizar essa venda e que os EUA não mandem o **** do Milei estragar esse acordo entre os três países porquê todos ganham com esse arranjo