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China fura montanha, gasta US$ 3,5 bilhões e inaugura túnel expresso gigante de 22 km em Xinjiang que corta viagem pela metade, enfrenta frio de 40 graus negativos e promete virar atração de estrada mundial

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 28/12/2025 às 12:16 Atualizado em 28/12/2025 às 12:24
A China inaugura o túnel Tianshan Shengli em Xinjiang, símbolo da infraestrutura da China, cortando a viagem pela metade sob frio extremo.
A China inaugura o túnel Tianshan Shengli em Xinjiang, símbolo da infraestrutura da China, cortando a viagem pela metade sob frio extremo.
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Nova megaobra da China em Xinjiang custou US$ 3,5 bilhões, atravessa a cordilheira Tianshan a 3.000 metros de altitude, suporta frio de 40 graus negativos, corta a viagem de 7 horas para 3h30 e promete virar atração mundial para turistas rodoviários de estrada e impulsionar a economia regional de Xinjiang.

Na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, a China colocou em operação o túnel Tianshan Shengli, na região de Xinjiang, conectando duas cidades separadas pela cordilheira Tianshan em uma rota direta pela via expressa Urumqi Yuli. O corredor é apresentado pelas autoridades como o maior túnel rodoviário expresso do mundo, com duas faixas em cada sentido e velocidade máxima de 80 km/h.

A obra, iniciada em abril de 2020 e concluída em janeiro de 2025, consumiu cerca de US$ 3,5 bilhões e exigiu escavações em plena montanha a aproximadamente 3.000 metros de altitude, sob temperaturas que chegavam a 40 graus abaixo de zero. Com 22,1 km de extensão, o túnel reduz um trajeto que antes levava 7 horas, contornando as montanhas, para cerca de 3h30 de viagem, e será totalmente aberto ao público em 1º de janeiro de 2026, depois de uma fase de testes e simulações de tráfego prevista até 31 de dezembro de 2025.

Túnel de 22,1 km muda o mapa rodoviário em Xinjiang

Vista da rodovia Urumqi-Yuli, que atravessa as montanhas Tianshan na região autônoma de Xinjiang Uygur, no noroeste da China

O Tianshan Shengli é o trecho mais complexo da via expressa Urumqi Yuli, planejada para encurtar distâncias internas na província mais a oeste da China e integrar melhor suas cidades e zonas produtivas.

Ao furar a cordilheira Tianshan em linha quase reta, o país elimina curvas, subidas e descidas longas que antes obrigavam motoristas a fazer um desvio de horas.

Segundo autoridades regionais, a nova rota deve reduzir custos logísticos, encurtar o tempo de viagem para caminhões e ônibus e ampliar a circulação de pessoas entre as duas cidades ligadas pelo túnel.

Na prática, a China ganha uma espécie de atalho permanente dentro de Xinjiang, pensado tanto para transporte de cargas quanto para o fluxo de turismo interno e internacional.

Obra bilionária em 52 meses e 3.000 trabalhadores

A construção do túnel Tianshan Shengli começou em abril de 2020, em plena pandemia, com previsão inicial de cerca de 72 meses de trabalho usando métodos convencionais de engenharia.

Com novas técnicas e organização de canteiro, os construtores conseguiram encurtar o cronograma para 52 meses, entregando a estrutura principal em janeiro de 2025.

Cerca de 3.000 trabalhadores participaram da obra ao longo de todo o período, em turnos contínuos. Máquinas de escavação, sistemas de ventilação e equipamentos pesados foram levados até a altura de 3.000 metros, onde o ar é mais rarefeito e as condições de trabalho são mais difíceis.

Para as autoridades de Xinjiang, o túnel se tornou um símbolo da capacidade da China de acelerar projetos de infraestrutura complexos em áreas remotas.

Frio de 40 graus negativos e 3.000 metros de altitude

Um dos pontos mais destacados pelo governo regional é o desafio climático. A obra foi feita em uma zona montanhosa em que o termômetro pode chegar a 40 graus negativos, com neve intensa e vento forte durante boa parte do inverno.

Essas condições exigiram cuidados extras com segurança, eletricidade, material de construção e deslocamento das equipes.

Trabalhar a cerca de 3.000 metros de altitude também aumentou o risco de fadiga e problemas de saúde para os operários.

Por isso, a China adotou esquemas especiais de alojamento, transporte e pausas, além de sistemas de monitoramento dentro das frentes de escavação.

A operação definitiva do túnel inclui ventilação robusta, iluminação contínua e sistemas de emergência, com o objetivo de garantir que motoristas consigam cruzar os 22,1 km com o máximo de segurança possível.

China disputa vitrine de megaobras com outros túneis do mundo

Embora seja apresentado como o maior túnel rodoviário expresso do mundo, o Tianshan Shengli não é o mais longo túnel rodoviário já construído.

Esse título continua com o túnel de Lærdal, na Noruega, inaugurado em 2000, que tem 24,5 km de extensão e também limite de velocidade de 80 km/h. A diferença é que o trecho chinês faz parte de uma via expressa de alto padrão, voltada para grandes fluxos de veículos.

Com o novo túnel, a China reforça a estratégia de usar megaobras de infraestrutura para integrar regiões remotas e, ao mesmo tempo, construir novos cartões-postais rodoviários para o país.

A expectativa é que a travessia do Tianshan Shengli, combinando alta engenharia, cenário de montanha e tecnologia, se transforme em uma atração de estrada mundial, chamando motoristas, turistas e influenciadores de viagem interessados em registrar a experiência de cruzar 22,1 km por dentro de uma montanha em Xinjiang.

Você encararia dirigir por mais de 22 quilômetros dentro desse túnel na China em pleno inverno de 40 graus negativos?

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Alain Marcoux
Alain Marcoux
28/12/2025 22:31

I don’t understand taking 3.5 hours to drive 22 km at 80km/h ,I did not read well or the travel is longer between the 2 cities .Good work.😁

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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