Torre marítima recorde, tabuleiro de 68 metros e uso combinado para trens e veículos colocam a ponte Xihoumen entre as obras de transporte mais complexas da China, em uma região insular ligada a portos, indústria e corredores estratégicos do leste do país.
A China concluiu a torre principal número 5 da ponte rodoferroviária Xihoumen, em Zhoushan, no leste do país, e avançou em uma das etapas mais complexas da ligação que vai integrar trem e rodovia sobre o canal de Xihoumen.
A estrutura alcançou 294 metros de altura, marca comparada pela agência estatal Xinhua a um edifício de aproximadamente 100 andares.
A obra faz parte da ferrovia Ningbo-Zhoushan e também será compartilhada pela via expressa Ningbo-Zhoushan, formando uma travessia marítima de uso combinado em uma região insular de grande importância logística.
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Segundo a Xinhua, a torre concluída estabeleceu um recorde mundial como a mais alta já construída no mar para uma ponte.
Ponte Xihoumen liga ilhas em área estratégica de Zhejiang
A ponte Xihoumen está em construção na cidade de Zhoushan, arquipélago costeiro situado na província de Zhejiang, em uma zona conectada às rotas industriais e portuárias do leste chinês.
A estrutura cruza o canal de Xihoumen e integra o projeto ferroviário que busca ampliar o acesso entre áreas insulares e o continente.
O empreendimento foi planejado para atender simultaneamente trens e veículos, uma solução usada quando a infraestrutura precisa concentrar diferentes fluxos de transporte em uma mesma ligação.

Em regiões formadas por ilhas, esse tipo de projeto reduz a necessidade de travessias separadas e facilita a organização dos acessos terrestres.
A ponte terá vão principal de 1.488 metros, largura de 68 metros e extensão total de 3.118 metros, conforme dados divulgados pelo China Daily em maio de 2025.
O veículo estatal chinês classificou a estrutura como a ponte rodoferroviária mais larga do mundo, considerando o uso conjunto para tráfego rodoviário e ferroviário.
Torre de 294 metros sustenta avanço da obra no mar
Em pontes suspensas ou com sistemas combinados de sustentação, as torres principais são peças essenciais para distribuir os esforços do tabuleiro e dos cabos.
Elas ajudam a transferir parte das cargas para as fundações, permitindo vencer longos trechos sobre a água com menos apoios intermediários.
No caso da Xihoumen, a altura da torre número 5 mostra a escala do desafio técnico.
A construção ocorre em ambiente marítimo, sujeito a vento, umidade, salinidade e operação constante de embarcações, fatores que aumentam a complexidade do canteiro e exigem controle rigoroso de montagem.
A Xinhua informou que a torre número 5 foi a primeira do tipo a ser concluída em toda a linha ferroviária Ningbo-Zhoushan.
Essa etapa abre caminho para fases superiores da ponte, como preparação dos cabos, montagem de estruturas metálicas e integração do tabuleiro que receberá o tráfego previsto.
Tabuleiro de 68 metros exige estabilidade reforçada
A largura do tabuleiro é um dos pontos que diferenciam a ponte Xihoumen de outras travessias marítimas.
Com 68 metros, a estrutura precisa acomodar faixas rodoviárias e linhas ferroviárias, que impõem cargas, velocidades e padrões de vibração diferentes ao mesmo sistema.

O China Daily informou que o projeto usa um desenho de tabuleiro combinado para rodovia e ferrovia, com três vigas-caixão de aço separadas e conectadas em uma configuração semelhante a uma escada.
A solução foi adotada para aumentar a resistência ao vento, especialmente em uma região sujeita à influência de tufões.
Essa preocupação não é apenas estrutural, mas operacional.
Em pontes de grande vão, o vento pode afetar o comportamento do tabuleiro, provocar oscilações e exigir soluções aerodinâmicas capazes de manter a travessia estável durante sua vida útil.
A estrutura também precisa resistir ao peso permanente dos próprios componentes, ao deslocamento de trens, ao tráfego de veículos e às variações ambientais.
Por isso, a engenharia da ponte envolve fundações, torres, cabos e tabuleiro trabalhando de forma integrada, e não apenas o trecho suspenso visível sobre o mar.
Nova ponte Xihoumen não é a travessia rodoviária já existente
A ponte rodoferroviária Xihoumen não deve ser confundida com a ponte rodoviária de mesmo nome já existente na região.
A estrutura anterior integra a ligação rodoviária do arquipélago de Zhoushan, enquanto a nova obra pertence ao projeto da ferrovia Ningbo-Zhoushan e foi concebida para ampliar a capacidade de transporte entre ilhas.
Essa distinção é relevante porque Zhoushan já conta com uma rede de travessias marítimas, pontes e acessos voltados a diferentes funções logísticas.
A nova ponte adiciona a essa malha uma conexão capaz de receber trens e veículos no mesmo corredor, reforçando a integração regional.
A região ocupa posição estratégica no litoral chinês por reunir ilhas, áreas portuárias e cadeias industriais próximas ao delta do rio Yangtzé.
A ampliação das ligações terrestres e ferroviárias tende a reduzir limitações de deslocamento impostas pela geografia insular, sobretudo em trechos dependentes de conexões marítimas.
Megainfraestrutura chinesa reúne ferrovia, rodovia e logística
A ponte Xihoumen reúne números que explicam a repercussão internacional da obra: uma torre de quase 300 metros erguida no mar, vão principal próximo de 1,5 quilômetro, tabuleiro de 68 metros e uso combinado para ferrovia e rodovia.
Antes da abertura ao tráfego, porém, o avanço mais importante ocorre em etapas pouco visíveis para os futuros usuários.
Fundações, torres, cabos, estruturas metálicas e sistemas de estabilização definem a segurança da travessia muito antes de trilhos e pistas passarem a receber passageiros e cargas.
A construção também mostra como projetos marítimos dependem de soluções específicas para enfrentar corrosão, vento, movimentação de cargas pesadas e logística de montagem sobre a água.
Cada uma dessas etapas interfere diretamente na durabilidade e na operação de uma ponte planejada para funcionar em ambiente costeiro severo.
Quando concluída, a ponte Xihoumen deverá ampliar a capacidade de conexão entre ilhas de Zhoushan e a rede de transporte do leste da China, dentro de um corredor que combina função ferroviária, rodoviária e logística.
A torre número 5, já finalizada, tornou-se o marco mais visível de uma obra que ainda depende da integração de seus sistemas principais para entrar em operação.


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