CATL entregou 661 GWh em baterias em 2025, liderou o mercado global pela oitava vez seguida e ampliou vantagem sobre BYD, LG e Panasonic.
Segundo a Battery-Tech Network, a Contemporary Amperex Technology Co. Limited, CATL, publicou em março de 2026 seu relatório anual de 2025 com números sem precedente na indústria de baterias: receita de 423,7 bilhões de yuan, lucro líquido de 72,2 bilhões de yuan, crescimento de 42% em relação a 2024, 772 GWh de capacidade de produção e 661 GWh de baterias de íon-lítio entregues. A participação global da CATL chegou a 39,2% em baterias para veículos de passeio e 30,4% em sistemas de armazenamento de energia. Foi a oitava vez consecutiva que a empresa liderou o mercado mundial de baterias para veículos elétricos, consolidando uma posição que nenhuma concorrente alcançou em escala semelhante.
Para dimensionar o número, os 661 GWh entregues pela CATL representam mais que o dobro da produção da segunda colocada, a BYD, com 194,8 GWh. A LG Energy Solution, terceira colocada e principal fabricante fora da China, produziu menos de um terço do volume entregue pela CATL.
CATL lidera o mercado global de baterias para carros elétricos com 661 GWh entregues
A CATL é hoje a única empresa com participação de mercado acima de 20% em um setor no qual o segundo colocado tem 16%. Essa diferença mostra que a liderança da fabricante chinesa não é apenas pontual, mas estrutural.
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Mais da metade dos carros elétricos vendidos no mundo em 2025 usa baterias que saíram de uma das fábricas da CATL. A lista inclui modelos da Tesla fabricados em Xangai, veículos da BMW produzidos na Europa e carros da Toyota fabricados no Japão.

Esse domínio coloca a CATL no centro da transição energética global. A empresa não vende carros ao consumidor final, mas controla o componente mais caro, estratégico e decisivo de qualquer veículo elétrico: a bateria.
Robin Zeng criou a CATL depois de fabricar baterias para o iPod da Apple
A CATL foi fundada em dezembro de 2011 por Robin Zeng Yuqun, em Ningde, cidade portuária da província de Fujian, no sudeste da China. Antes disso, Zeng havia cofundado a ATL, Amperex Technology Limited, fornecedora de baterias para o iPod da Apple no início dos anos 2000.
A conexão com a Apple foi decisiva. Ao fabricar baterias para um dos eletrônicos mais exigentes da época, a equipe de Zeng desenvolveu processos de controle de qualidade, densidade energética, segurança e vida útil que depois migrariam para o setor automotivo.
A disciplina industrial exigida pela Apple, com baixa tolerância a falhas e consistência lote a lote, tornou-se base para a entrada da CATL em baterias de carros elétricos. Em veículos, uma falha de bateria pode significar incêndio, recall e perda de confiança de montadoras globais.
De Ningde à bolsa de Shenzhen, a CATL virou gigante da cadeia de veículos elétricos
Em 2018, a CATL abriu capital na bolsa de Shenzhen com avaliação de US$ 12,3 bilhões. Em maio de 2025, completou uma listagem secundária em Hong Kong, levantando HK$ 41 bilhões, cerca de US$ 5,2 bilhões, na maior IPO global daquele ano.
Em apenas 14 anos, Robin Zeng transformou uma empresa nascida em uma cidade pouco conhecida fora da China na fabricante mais importante da cadeia de valor do carro elétrico. A bateria passou a definir custo, autonomia, desempenho, tempo de recarga e competitividade de cada modelo elétrico.
A Tesla entendeu a importância dos carros elétricos antes da maioria das montadoras tradicionais. A CATL entendeu outro ponto: quem dominasse as baterias poderia fornecer para quase todas as montadoras ao mesmo tempo, inclusive para empresas que competem entre si.
Capacidade de 772 GWh da CATL equivale a milhões de carros elétricos por ano
A capacidade de produção de 772 GWh da CATL exige contexto. Um gigawatt-hora equivale a 1 bilhão de watt-hora, enquanto a bateria de um carro elétrico compacto como o BYD Dolphin tem cerca de 44 kWh.
Com 772 GWh de capacidade anual, a CATL poderia produzir baterias suficientes para aproximadamente 17,5 milhões de carros elétricos compactos. Esse volume supera o total de carros elétricos vendidos no mundo em 2024.
A taxa de utilização de 96,9% também impressiona. Fábricas industriais geralmente operam entre 80% e 85% da capacidade para manter margem de manutenção e flexibilidade operacional. A CATL opera quase no limite máximo, com linhas produtivas praticamente sempre ativas.
CATL opera 15 fábricas de baterias e avança na Europa com Alemanha e Hungria
A CATL opera 15 plantas de fabricação de baterias ao redor do mundo. Na China, as principais instalações ficam em Ningde, Liyang, Changzhou, Xangai, Zhaoqing, Xiamen e Jining.
No exterior, a empresa tem a fábrica de Erfurt, na Alemanha, que iniciou produção em massa em 2024 e se tornou lucrativa no mesmo ano. Também está construindo uma planta de 100 GWh em Debrecen, na Hungria, com investimento de € 7,3 bilhões e produção plena prevista para 2026.
A expansão europeia é estratégica porque aproxima a CATL de clientes como BMW, Volkswagen e Mercedes-Benz. Produzir baterias na Europa reduz riscos logísticos, atende exigências locais e fortalece a presença da empresa fora da China.
Fábrica de Yibin virou a primeira planta de baterias zero carbono do mundo
A fábrica de Yibin, em Sichuan, é um dos ativos mais importantes da CATL. Segundo o texto-base, ela é considerada a primeira fábrica de baterias zero carbono do mundo, operando 100% com energia renovável de hidrelétricas e solar.

Isso reduz a pegada de carbono do ciclo de vida das baterias produzidas no local. Em um setor que vende a eletrificação como solução climática, a origem da energia usada na fabricação também se torna parte da conta ambiental.
A planta de Jining, em Shandong, é outra expansão relevante. Com 60 GWh na fase 1 e previsão de ultrapassar 100 GWh em 2026, ela deve se tornar uma das maiores unidades da CATL voltadas a armazenamento de energia.
Baterias Shenxing, Qilin e íon-sódio sustentam a vantagem tecnológica da CATL
A liderança da CATL não depende apenas de escala. A empresa mantém vantagem tecnológica em várias frentes, incluindo baterias LFP, NCM, Qilin, Shenxing e íon-sódio.
A bateria Shenxing é uma das principais apostas em carregamento rápido, com promessa de ir de 10% a 80% em 10 minutos em produção comercial. Já a Qilin, também chamada CTP 3.0, usa arquitetura célula-para-pacote, eliminando módulos intermediários e aumentando a densidade de energia.
Em 2025, a CATL iniciou a comercialização de baterias de íon-sódio, que usam sódio no lugar do lítio como portador de carga. Elas têm menor densidade energética, mas custo de matéria-prima mais baixo e melhor desempenho em temperaturas abaixo de zero.
Baterias de sódio podem reduzir dependência de lítio, cobalto e níquel
As baterias de íon-sódio são estratégicas porque reduzem a dependência de minerais críticos como lítio, cobalto e níquel. Esses insumos concentram riscos geopolíticos, ambientais e de preço.
Embora tenham densidade menor, as baterias de sódio podem atender veículos urbanos, sistemas estacionários e mercados onde custo, segurança e desempenho em frio pesam mais do que autonomia máxima. Essa diversificação protege a CATL contra mudanças bruscas no mercado de matérias-primas.

A estratégia da empresa é clara: não depender de uma única química. Ao produzir várias tecnologias em escala, a CATL reduz o risco de obsolescência e mantém posição dominante mesmo se o mercado migrar para novas formulações.
Tesla, BMW, Volkswagen, Toyota e Ford dependem de baterias da CATL
Um dos paradoxos do mercado global é que muitas montadoras que tentam reduzir dependência da CATL continuam comprando baterias da empresa. A Tesla usa baterias CATL nos Model 3 e Model Y fabricados em Xangai para mercados asiáticos e europeus.
A BMW utiliza baterias CATL em sua linha elétrica europeia, incluindo modelos como i4 e iX. A Volkswagen usa CATL em veículos da família ID, enquanto Toyota e Ford também mantêm contratos de fornecimento.
Todas essas empresas investem em baterias próprias ou em contratos com LG, Panasonic e outros fornecedores. Mesmo assim, continuam comprando da CATL porque nenhuma concorrente entrega o mesmo volume, custo, velocidade e consistência industrial.
Escala industrial chinesa virou vantagem difícil de replicar para concorrentes ocidentais
Robin Zeng resumiu a vantagem da CATL ao afirmar que ela não está em um produto específico, mas no conjunto formado por tecnologia, escala, velocidade de desenvolvimento e custo de produção. Essa combinação é difícil de replicar fora da China.
O ecossistema chinês concentra fornecedores de materiais, equipamentos, mão de obra especializada, infraestrutura logística e demanda interna gigantesca por veículos elétricos. Isso permite reduzir custos, acelerar ciclos de desenvolvimento e escalar produtos rapidamente.
Concorrentes como LG Energy Solution, Panasonic e Samsung SDI seguem relevantes, mas operam em um ambiente fragmentado e com menor integração de cadeia. A vantagem da CATL está menos em uma única bateria e mais na máquina industrial completa que produz milhões delas.
Da bateria do iPod ao componente mais estratégico da transição energética
Em 2011, quando Robin Zeng fundou a CATL, o mercado global de baterias para veículos elétricos era inferior a 20 GWh anuais. Em 2025, a CATL sozinha entregou 661 GWh, volume 33 vezes maior que todo o mercado global de 2011.
Esse crescimento reflete uma aposta precisa: os veículos elétricos dominariam o transporte pessoal em décadas, não em séculos. Zeng não apostou em fabricar carros, mas em produzir o componente que todas as montadoras precisariam comprar.
O lítio usado pela CATL vem principalmente de países como Austrália, Chile e Argentina. O cobalto tem forte ligação com a República Democrática do Congo, enquanto manganês, fósforo e outros insumos vêm de múltiplas cadeias globais.
CATL controla a peça que define custo, autonomia e desempenho do carro elétrico
A transformação dessas matérias-primas em baterias confiáveis, entregues para dezenas de países, é o núcleo da força da CATL. O processo acontece em fábricas que operam em alta utilização, com escala maior que qualquer concorrente direta.
A bateria define quase tudo em um carro elétrico: preço, autonomia, velocidade de recarga, peso, segurança, durabilidade e valor de revenda. Por isso, a empresa que domina essa cadeia ocupa uma posição equivalente à de fornecedoras estratégicas de motores no antigo mundo dos carros a combustão.
A CATL não existia quando o iPhone foi lançado. Menos de duas décadas depois, tornou-se fornecedora central de Tesla, BMW, Volkswagen, Toyota, Ford e outras gigantes. A empresa chinesa saiu das baterias de eletrônicos portáteis para comandar o componente mais estratégico da mobilidade elétrica global.


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