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A “Calçada dos Gigantes” guarda mais de 40 mil colunas de basalto que parecem encaixadas por mãos humanas, mas nasceram de erupções vulcânicas violentas há cerca de 60 milhões de anos e transformaram a costa da Irlanda do Norte em uma das paisagens mais surreais já vistas na Terra

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 28/05/2026 às 16:43
Atualizado em 28/05/2026 às 16:57
Assista o vídeoFormação com mais de 40 mil colunas de basalto na Irlanda do Norte surgiu há cerca de 60 milhões de anos e intriga cientistas até hoje.
Calçada dos Gigantes
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Formação com mais de 40 mil colunas de basalto na Irlanda do Norte surgiu há cerca de 60 milhões de anos e intriga cientistas até hoje.

A costa do Condado de Antrim, na Irlanda do Norte, abriga uma formação geológica tão perfeita que durante séculos muita gente acreditou que ela havia sido construída artificialmente. Conhecida como Calçada dos Gigantes, a estrutura reúne mais de 40 mil colunas prismáticas de basalto encaixadas lado a lado, formando uma espécie de estrada de pedra que avança em direção ao oceano Atlântico. A paisagem é considerada uma das formações vulcânicas mais impressionantes do planeta e foi reconhecida pela UNESCO em 1986 como Patrimônio Mundial.

Vista de perto, a formação parece impossível. As colunas possuem principalmente formatos hexagonais extremamente regulares, embora algumas tenham cinco, sete, oito ou até nove lados. Muitas delas surgem como degraus gigantescos à beira-mar, enquanto outras alcançam vários metros de altura nos penhascos costeiros. Em certos pontos, as estruturas lembram ruas pavimentadas, órgãos de igreja gigantes ou pilares artificiais perfeitamente alinhados.

Como erupções vulcânicas criaram uma das formações rochosas mais perfeitas já vistas na natureza

A origem da Calçada dos Gigantes remonta ao período Paleoceno, há aproximadamente 50 a 60 milhões de anos, quando intensas atividades vulcânicas atingiram a região hoje ocupada pela Irlanda do Norte. Grandes volumes de lava basáltica extremamente quente se espalharam pela superfície e preencheram áreas inteiras com camadas espessas de magma.

Quando essa massa começou a esfriar lentamente, ocorreu um processo geológico conhecido como disjunção colunar ou juntamento colunar.

Formação com mais de 40 mil colunas de basalto na Irlanda do Norte surgiu há cerca de 60 milhões de anos e intriga cientistas até hoje.
Calçada dos Gigantes

A lava passou a se contrair durante o resfriamento, criando tensões internas que geraram rachaduras geométricas extremamente regulares. Essas fissuras avançaram verticalmente pela rocha até formar os famosos pilares prismáticos observados atualmente.

Segundo explicações geológicas citadas por pesquisadores e instituições científicas, o formato hexagonal não surgiu por acaso.

A geometria de seis lados é uma das formas mais eficientes de dissipar tensões de contração em materiais que esfriam lentamente. O mesmo princípio pode ser observado em rachaduras de lama seca, mas em escala colossal na Calçada dos Gigantes.

As colunas parecem artificiais porque a natureza criou padrões quase matemáticos no basalto

O aspecto mais impressionante da Calçada dos Gigantes é o nível de regularidade das colunas. Muitas delas possuem lados quase perfeitos, superfícies planas e encaixes extremamente precisos. Isso criou durante séculos a impressão de que a estrutura teria sido esculpida manualmente.

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Algumas colunas alcançam cerca de 12 metros de altura, enquanto outras formam plataformas horizontais próximas ao mar. Em muitos trechos, os pilares lembram favos de mel gigantes petrificados pela ação do tempo. O resultado visual é tão incomum que a formação virou objeto de estudos geológicos, lendas locais, obras de arte e produções cinematográficas.

Os cientistas explicam que a espessura do fluxo de lava e a velocidade do resfriamento influenciaram diretamente o tamanho das colunas. Quanto mais uniforme e lento foi o resfriamento, mais regulares ficaram as estruturas basálticas.

A lenda do gigante Finn McCool transformou a formação em um dos maiores mitos da Irlanda

Muito antes da explicação científica, os habitantes da região criaram uma narrativa lendária para explicar a existência da calçada. Segundo o folclore irlandês, o gigante Finn McCool teria construído a estrada de pedra para atravessar o mar e enfrentar um rival escocês chamado Benandonner.

A história afirma que Finn criou a passagem usando enormes blocos de pedra para ligar a Irlanda à Escócia. Porém, ao perceber que o rival era muito maior do que ele, acabou sendo escondido pela esposa, que o disfarçou de bebê.

Quando Benandonner viu o “bebê”, imaginou que o pai da criança seria gigantesco e fugiu aterrorizado de volta para a Escócia, destruindo a estrada atrás de si.

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Curiosamente, existe na ilha escocesa de Staffa uma formação basáltica semelhante à Calçada dos Gigantes. Essa coincidência ajudou a fortalecer ainda mais a antiga lenda sobre uma conexão entre os dois territórios.

A formação inspirou arquitetos, músicos e pesquisadores em diferentes partes do mundo

As colunas basálticas da Calçada dos Gigantes se tornaram referência para estudos geológicos sobre resfriamento de magma e formação de rochas vulcânicas. Estruturas semelhantes aparecem em locais como Islândia, Escócia, Califórnia e até em imagens de Marte registradas por missões espaciais.

Na Islândia, por exemplo, a cachoeira Svartifoss ficou famosa por suas colunas negras semelhantes às da Irlanda do Norte. Já nos Açores, a formação conhecida como Rocha dos Bordões apresenta enormes pilares prismáticos vulcânicos comparáveis aos da Calçada dos Gigantes.

O visual geométrico das colunas também influenciou projetos arquitetônicos modernos. Segundo registros sobre a Svartifoss, estruturas de basalto semelhantes inspiraram construções famosas da Islândia, incluindo a igreja Hallgrímskirkja, em Reykjavik.

Mesmo após séculos de pesquisa, a Calçada dos Gigantes ainda gera novas descobertas científicas

Apesar de ser estudada há centenas de anos, a Calçada dos Gigantes ainda desperta debates científicos. Em 2021, um estudo do geólogo Michael J. Simms propôs uma nova hipótese para a formação do local, sugerindo que a lava pode ter ocupado rapidamente uma área que afundou pouco antes da erupção vulcânica.

Formação com mais de 40 mil colunas de basalto na Irlanda do Norte surgiu há cerca de 60 milhões de anos e intriga cientistas até hoje.
Calçada dos Gigantes

Segundo a pesquisa citada pela CNN Brasil em junho de 2025, essa subsidência teria ocorrido tão rapidamente que sedimentos e erosão não tiveram tempo suficiente para modificar a região antes do preenchimento por lava basáltica. Isso teria permitido a formação de uma camada extremamente espessa de basalto, favorecendo a criação das colunas gigantes observadas atualmente.

O caso mostra como uma paisagem aparentemente conhecida ainda pode revelar novas interpretações geológicas mesmo após séculos de observação científica.

A Calçada dos Gigantes continua parecendo uma construção impossível mesmo depois da explicação científica

A ciência conseguiu explicar como lava vulcânica pode se transformar em pilares geométricos quase perfeitos, mas isso não reduziu o impacto visual da Calçada dos Gigantes.

O local continua parecendo artificial para muitos visitantes, especialmente quando visto do alto dos penhascos da costa irlandesa.

Entre mitos de gigantes, erupções vulcânicas antigas e padrões naturais que lembram engenharia humana, a formação permanece como uma das paisagens geológicas mais extraordinárias do planeta.

E talvez esse seja justamente o motivo pelo qual ela continua intrigando turistas, pesquisadores e curiosos em pleno século XXI.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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