Tem 920 metros, um desenho que parece saído de filme e foi uma das últimas ideias de Zaha Hadid antes de ela morrer, em 2016. Só repare na categoria exata do recorde, porque ela não é a maior ponte do planeta, e muita manchete por aí vai errar isso feio.
A ponte é a Danjiang, no norte de Taiwan, e abriu ao tráfego em 12 de maio de 2026, encerrando uma das obras mais comentadas da engenharia recente. Quem assina o projeto é o escritório da arquiteta britânica de origem iraquiana Zaha Hadid, vencedor de um concurso internacional em 2015, como mostrou o portal Olhar Digital.
Segundo a publicação especializada Global Construction Review, em maio de 2026, a estrutura cravou o título de maior ponte estaiada de torre única e assimétrica do mundo, com um vão central de 450 metros e um mastro de concreto de 200 metros de altura. A ponte em Taiwan levou quase trinta anos entre a primeira proposta e a inauguração.
Um único mastro segurando quase um quilômetro de ponte

Em vez de vários pilares fincados no leito do rio, ela aposta em uma só torre central, esbelta, da qual os cabos saem de forma assimétrica para sustentar o tabuleiro. São 920 metros de comprimento no total, com o trecho mais longo chegando a 450 metros de um lado do mastro.
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Essa torre única não é capricho estético, é solução de engenharia. Posicionar um mastro só, no lugar certo, mantém o rio navegável, reduz o impacto no ecossistema do estuário e, detalhe simpático, evita atrapalhar a vista do pôr do sol no rio Tamsui, um programa famoso entre moradores e turistas da região. A ponte em Taiwan também foi projetada para aguentar tufões e terremotos, com um sistema de amortecimento sísmico apontado como o primeiro do tipo no país.
A assinatura de Zaha Hadid, que não viu a obra de pé

Zaha Hadid ganhou o concurso para projetar a ponte em 2015 e morreu no ano seguinte, em 2016, aos 65 anos. Ela era conhecida no mundo todo pelas formas fluidas e futuristas, que renderam museus, aeroportos e arranha-céus de tirar o fôlego, e a Danjiang foi uma das últimas criações que levam a assinatura dela.
Ou seja, a arquiteta sonhou a estrutura, venceu a disputa e partiu antes de ver um único cabo no lugar. Quem terminou foi o escritório que leva o nome dela, a Zaha Hadid Architects, transformando o desenho em concreto e aço uma década depois. É a obra dela ganhando vida sem ela por perto.
De que recorde a gente está falando
Vale entender o tamanho certo dela. A Danjiang não é a maior ponte do mundo, nem perto disso, já que as campeãs absolutas de comprimento têm dezenas de quilômetros. O recorde dela é mais preciso e igualmente impressionante: é a maior ponte estaiada de torre única e assimétrica do mundo. O mérito está justamente nessa torre única, porque sustentar um vão desse tamanho com um mastro só é o que coloca a obra no topo dessa categoria.
Vale separar dois termos que parecem a mesma coisa, mas não são: a Danjiang é uma ponte estaiada, não uma ponte suspensa. Na estaiada, os cabos ligam o tabuleiro direto à torre, em linhas retas e inclinadas. Na suspensa, a pista fica pendurada a partir de grandes cabos curvos. A maior ponte estaiada de torre única do mundo entra, então, na primeira família.
Para que serve, além de impressionar
Beleza não paga conta, e a Danjiang também tem função prática. Ela liga os distritos de Tamsui e Bali, em Nova Taipé, e deve encurtar esse trajeto em cerca de 15 quilômetros, economizando uns 25 minutos de quem cruza a região. De quebra, alivia em torno de 30 por cento o tráfego da ponte Guandu, alguns quilômetros rio acima, e melhora o acesso ao aeroporto internacional de Taoyuan e ao porto de Taipé.
A obra ainda tem faixas para pedestres e ciclistas e deixou espaço reservado para uma futura linha de trem leve. Depois de quase três décadas de promessa, atrasos e uma pandemia no meio do caminho, a ponte saiu do papel. Para uma ideia que ficou dez anos órfã da própria criadora, não é um jeito ruim de finalmente ficar de pé.


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