Conheça o avanço da ciência brasileira que desenvolveu uma lente intraocular para cirurgia de catarata, ampliando a qualidade da visão com alta precisão.
Uma inovação revolucionária promete transformar a saúde ocular global e marcar a ciência brasileira. O pesquisador brasileiro João Marcelo Lyra, professor da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), desenvolveu a Galaxy, a primeira lente do mundo com design óptico em espiral.
Segundo publicação da Época Negócios no dia 30 de junho de 2026, o dispositivo é um salto qualitativo na cirurgia de catarata, pois oferece visão nítida em múltiplas distâncias — incluindo o campo intermediário para uso de smartphones — e reduz halos noturnos e perda de contraste.
A catarata afeta milhões de pessoas e, no Brasil, atinge proporções severas. Dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) apontam 550 mil novos casos anuais no país. A doença opacifica o cristalino, a lente natural do olho, comprometendo a visão de forma gradual. A única solução definitiva é substituir essa estrutura por uma lente intraocular artificial. Com o lançamento da Galaxy, a ciência brasileira pode solucionar as principais queixas dos pacientes operados: o desconforto visual e a dependência de óculos.
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O impacto da opacificação ocular na população com catarata
A perda de transparência do cristalino faz com que o indivíduo enxergue de forma enevoada e borrada. O surgimento de mais de meio milhão de novos casos a cada ano sobrecarrega os sistemas de saúde e exige soluções na área da oftalmologia.
Historicamente, o tratamento padrão é a cirurgia de catarata, um procedimento seguro e de rápida recuperação. No entanto, os implantes tradicionais enfrentavam um dilema. Muitos pacientes operados queixavam-se de efeitos colaterais ópticos, como a formação de círculos brilhantes ao redor de luzes e a queda na percepção de contraste, o que dificulta tarefas como dirigir à noite.
A união entre inteligência artificial e física óptica
Incomodado com essas limitações, Lyra liderou um grupo interdisciplinar com especialistas em física óptica, computação e medicina. O projeto contou com o suporte do Brazilian Artificial Intelligent Networking Medicine (Brain), um grupo de pesquisa vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
A grande virada tecnológica foi substituir o sistema difrativo convencional por um mecanismo refrativo com arquitetura em espiral. Segundo a fonte, utilizando um software de traçado de raio impulsionado por inteligência artificial, os cientistas suavizaram a distribuição da luz que entra no olho. Segundo o criador do dispositivo, a popularização dos smartphones e as exigências pós-pandemia por mais qualidade visual ditaram a necessidade de focar na visão intermediária.
Resultados clínicos da nova lente intraocular contra a catarata
Segundo publicação da própria UNCISAL, os testes em seres humanos ocorreram em 2022 na Fundação João Carlos Lyra, em Maceió, onde 15 pacientes receberam o implante. Os dados coletados confirmaram que a engenharia óptica em espiral superou os índices das lentes trifocais importadas disponíveis no mercado.
A eficácia do dispositivo foi comprovada por métricas específicas:
- Foco contínuo: visão nítida em distâncias que variam de 35 cm a 70 cm;
- Conforto noturno: redução de 50% a 60% na presença de halos em comparação às lentes trifocais;
- Nível de contraste: alcance de 94% de sensibilidade, superando a taxa de 80% dos modelos tradicionais.
Esses parâmetros de alta precisão consolidaram o projeto, provando que o país tem capacidade técnica para liderar a inovação médica global e redefinir o bem-estar de quem sofre com a catarata.

Janela de acesso e critérios para o implante
No Brasil, a tecnologia está disponível no mercado desde 2025. A UNCISAL afirma que o balanço global aponta quase 100 mil implantes realizados no mundo, sendo cerca de 10 mil em território nacional. Porém, o acesso à inovação está restrito à rede de medicina privada.
A inserção do dispositivo no sistema público é inviável atualmente devido ao baixo valor de reembolso que o Sistema Único de Saúde (SUS) repassa para o procedimento cirúrgico, montante que não cobre os custos do material. Além de pacientes com catarata, o tratamento é recomendado para pessoas acima de 55 anos com dependência de óculos com grau superior a 1,5 para longe.
O novo horizonte para a saúde ocular global
O desenvolvimento da lente Galaxy coroa o papel estratégico da pesquisa nacional no cenário médico. O trabalho liderado por Lyra prova que a integração entre medicina de ponta e tecnologia computacional pode solucionar problemas históricos de visão.
Ao otimizar a distribuição da luz, o design inédito elimina o dilema entre recuperar a nitidez e sofrer com distúrbios visuais. A consagração da tecnologia nas principais agências internacionais eleva o prestígio da medicina do país e abre caminhos para tratamentos que priorizam o conforto do paciente.

