Carolina do Norte reaproveitou 80 mil toneladas de concreto de uma ponte demolida para criar oito recifes artificiais no Atlântico.
Uma das maiores operações de reaproveitamento de entulho marítimo dos Estados Unidos transformou uma ponte demolida em uma gigantesca estrutura submarina distribuída pelo Atlântico. Após o fim da antiga Herbert C. Bonner Bridge, na Carolina do Norte, o concreto da estrutura não foi enviado para aterros ou triturado como descarte comum.
Segundo a Divisão de Pesca Marinha da Carolina do Norte, o projeto utilizou 68 cargas de barcaça para transportar aproximadamente 80 mil toneladas de concreto da antiga ponte até oito recifes artificiais diferentes ao longo da costa atlântica do estado. O órgão classificou a operação como o maior projeto da história do programa estadual de recifes artificiais.
A ponte demolida tinha 55 anos e cruzava Oregon Inlet
A antiga Herbert C. Bonner Bridge ligava Hatteras Island ao restante da Outer Banks e atravessava Oregon Inlet, uma das áreas costeiras mais dinâmicas e agressivas da Carolina do Norte.
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Depois de cerca de 55 anos de operação, a estrutura foi substituída pela nova Marc Basnight Bridge, inaugurada em 2019. A antiga ponte acabou demolida após atingir o fim de sua vida útil estrutural.
Em vez de enviar o material para aterros, britagem convencional ou descarte industrial, o estado decidiu reutilizar o concreto em estruturas submarinas planejadas.
68 barcaças levaram concreto da ponte para oito áreas do Atlântico
O projeto exigiu uma logística pesada de transporte marítimo. De acordo com a Divisão de Pesca Marinha da Carolina do Norte, foram necessárias 68 viagens de barcaça para deslocar os restos da ponte até os pontos de deposição no oceano. O total chegou a cerca de 80 mil toneladas de concreto reaproveitado.
Os materiais foram distribuídos em oito recifes artificiais:
- AR-130
- AR-140
- AR-145
- AR-160
- AR-250
- AR-255
- AR-320
- AR-340
Esses pontos ficam próximos de áreas como Oregon Inlet, Ocracoke Inlet, Beaufort Inlet e Bogue Inlet.
O concreto da ponte virou infraestrutura submarina permanente
O reaproveitamento não foi improvisado. Segundo os órgãos ambientais do estado, partes da ponte como:
- vãos de concreto
- pilares
- pilings
- guarda-corpos
- blocos estruturais
foram posicionadas no fundo do mar para formar estruturas permanentes de recife artificial.
O objetivo era transformar uma enorme massa de resíduo de engenharia pesada em estrutura submarina estável de longo prazo.
Projeto evitou descarte gigantesco em aterros
O coordenador do programa de recifes artificiais da Carolina do Norte, Jordan Byrum, afirmou em entrevista à Public Radio East que triturar, transportar e descartar todo o concreto em aterros custaria “milhões e milhões de dólares”.

Segundo ele, usar o material nos recifes artificiais reduziu drasticamente o custo de descarte para o estado.
Além da economia financeira, o projeto também evitou o envio de dezenas de milhares de toneladas de concreto para áreas terrestres de descarte.
Carolina do Norte usa pontes demolidas em recifes há décadas
O reaproveitamento da Bonner Bridge não surgiu do nada. Documentos históricos do programa estadual mostram que a Carolina do Norte já estudava desde os anos 1980 o uso de pontes demolidas como material de recife artificial.
Um plano oficial do estado menciona explicitamente a cooperação entre o Departamento de Transporte e a Divisão de Pesca Marinha para reutilizar estruturas costeiras antigas no oceano.
O próprio documento cita que os restos da antiga Atlantic Beach Bridge já haviam sido usados anteriormente em recifes artificiais.
O projeto virou o maior da história do programa estadual
A Divisão de Pesca Marinha afirmou que as 80 mil toneladas de concreto associadas à antiga Bonner Bridge representaram o maior volume já usado em um único projeto do programa estadual de recifes artificiais.

Isso colocou a operação em outra escala:
- dezenas de barcaças
- oito áreas submarinas
- milhares de toneladas por ponto
- reaproveitamento de uma ponte inteira
Segundo mapas oficiais do programa, a Carolina do Norte mantém dezenas de recifes artificiais distribuídos desde áreas estuarinas até regiões oceânicas a quase 38 milhas da costa.
Engenharia pesada virou reconstrução submarina
A imagem final do projeto parece quase surreal. Uma ponte gigantesca que passou décadas sustentando carros sobre o oceano acabou desmontada, carregada em barcaças e redistribuída no fundo do Atlântico.
No total foram:
- 68 viagens marítimas
- 80 mil toneladas de concreto
- oito recifes artificiais
- uma das maiores operações de reaproveitamento estrutural já feitas pela Carolina do Norte
E talvez o aspecto mais impressionante seja justamente este: uma estrutura criada originalmente para resistir ao mar acabou ganhando uma segunda vida dentro dele, transformando entulho de demolição em infraestrutura submarina permanente.


E assim vamos transformando o oceano em lixão!
Opção mais barata para descarte, reciclar