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6 dias de tempestade no radar: novo ciclone subtropical no Atlântico Sul pode reforçar a instabilidade e concentrar chuva perto de 200 mm ou mais em áreas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins, com risco de alagamentos e deslizamentos

Publicado em 26/02/2026 às 14:58
Atualizado em 26/02/2026 às 22:54
novo ciclone e ciclone subtropical no Atlântico Sul: baixa pressão mantém chuva intensa por dias e amplia riscos no Brasil.
novo ciclone e ciclone subtropical no Atlântico Sul: baixa pressão mantém chuva intensa por dias e amplia riscos no Brasil.
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Modelos meteorológicos indicam que uma baixa pressão no Atlântico Sul tende a ganhar características híbridas e formar um novo ciclone subtropical, elevando a instabilidade entre 26 de fevereiro e 3 de março, com acumulados perto ou acima de 200 mm e rajadas acima de 70 km/h em cinco estados brasileiros

O surgimento de um novo ciclone subtropical no Atlântico Sul, próximo à costa do Sudeste, coloca no radar uma sequência de ao menos seis dias de chuva forte e persistente, com volumes que podem se aproximar ou até ultrapassar 200 mm em pontos do país. Quando a chuva deixa de ser “episódio” e vira “sequência”, o risco muda de patamar.

A tendência é de instabilidade mais ampla e duradoura, com aumento do potencial para alagamentos, enchentes e deslizamentos, sobretudo na faixa leste do território nacional. A janela destacada vai de 26 de fevereiro a 3 de março, e os maiores acumulados aparecem com destaque em áreas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins.

O que está por trás do “novo ciclone” e por que ele muda o padrão do tempo

Ciclones são sistemas organizados em torno de baixa pressão atmosférica, capazes de intensificar a convergência de umidade e sustentar nuvens carregadas por mais tempo. No caso do novo ciclone citado nas projeções, o ponto central é a possibilidade de a baixa pressão ganhar um comportamento “híbrido”, com estrutura que favorece instabilidade persistente.

Esse tipo de sistema entra na categoria dos ciclones subtropicais, que costumam ser descritos como intermediários entre os tropicais e os extratropicais. Em termos bem diretos: eles combinam traços de dois mundos formam-se sobre águas mais quentes, com núcleo quente, mas podem manter ar mais frio em níveis mais altos da atmosfera. E, ao contrário do que muita gente associa automaticamente a ciclone, não precisam ter uma frente fria clássica acoplada para provocar tempo severo.

Por que “seis dias” importa: chuva acumulada pesa mais do que um pico isolado

A ideia de seis dias de instabilidade não chama atenção apenas pelo desconforto de tempo fechado, mas pelo efeito acumulativo. Quando a chuva se repete dia após dia, o solo tende a saturar, a drenagem urbana perde eficiência e encostas ficam mais vulneráveis. O perigo real muitas vezes aparece quando a chuva “não dá trégua”, mesmo sem extremos a cada hora.

É por isso que os acumulados projetados perto de 200 mm (ou acima disso) ganham importância prática: não é só o número final, e sim como ele pode se distribuir em curtos intervalos dentro desse período.

Em cenários assim, episódios de pancadas fortes podem se somar a chuva contínua, elevando o risco de alagamentos e enxurradas em áreas urbanas e de deslizamentos em regiões com relevo mais sensível.

Quando e onde o sistema deve atuar com mais força, segundo a projeção descrita

A projeção apresentada indica que a baixa pressão no Atlântico Sul deve adquirir características híbridas nos próximos dias, dando forma ao novo ciclone subtropical.

O detalhe que chama atenção é o possível avanço do núcleo do sistema sobre o continente entre sexta-feira (27) e sábado (28), o que poderia limitar uma intensificação ainda maior antes de o sistema voltar a se deslocar para o oceano.

Esse “vai e volta” entre oceano e continente é relevante porque altera o posicionamento das áreas mais instáveis e a persistência das bandas de chuva.

Não é um evento pontual com começo e fim nítidos, e sim uma sequência em que o centro e a influência do sistema podem reorganizar a chuva em diferentes momentos, mantendo o alerta elevado ao longo de vários dias.

Estados mais expostos a volumes elevados e o que significa “200 mm” no mapa de risco

Entre os estados destacados na rota de maior risco de chuva volumosa estão São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins.

A sinalização é de que essas áreas podem concentrar os maiores acumulados previstos dentro do intervalo de 26 de fevereiro a 3 de março, com marcas próximas ou superiores a 200 mm em poucos dias.

Na prática, “200 mm” costuma ser um número que confunde quem não acompanha meteorologia no dia a dia, porque ele não descreve como a chuva cai descreve quanto ela soma.

E soma alta pode vir de diferentes combinações: pancadas muito intensas, chuva moderada persistente, ou alternância entre períodos fortes e mais fracos. O que define o impacto é a combinação entre volume, duração e vulnerabilidade local, como drenagem, ocupação de áreas de risco e condição do solo.

Além da chuva: granizo, vento acima de 70 km/h e efeitos em cadeia nas cidades

O cenário descrito não se limita a água acumulada. Há indicação de tempestades com granizo e de rajadas de vento acima de 70 km/h, com expectativa de ventos mais fortes principalmente entre sexta e sábado em estados do Sudeste e do Centro-Oeste.

Em episódios com esse perfil, os transtornos costumam aparecer em sequência: queda de árvores, danos pontuais em estruturas, interrupções na rede elétrica e dificuldade de deslocamento em áreas expostas.

Vento forte também pode piorar a sensação de risco em regiões já encharcadas, porque amplia a chance de galhos cederem e reduz a estabilidade de árvores em solo saturado.

Quando chuva intensa e vento se sobrepõem, o impacto urbano tende a ser mais rápido e mais espalhado, mesmo em bairros que normalmente não alagam.

Como ler esse tipo de previsão sem cair em alarmismo e sem subestimar o risco

Há um equilíbrio importante: previsões por modelos e mapas de risco apontam tendências e áreas preferenciais, mas a chuva extrema pode se concentrar em faixas relativamente estreitas dentro de um mesmo estado.

Por isso, a mensagem central não é “vai chover igual em todo lugar”, e sim que o novo ciclone pode sustentar instabilidade por vários dias e aumentar o potencial de episódios severos, especialmente em partes dos estados destacados.

O ponto mais útil para o público é entender a lógica do risco: quanto mais persistente for a instabilidade, maior a chance de o acumulado atingir patamares que pressionam drenagem, rios e encostas. Não é só sobre o pico do dia, é sobre o acúmulo da semana.

E, quando há indicação de granizo e rajadas acima de 70 km/h, a atenção precisa incluir também os efeitos indiretos, como quedas de energia e obstáculos em vias.

Com o novo ciclone subtropical ganhando força no Atlântico Sul e a instabilidade prevista para durar ao menos seis dias, o período entre 26 de fevereiro e 3 de março entra como uma janela crítica para chuva volumosa perto de 200 mm (ou mais) e episódios de tempo severo, especialmente em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins.

Em situações assim, o que define o tamanho do problema é a persistência e a fragilidade de cada cidade para lidar com ela.

Na sua cidade, quando a chuva aperta por vários dias seguidos, o problema costuma ser mais alagamento, enchente ou deslizamento? E qual foi o maior acumulado de chuva que você já viu “na prática” virar transtorno real no seu bairro?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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