No deserto de Mojave, veículos recomprados após o Dieselgate foram preservados em clima seco, enquanto a Volkswagen aguardava autorização para reparos, revenda, desmontagem ou reciclagem
Cerca de 350 mil carros da Volkswagen e da Audi foram levados ao deserto de Mojave, nos Estados Unidos, após o escândalo de emissões conhecido como Dieselgate. O local, apelidado de cemitério do Dieselgate, reúniu veículos recomprados desde 2015 e mantidos em uma área seca para evitar ferrugem e corrosão.
Por que os carros foram parar no deserto
Os veículos foram armazenados depois que o Grupo Volkswagen recebeu uma notificação de infração da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.
A agência constatou que os modelos emitiam 40 vezes mais NOx, formado por óxido nítrico e dióxido de nitrogênio, do que o permitido.
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Como resposta ao escândalo, a empresa iniciou um programa amplo de recompra. Foram gastos cerca de US$ 7,4 bilhões para recomprar veículos de proprietários americanos afetados pelo caso.
A escala do cemitério do Dieselgate
Nos Estados Unidos, aproximadamente 37 instalações de armazenamento foram usadas para guardar os carros recomprados.
Entre elas, o estacionamento no deserto de Mojave se tornou o mais conhecido, principalmente pelo volume de veículos e pelas imagens que circularam online.
Apesar de muitos comentários apontarem que os carros teriam sido deixados para apodrecer, o material indica outra situação. O clima seco do Mojave ajuda a preservar os veículos, reduzindo riscos de ferrugem e corrosão.

O que aconteceu com os veículos armazenados
A Volkswagen realizava manutenção regular nos carros mantidos no local. A ideia era preservar os veículos até que os órgãos reguladores autorizassem correções de software e hardware capazes de adequá-los às exigências.
Com o avanço desse processo, milhares de unidades foram reparadas e revendidas. Outros veículos, porém, acabaram desmontados e reciclados quando os reparos foram considerados economicamente inviáveis.
Futuro do lote no Mojave
O cemitério do Dieselgate foi esvaziando aos poucos ao longo dos anos. Mesmo assim, o local permanece como um símbolo físico do impacto do escândalo sobre a Volkswagen, seus clientes e a operação de recompra nos Estados Unidos.
Entenda melhor o que aconteceu

Os carros da Volkswagen e da Audi foram levados para grandes áreas de armazenamento nos Estados Unidos depois que o escândalo do Dieselgate obrigou a montadora a recomprar veículos a diesel vendidos no país.
A Reuters informou, com base em documento judicial, que a Volkswagen havia pago mais de US$ 7,4 bilhões para recomprar cerca de 350 mil veículos até meados de fevereiro de 2018.
Parte desses carros foi enviada para instalações como o pátio no deserto perto de Victorville, na Califórnia.
O motivo central estava nas violações ambientais. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, afirma que os acordos resolveram alegações de que a Volkswagen vendeu cerca de 590 mil veículos diesel dos anos-modelo 2009 a 2016 equipados com “defeat devices”, softwares capazes de burlar testes federais de emissões. O principal poluente em excesso era o NOx, associado a riscos à saúde.
Os carros não foram enviados ao deserto para simples abandono. A Reuters apontou que havia 37 instalações de armazenamento nos EUA e que os veículos ficariam guardados até serem modificados, revendidos, exportados ou, quando necessário, destruídos.
Em 2020, a FTC informou que Volkswagen e Porsche haviam devolvido mais de US$ 9,5 bilhões a consumidores ligados ao caso “clean diesel”.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

