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Antes de minerar o fundo do oceano, cientistas encontraram 24 criaturas desconhecidas a 4 mil metros — incluindo uma superfamília inteira que a ciência nunca tinha visto

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 16/04/2026 às 06:45
Atualizado em 16/04/2026 às 06:47
Anfípode recém-descoberto na zona Clarion-Clipperton a 4.000m
24 novas espécies incluindo superfamília inédita encontradas antes da mineração
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Publicação na ZooKeys descreve 24 anfípodes, uma nova superfamília Mirabestioidea, uma nova família e dois novos gêneros encontrados a 4.000 metros entre Havaí e México — em área de 6 milhões de km² marcada para mineração submarina

Cientistas acabam de descrever 24 novas espécies de anfípodes — pequenos crustáceos semelhantes a camarões — no fundo do Oceano Pacífico.

As criaturas vivem a cerca de 4.000 metros de profundidade na Zona Clarion-Clipperton (CCZ), uma área vasta entre o Havaí e o México.

A CCZ se estende por 6 milhões de quilômetros quadrados. É maior que a Índia inteira. E está marcada para mineração submarina.

A descoberta é ainda mais significativa porque aconteceu antes de qualquer atividade mineradora na região.

Os resultados foram publicados em uma edição especial da revista ZooKeys. É a maior catalogação de anfípodes profundos da história.

Anfípodes recém-descobertos na zona Clarion-Clipperton a 4.000 metros de profundidade
24 novas espécies de anfípodes foram catalogadas em área de 6 milhões de km² entre Havaí e México — Imagem ilustrativa

Uma superfamília inteira que nunca tinha sido vista

Não são apenas espécies novas. Os cientistas descreveram uma nova superfamília: Mirabestioidea.

Também identificaram uma nova família (Mirabestiidae) e dois novos gêneros. É uma descoberta taxonômica rara.

Os anfípodes encontrados têm bocas cônicas adaptadas ao ambiente extremo. São diferentes de qualquer crustáceo conhecido.

A diversidade encontrada sugere que a CCZ é um hotspot de biodiversidade no fundo do oceano.

E tudo isso foi catalogado antes de empresas de mineração começarem a explorar a região.

Os números da descoberta

  • Novas espécies: 24 anfípodes
  • Nova superfamília: Mirabestioidea (inédita)
  • Nova família: Mirabestiidae
  • Novos gêneros: 2
  • Profundidade: ~4.000 metros
  • Área da CCZ: 6 milhões de km²
  • Localização: entre Havaí e México, Pacífico
  • Publicação: ZooKeys (edição especial)

A descoberta levanta uma pergunta incômoda: quantas espécies serão destruídas antes de serem descobertas?

A mineração submarina busca nódulos polimetálicos — pedras ricas em manganês, cobalto e níquel no fundo do mar.

O processo de coleta revolve o sedimento e destrói habitats. Espécies que vivem ali há milhões de anos podem desaparecer.

Nódulos polimetálicos no fundo do oceano na zona Clarion-Clipperton
A CCZ é rica em nódulos polimetálicos — e a mineração pode destruir espécies antes de serem catalogadas — Imagem ilustrativa

Por que isso importa para o futuro dos oceanos

A catalogação pré-mineração serve como linha de base científica. Se a mineração começar, será possível medir o impacto.

Sem esse registro, as espécies desapareceriam sem que a ciência sequer soubesse da existência delas.

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) debate há anos as regras para mineração na CCZ.

Ambientalistas argumentam que a biodiversidade profunda é insubstituível. Empresas defendem que os minerais são essenciais para baterias e energia limpa.

Quem acompanha o debate ambiental sabe que sustentabilidade e mineração são forças em constante tensão.

Mapa da zona Clarion-Clipperton entre Havaí e México no Pacífico
A Zona Clarion-Clipperton tem 6 milhões de km² e é alvo de empresas de mineração submarina — Imagem ilustrativa

Descoberta crucial, mas limitações existem

Os 24 anfípodes são apenas uma fração da biodiversidade da CCZ. Milhares de espécies podem existir sem jamais terem sido catalogadas.

A coleta foi feita em pontos específicos. Vastas áreas permanecem inexploradas pela ciência.

A decisão sobre iniciar ou não a mineração depende de negociações internacionais. Não há consenso entre os 167 países membros da ISA.

Informações compiladas a partir de estudo publicado na ZooKeys e reportagem da UAI Notícias. Os dados refletem publicações científicas recentes.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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