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10 tartarugas gigantes são reintroduzidas e, em apenas 6 meses, desencadeiam mudanças que levam cientistas a investigar um fenômeno ausente há 180 anos; os números registrados na ilha impressionam pesquisadores do mundo inteiro

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/06/2026 às 11:39
Atualizado em 10/06/2026 às 12:14
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Reintrodução de tartarugas-gigantes em Aride recupera funções ecológicas ausentes havia mais de 180 anos.
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Reintrodução de tartarugas-gigantes em Aride registrou efeitos rápidos na vegetação, no solo e na dispersão de sementes nativas, segundo pesquisadores que acompanharam processos ecológicos não observados na ilha havia quase dois séculos.

A reintrodução de 10 tartarugas-gigantes-de-Aldabra na ilha de Aride, nas Seychelles, recuperou em seis meses funções ecológicas que estavam ausentes havia mais de 180 anos, segundo estudo internacional publicado na revista científica Restoration Ecology e divulgado em 16 de abril de 2026 pela Estação Biológica de Doñana, ligada ao Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha.

Durante o acompanhamento dos animais após a soltura, a pesquisa identificou efeitos sobre a vegetação, o solo e a dispersão de sementes nativas, com registros que ajudaram os cientistas a medir a retomada de processos ecológicos na ilha.

Em dois meses, as tartarugas espalharam mais de 11 mil sementes, das quais 89,5% pertenciam a espécies nativas, além de consumir 54 espécies de plantas introduzidas, de acordo com os dados divulgados pela equipe responsável pelo estudo.

O resultado foi destacado pelos pesquisadores porque Aride havia perdido essas interações ecológicas quase dois séculos atrás, quando as tartarugas desapareceram da ilha e deixaram de atuar na dinâmica natural da vegetação.

Sem esses grandes herbívoros, processos ligados ao controle de plantas, à circulação de nutrientes e à regeneração de espécies locais deixaram de ocorrer no mesmo ritmo, segundo a interpretação apresentada pela equipe científica.

Tartarugas-gigantes e o impacto na ilha de Aride

As tartarugas-gigantes são classificadas pelos pesquisadores como “engenheiras do ecossistema” porque modificam o ambiente enquanto se alimentam, se deslocam e eliminam sementes nas fezes, influenciando diferentes etapas da regeneração vegetal.

Reintrodução de tartarugas-gigantes em Aride recupera funções ecológicas ausentes havia mais de 180 anos.
Reintrodução de tartarugas-gigantes em Aride recupera funções ecológicas ausentes havia mais de 180 anos.

Esse comportamento, conforme o estudo, ajuda a conectar áreas da ilha e favorece a circulação de sementes de espécies adaptadas ao ambiente local, um processo considerado relevante para a recuperação de funções ecológicas perdidas.

Nas observações de campo, os animais atuaram em três frentes principais: redução de plantas exóticas, aceleração da decomposição de matéria vegetal e transporte de sementes nativas para diferentes pontos da ilha.

Com essas interações, os cientistas registraram condições associadas à retomada de processos naturais que haviam sido interrompidos ou reduzidos após o desaparecimento das tartarugas da região.

Aride é uma reserva insular das Seychelles, arquipélago localizado no oceano Índico, onde mudanças na fauna podem ter efeitos relevantes por causa do isolamento e da menor quantidade de espécies em comparação com ambientes continentais.

Em ilhas pequenas, segundo especialistas em conservação, poucas espécies podem concentrar funções importantes para o equilíbrio da vegetação e do solo, o que torna a perda ou a reintrodução de animais um fator de impacto ecológico.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Estação Biológica de Doñana, do Museu Nacional de Ciências Naturais, do Real Jardim Botânico, todos vinculados ao CSIC, e da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

Para identificar o que cada tartaruga consumiu, a equipe combinou observações de campo, análise de fezes e técnicas de DNA, o que permitiu associar o comportamento individual aos efeitos registrados no ambiente.

Dispersão de sementes mostrou diferenças entre os animais

A pesquisa também apontou diferença de comportamento entre os indivíduos reintroduzidos, dado considerado relevante para avaliar como cada animal contribuiu para a restauração ecológica da ilha de Aride.

Apenas três das dez tartarugas responderam por mais de 80% da dispersão de sementes nativas em dois meses, enquanto outras tiveram maior participação no consumo de plantas exóticas ou na reciclagem de nutrientes.

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Esse resultado indica, segundo os pesquisadores, que programas de restauração não dependem apenas da quantidade de animais devolvidos ao ambiente, mas também das funções exercidas por cada indivíduo reintroduzido.

Por esse motivo, a equipe defende que projetos de conservação avaliem quais animais desempenham papéis ecológicos mais amplos, já que indivíduos da mesma espécie podem gerar efeitos diferentes na recomposição do ecossistema.

O caso da tartaruga identificada como T08 foi usado pelos cientistas para exemplificar essa variação de comportamento observada durante o monitoramento realizado após a reintrodução na ilha.

De acordo com o estudo, esse indivíduo reuniu maior eficiência no consumo de flora exótica, forte dispersão de sementes nativas e ingestão equilibrada de matéria vegetal nativa e introduzida, em comparação com outras tartarugas acompanhadas.

A constatação levou os pesquisadores a destacar a diversidade comportamental dentro de uma mesma espécie como um elemento a ser considerado em ações de restauração ecológica.

Em ilhas pequenas, onde a perda de um animal pode afetar diferentes interações naturais, conservar indivíduos com hábitos variados pode contribuir para a manutenção de funções ecológicas, segundo especialistas envolvidos no estudo.

Reintrodução de espécies e restauração ecológica

Os dados da pesquisa indicam que a reintrodução de um número reduzido de tartarugas pode restaurar processos ecológicos em ilhas afetadas por extinções locais, desde que a ação seja planejada e acompanhada cientificamente.

Essa prática é conhecida como rewilding, termo usado para iniciativas que buscam devolver espécies a áreas onde elas exerciam funções ecológicas relevantes antes de desaparecerem ou terem suas populações reduzidas.

No caso de Aride, os cientistas observaram que as tartarugas ajudaram a controlar a vegetação exótica sem depender exclusivamente de remoção mecânica, método que costuma exigir trabalho contínuo e manutenção prolongada.

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Quando bem monitorada, a restauração biológica pode reduzir parte dessa demanda operacional, segundo os pesquisadores, embora não elimine a necessidade de acompanhamento técnico e avaliação de riscos ambientais.

O estudo não afirma que qualquer soltura de animais produza o mesmo resultado, nem indica que a reintrodução possa ser feita sem planejamento em outros ecossistemas insulares.

Para esse tipo de ação, especialistas consideram necessário avaliar espécie, ambiente, histórico ecológico, riscos sanitários e monitoramento posterior, especialmente em ilhas, onde desequilíbrios podem se espalhar com rapidez.

A tartaruga-gigante-de-Aldabra, cujo nome científico é Aldabrachelys gigantea, é uma espécie associada às Seychelles e reconhecida por exercer o papel de grande herbívoro terrestre.

Ao consumir frutos, folhas e matéria vegetal, essa espécie influencia a estrutura da paisagem e a distribuição de plantas, principalmente por meio da alimentação, do deslocamento e da dispersão de sementes.

Os pesquisadores defendem que futuras iniciativas de restauração considerem o chamado número efetivo de indivíduos capazes de sustentar funções ecológicas, e não apenas a quantidade total de animais reintroduzidos.

Esse conceito amplia a análise tradicional, que costuma priorizar a viabilidade genética de uma população reintroduzida, ao incluir também a capacidade dos indivíduos de recuperar processos naturais no ambiente.

Números registrados em Aride chamam atenção

Os dados registrados em Aride mostram que a recuperação de interações ecológicas pode começar em prazo curto quando uma espécie-chave volta a ocupar um espaço do qual havia desaparecido.

Reintrodução de tartarugas-gigantes em Aride recupera funções ecológicas ausentes havia mais de 180 anos.
Reintrodução de tartarugas-gigantes em Aride recupera funções ecológicas ausentes havia mais de 180 anos.

O intervalo de seis meses não representa restauração completa da ilha, mas indica, segundo o estudo, que funções antes ausentes foram retomadas de forma mensurável após a reintrodução das tartarugas.

A dispersão de mais de 11 mil sementes em dois meses ajuda a dimensionar o alcance do processo registrado pelos cientistas durante o monitoramento inicial dos animais.

Como quase nove em cada dez sementes pertenciam a espécies nativas, o deslocamento das tartarugas pode favorecer a regeneração da vegetação original em áreas onde plantas introduzidas ganharam espaço.

O consumo de 54 espécies exóticas também foi registrado como dado relevante porque plantas invasoras podem competir com a flora local por luz, água e nutrientes.

Ao se alimentar dessas espécies, as tartarugas reduzem parte da pressão sobre a vegetação nativa e alteram a dinâmica de crescimento no território, de acordo com a avaliação dos pesquisadores.

A pesquisa em Aride pode servir de referência para estudos em outras ilhas, inclusive em arquipélagos onde tartarugas gigantes exercem funções semelhantes, embora pertençam a linhagens evolutivas diferentes.

A comparação entre ambientes permite avaliar em quais condições a reintrodução de grandes herbívoros pode acelerar processos de restauração natural, sem substituir a necessidade de monitoramento científico de longo prazo.

Para os cientistas, a volta de uma espécie não deve ser medida apenas pela sobrevivência dos animais soltos, mas também pela recuperação de interações ecológicas associadas ao funcionamento do ambiente.

No caso de Aride, os registros apontam que as tartarugas movimentaram sementes, influenciaram a vegetação, participaram da reciclagem de nutrientes e restabeleceram funções ecológicas que estavam ausentes havia mais de 180 anos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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