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Internet da Starlink direto no celular dá passo decisivo no Brasil após aval da Anatel, mas serviço sem antena dependerá de parceria com operadoras

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 03/07/2026 às 20:51 Atualizado em 03/07/2026 às 20:53
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Anatel aprova regras para conexão direta entre satélites e celulares no Brasil, com operação vinculada a operadoras móveis
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A Anatel aprovou a destinação de faixas de radiofrequência para serviços Direct-to-Device, tecnologia que permite conectar celulares comuns diretamente a satélites, sem antena externa. A decisão abre caminho para a chegada de serviços como o Starlink Direct to Cell ao Brasil.

O ponto central está no modelo de operação. A conexão via satélite deverá funcionar como uma camada extra da rede móvel, sempre em parceria com operadoras que já têm autorização para usar as faixas no país.

Na prática, o recurso deve começar por mensagens, localização e serviços básicos em áreas sem sinal. Ligações e dados móveis mais pesados ainda dependem de evolução técnica, regras finais da Anatel e acordos comerciais.

Decisão da Anatel coloca o celular via satélite dentro das frequências já usadas por Claro, TIM e Vivo

O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações aprovou, na quinta-feira, 2 de julho de 2026, a atualização do Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências no Brasil. A medida incluiu a comunicação direta entre satélites e celulares comuns, conhecida no setor como Direct-to-Device, ou D2D.

A nova atribuição permite o uso secundário de faixas tradicionais da telefonia móvel, como 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz. Segundo o Mobile Time, a operação não poderá ocorrer de forma isolada e deverá ser feita com a prestadora terrestre que detém o uso primário daquele espectro.

Esse detalhe muda o tamanho da notícia. A Starlink pode ter a tecnologia mais avançada para iniciar o serviço, mas não ganhou autorização para ligar celulares brasileiros diretamente à sua rede por conta própria. Ela precisará fechar acordos com operadoras móveis já licenciadas no Brasil.

O modelo é parecido com o que acontece nos Estados Unidos, onde a Starlink atua junto da T-Mobile. O satélite entra quando o celular perde o sinal de torre terrestre, principalmente em estradas, áreas rurais, regiões de mata, zonas de garimpo, fazendas, embarcações próximas da costa e pontos com baixa cobertura.

O celular comum vira o centro da disputa porque não precisa de antena, chip especial ou aparelho novo

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A promessa do D2D é simples para o usuário. Em vez de comprar uma antena Starlink, instalar equipamento em casa ou carregar um comunicador via satélite, o celular compatível se conecta diretamente a um satélite de baixa órbita quando não encontra cobertura terrestre.

A própria Anatel já havia acompanhado testes no Maranhão em 2025, feitos por Claro e Lynk. De acordo com a agência, a tecnologia permite comunicação direta com celulares comuns e pode ampliar cobertura em locais remotos ou em situações de emergência, quando torres terrestres estiverem danificadas.

O funcionamento, porém, não transforma o celular em uma internet Starlink completa no primeiro dia. A fase inicial tende a priorizar mensagens de texto, localização e comunicações essenciais. Essa limitação é técnica, porque o sinal precisa percorrer centenas de quilômetros entre o aparelho e o satélite, usando potência muito menor que uma antena dedicada.

Ainda assim, o impacto pode ser grande em um país com rodovias longas, zonas rurais extensas e falhas de cobertura fora dos centros urbanos. Para quem trabalha em fazendas, transporte, energia, mineração, pesca, turismo de aventura ou defesa civil, uma mensagem enviada em área sem torre pode resolver uma emergência.

O porém da autorização está nos próximos 90 dias e nas regras técnicas que ainda faltam

A aprovação da Anatel não significa lançamento comercial imediato. A Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação terá até 90 dias para elaborar as especificações técnicas do serviço e submeter o texto ao Conselho Diretor.

Essas regras vão definir limites de uso das subfaixas, parâmetros de interferência, condições de operação e formas de convivência entre satélites e redes terrestres. O assunto é sensível porque as frequências liberadas já são usadas por operadoras móveis em milhões de acessos ativos no país.

Segundo a Teletime, a atribuição foi aprovada em caráter secundário. Isso quer dizer que a operação via satélite não pode prejudicar o uso principal das faixas pelas empresas de telefonia móvel.

Esse ponto protege a rede tradicional, mas também limita a atuação das empresas de satélite. Se houver risco de interferência ou degradação do serviço das operadoras, a Anatel poderá impor ajustes, restrições ou condições adicionais antes da oferta comercial.

Embora a Starlink seja o nome mais conhecido, a decisão da Anatel não foi escrita para uma empresa só. A regra abre espaço para diferentes operadores de satélite que desenvolvem conexão direta com celulares, desde que atuem em parceria com operadoras móveis.

A vantagem da Starlink está na escala. A empresa de Elon Musk já colocou satélites preparados para Direct to Cell em órbita e iniciou operação comercial em alguns mercados. Em documento divulgado pela própria Starlink, o serviço Direct to Cell já estava disponível comercialmente nos Estados Unidos e na Nova Zelândia para mensagens via satélite em celulares 4G LTE.

Nos Estados Unidos, a T-Mobile informa que o serviço via Starlink permite enviar mensagens, compartilhar localização e acionar emergência em áreas remotas onde as torres não chegam. A operadora apresenta o recurso como uma extensão da cobertura tradicional, não como substituto da rede móvel comum.

Esse é o desenho mais provável para o Brasil. O usuário não deve escolher “satélite” manualmente para navegar como faz no Wi-Fi. A conexão deve entrar em situações específicas, quando o celular estiver fora da área de cobertura da operadora parceira e houver visada suficiente para o céu.

Gratuito no começo, pago depois ou embutido no plano

A tendência inicial é que o serviço chegue sem cobrança extra para parte dos clientes, principalmente durante a fase de validação comercial. Esse modelo ajuda as operadoras a testar demanda, educar o usuário e medir em quais situações a conexão via satélite realmente será usada.

Depois disso, a cobrança pode seguir caminhos diferentes. O recurso pode virar benefício de planos premium, pacote adicional para áreas remotas, serviço pago por uso ou ferramenta incluída em planos corporativos para empresas com equipes em campo.

O preço também dependerá da capacidade oferecida. Mensagens e localização custam menos rede do que chamadas de voz, envio de fotos, uso de mapas em tempo real ou dados móveis em aplicativos comuns. Quanto mais próximo de uma experiência 4G ou 5G, maior tende a ser o custo operacional.

Um estudo acadêmico publicado em 2025 sobre medições do Direct-to-Cell da Starlink nos Estados Unidos apontou que o serviço ainda era concentrado em áreas mal atendidas pela rede terrestre e estimou desempenho limitado para dados móveis nas primeiras fases, com evolução dependente de espectro, potência autorizada e quantidade de satélites.

O que muda para quem vive fora das grandes cidades

Para o consumidor urbano, a novidade pode parecer distante. Em capitais e regiões metropolitanas, a rede móvel terrestre ainda será mais rápida, estável e barata para o uso diário.

A diferença aparece onde o celular costuma ficar sem serviço. Estradas sem cobertura, áreas de plantio, reservas, comunidades isoladas, parques, rios, regiões de montanha e trechos de litoral podem se beneficiar primeiro.

Também há um uso crítico em desastres naturais. Enchentes, incêndios, deslizamentos e temporais podem derrubar torres ou cortar energia de estações rádio-base. Nessas situações, a comunicação direta com satélites pode manter mensagens básicas funcionando mesmo quando parte da infraestrutura local falha.

A liberação da Anatel, portanto, não coloca internet ilimitada da Starlink no bolso do brasileiro de um dia para o outro. Ela abre a porta regulatória para um serviço que pode começar pequeno, com mensagens e emergência, mas mudar a forma como o país trata cobertura móvel em áreas esquecidas pelas torres.

Você usaria internet ou mensagens via satélite no celular se o serviço chegasse sem cobrança extra no começo? Deixe seu comentário e conte se essa tecnologia faria diferença na sua cidade, na estrada ou no trabalho fora da área de sinal.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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