Empresa avalia que a eletrificação dos caminhões seguirá ritmos diferentes entre os mercados e aponta os híbridos como uma alternativa para reduzir emissões no transporte pesado.
A ZF, uma das maiores fornecedoras globais de tecnologias para veículos comerciais, defende que a descarbonização do transporte pesado deverá ocorrer de maneiras diferentes ao redor do mundo. Durante a apresentação de novas tecnologias realizada em Hannover, na Alemanha, a empresa afirmou que não existe uma solução única para a eletrificação dos caminhões.
Além disso, a companhia destacou que fatores como infraestrutura, custos, regulamentações e características regionais influenciam diretamente o ritmo dessa transformação. Assim, a estratégia passou a considerar diferentes tecnologias para atender às necessidades específicas de cada mercado.
Mercados avançam em ritmos diferentes
Segundo a ZF, a eletrificação dos veículos comerciais continua sendo o objetivo de longo prazo. Entretanto, esse processo está sendo impactado pela disponibilidade limitada de infraestrutura de recarga, pelas diferenças regulatórias e pela viabilidade econômica.
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Além disso, Ivan Brajdic, vice-presidente sênior e chefe global de Pesquisa e Desenvolvimento da divisão de veículos comerciais da empresa, afirmou que o cenário atual exige flexibilidade.
De acordo com o executivo, a China mantém forte expansão dos veículos elétricos. Enquanto isso, a Europa segue impulsionada por metas ambientais. Já os Estados Unidos revisam parte de sua estratégia tecnológica. Por outro lado, Brasil, Japão, Coreia do Sul e outros países da América do Sul buscam caminhos próprios para a transição energética.
Por isso, Brajdic explicou que plataformas globais precisam acomodar essa diversidade tecnológica e regulatória.
Infraestrutura continua sendo um dos principais desafios
Enquanto aplicações urbanas apresentam avanços importantes, o transporte rodoviário de longa distância ainda enfrenta obstáculos relevantes.
Segundo Fabian Schlegel, responsável pela estratégia global da divisão de veículos comerciais da ZF, a implantação de infraestrutura para recarga de caminhões exige investimentos elevados.
Além disso, grandes áreas para estacionamento e elevada disponibilidade de energia elétrica são necessárias. Dessa forma, a expansão da eletrificação ocorre de maneira mais lenta nesse segmento.
Por outro lado, a empresa considera que ônibus urbanos e caminhões de distribuição já avançam na eletrificação em diversos mercados.
Tecnologia híbrida ganha espaço
Nesse contexto, a ZF passou a apostar também em soluções híbridas.
A empresa desenvolveu uma versão híbrida da transmissão TraXon 2, que combina o sistema convencional a combustão com um motor elétrico integrado.
Segundo Schlegel, a tecnologia despertou interesse após sua apresentação inicial em 2024. Desde então, fabricantes de diferentes mercados demonstraram interesse pela solução.
De acordo com o executivo, o sistema oferece benefícios como redução do consumo de combustível, menor emissão de poluentes e possibilidade de operação elétrica em determinadas situações. Além disso, a tecnologia reduz a dependência exclusiva da infraestrutura de recarga.
Brasil está entre os mercados com potencial
Para a ZF, países de grandes dimensões territoriais, como Brasil, China e Estados Unidos, podem encontrar nos caminhões híbridos uma alternativa durante a transição energética.
Segundo Schlegel, o Brasil possui grande volume de operações de longa distância. Assim, os híbridos podem representar uma solução para reduzir emissões sem depender totalmente da autonomia dos caminhões elétricos.
Além disso, a empresa informou que identificou receptividade do mercado brasileiro e pretende ampliar as conversas com fabricantes e operadores durante a Fenatran, prevista para novembro.
Transição será gradual
Por fim, a ZF reforçou que a eletrificação permanece como objetivo estratégico. Entretanto, a empresa avalia que a transição será gradual e exigirá tecnologias intermediárias.
Dessa forma, os caminhões híbridos passam a integrar essa estratégia. Ao mesmo tempo, mercados como o brasileiro deverão equilibrar metas ambientais, infraestrutura disponível e viabilidade econômica antes da adoção em larga escala dos veículos totalmente elétricos.
