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Vizinho do Brasil vira potência agroexportadora mundial ao transformar seu deserto costeiro em um “pomar artificial” com irrigação de alta tecnologia, mesmo em meio a crise hídrica, disputa por água e acusações de esgotamento de aquíferos subterrâneos

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 08/12/2025 às 17:42 Atualizado em 08/12/2025 às 18:12
Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.
Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.
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Centro agrícola em pleno deserto peruano impulsiona exportações, atrai investimentos e reacende debate sobre uso da água, ampliando tensões entre grandes produtores, pequenos agricultores e comunidades locais do litoral árido do país.

As vastas planícies desérticas da região de Ica, no Peru, se consolidaram como um dos polos agrícolas mais dinâmicos do planeta.

Em poucas décadas, áreas antes associadas a areia e escassez hídrica passaram a abrigar extensas lavouras de uvas, mirtilos, mangas e abacates, impulsionando o país ao topo das exportações globais enquanto crescem as disputas por água.

Transformação agrícola no deserto peruano

Até os anos 1990, era improvável que o deserto costeiro peruano se tornasse um “pomar artificial”.

A paisagem predominante era de dunas, solos arenosos e ausência quase total de chuvas.

Esse cenário mudou quando investidores passaram a apostar em irrigação de alta tecnologia, incluindo sistemas de gotejamento e projetos de transposição de água.

Pesquisadores descrevem o litoral desértico como uma espécie de “estufa natural”, favorecendo cultivos de alto valor agregado.

Especialistas estimam que a área cultivável no deserto costeiro aumentou cerca de 30%, impulsionada por tecnologias de irrigação e por variedades adaptadas às condições áridas.

Regiões como Ica e Piura foram convertidas em polos agrícolas de alcance internacional.

A combinação de clima estável, irrigação eficiente e inovações genéticas permitiu que o mirtilo, antes quase inexistente no Peru, se tornasse uma das principais frutas exportadas.

Reformas econômicas e expansão da agroexportação

Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.
Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.

O processo ganhou força na década de 1990, com reformas econômicas que reduziram tarifas, estimularam o investimento estrangeiro e facilitaram a atuação de empresas exportadoras.

Embora a mineração fosse o foco inicial, uma elite empresarial identificou no agronegócio irrigado uma oportunidade para diversificar a economia.

A partir daí, grandes projetos privados passaram a ocupar trechos do deserto, alinhados a políticas governamentais que incentivavam a expansão da fronteira agrícola.

Para especialistas, o investimento privado foi decisivo ao financiar sistemas modernos de irrigação e adaptar cultivos às condições locais.

Variedades desenvolvidas para o ambiente árido permitiram atender janelas de entressafra no hemisfério norte, base da competitividade peruana.

Peru no topo das exportações mundiais

Dados oficiais mostram que as exportações agrícolas cresceram de forma contínua desde o início dos anos 2010, alcançando US$ 9,185 bilhões em 2024.

O país se tornou o maior exportador mundial de mirtilos e um dos principais fornecedores de uvas, além de ganhar espaço em nichos como abacate, manga e aspargo.

A produção durante o inverno do hemisfério norte ampliou sua relevância nos mercados dos Estados Unidos, Europa e China.

A participação das agroexportações no PIB passou de 1,3% no ano 2000 para 4,6% em 2024, consolidando o setor como um dos motores da economia nacional.

Pesquisas indicam que a agroexportação elevou o emprego formal e a renda média em regiões antes dominadas pela informalidade.

Efeitos sociais e mudanças no campo

Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.
Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.

O crescimento, porém, não se distribuiu de forma uniforme.

Pequenos agricultores enfrentam dificuldades para competir por mão de obra, pressionados pelos salários mais altos das grandes exportadoras.

Também relatam obstáculos para acessar água em volume e preço adequados.

Em muitos casos, produtores familiares têm vendido suas terras para empresas, alterando a estrutura fundiária do litoral peruano.

Ainda assim, parte dessas famílias se beneficia dos empregos oferecidos pela própria indústria agroexportadora.

Disputa pela água e esgotamento de aquíferos

É na água que surgem as críticas mais fortes ao modelo.

A região de Ica praticamente não registra chuvas, e a maior parte da água utilizada vem do subsolo ou de projetos de transposição.

Enquanto comunidades dependem de caminhões-pipa, grandes fazendas contam com poços próprios, reservatórios e sistemas avançados de irrigação.

Segundo moradores, há uma verdadeira disputa por água, marcada por crescente dificuldade de acesso para pequenos produtores.

Relatos indicam que poços que antes alcançavam água a poucos metros agora precisam atingir cerca de 100 metros.

A Autoridade Nacional da Água proibiu a abertura de novos poços em 2011, alertando para a queda contínua do nível do aquífero.

Mesmo assim, moradores afirmam que a fiscalização é limitada e que técnicos frequentemente encontram barreiras para inspecionar propriedades privadas.

Exportações x segurança hídrica

Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.
Deserto costeiro do Peru vira polo agroexportador com irrigação avançada, mas cresce a disputa por água e o risco de esgotamento dos aquíferos.

O avanço da agroexportação reacendeu o debate sobre o que o país realmente vende ao mundo.

Críticos afirmam que, ao exportar frutas como a uva e derivados associados ao pisco, o Peru estaria também exportando “água virtual”, essencial para a produção agrícola.

A discussão ganha força em um país onde parte da população ainda não tem água encanada.

Especialistas alertam que o modelo atual depende de uma redefinição clara de prioridades para garantir abastecimento humano, conservação de ecossistemas e continuidade econômica.

Em Ica, debates eleitorais costumam ressaltar a urgência de soluções hídricas, mas moradores afirmam que medidas estruturais permanecem adiadas.

O desafio é equilibrar um agronegócio altamente competitivo com políticas que assegurem água para pequenas comunidades, produtores familiares e a própria manutenção do aquífero.

Diante desse cenário de avanço agrícola em pleno deserto e crescente pressão sobre os recursos hídricos, até que ponto o Peru conseguirá sustentar esse modelo sem comprometer seu futuro ambiental e social?

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Abi
Abi
10/12/2025 09:50

Muito bom. É isso, enquanto aqui temos osE ECOCHATOSe a esquerdalha **** lutando contra o avanço e o progresso ( e se auto intitulam Progressistas rsrs) lá eles tomam posse do lugar que deveria ser nosso. Vai chegar a hora em que os produtores daki vai acordar e ir pra lá e a meu irmão, já era

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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