1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Vira-lata caramelo recebe reconhecimento inédito de estado brasileiro e vira símbolo oficial da luta contra o abandono animal
Localização SP Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 3 comentários

Vira-lata caramelo recebe reconhecimento inédito de estado brasileiro e vira símbolo oficial da luta contra o abandono animal

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 17/12/2025 às 19:23
Atualizado em 17/12/2025 às 22:22
Assista o vídeoAlesp aprova projeto que reconhece o vira-lata caramelo como interesse cultural em SP e reacende debate sobre abandono e adoção de cães sem raça definida.
Alesp aprova projeto que reconhece o vira-lata caramelo como interesse cultural em SP e reacende debate sobre abandono e adoção de cães sem raça definida.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
263 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, na noite de terça-feira (16 de dezembro), um projeto de lei que reconhece a expressão “vira-lata caramelo” como de relevante interesse cultural do estado.

Com a conclusão da votação em plenário, a proposta foi encaminhada para sanção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O texto aprovado é o Projeto de Lei 419/2023, de autoria do deputado Rafael Saraiva (União Brasil).

Ao justificar a iniciativa, o parlamentar afirmou que o reconhecimento cultural tem como objetivo ampliar a visibilidade de um tema recorrente no debate público: o abandono de animais e a baixa taxa de adoção de cães sem raça definida no estado e no país.

Projeto de lei aprovado na Alesp

A proposta não cria obrigações administrativas nem estabelece novas políticas públicas, como regras de fiscalização, destinação de recursos ou penalidades.

O projeto se limita a reconhecer oficialmente a expressão “vira-lata caramelo” como de relevante interesse cultural paulista, enquadrando o termo como parte do patrimônio simbólico e social do estado.

Após a aprovação na Alesp, o texto segue o rito legislativo padrão e aguarda análise do Poder Executivo.

Alesp aprova projeto que reconhece o vira-lata caramelo como interesse cultural em SP e reacende debate sobre abandono e adoção de cães sem raça definida.
Alesp aprova projeto que reconhece o vira-lata caramelo como interesse cultural em SP e reacende debate sobre abandono e adoção de cães sem raça definida.

Cabe ao governador sancionar ou vetar a proposta, total ou parcialmente.

Até a eventual sanção e publicação, a medida não produz efeitos legais.

Origem do termo “vira-lata caramelo” e popularização

A expressão “vira-lata caramelo” passou a circular com maior frequência nos últimos anos, especialmente em redes sociais e conteúdos digitais.

O termo é usado para identificar cães sem raça definida, geralmente de pelagem clara, que se tornaram recorrentes em memes e publicações de humor.

Esse uso ampliado contribuiu para que o “caramelo” fosse associado a um símbolo reconhecível por grande parte da população.

A popularização, no entanto, não alterou o cenário enfrentado por esses animais fora do ambiente digital.

Muitos seguem em situação de abandono ou aguardam adoção por longos períodos.

Ao defender o projeto, Saraiva afirmou que o reconhecimento cultural busca enfrentar o que classificou como preconceito estético contra cães sem raça definida.

Segundo o deputado, a proposta também pretende incentivar a adoção e chamar atenção para o abandono animal.

“Valorizar o caramelo é combater o preconceito estético, reduzir o abandono e promover a adoção.
Não estamos apenas celebrando uma figura conhecida e querida pelo povo brasileiro.
Estamos reafirmando uma causa que há anos defendemos com seriedade e compromisso”, declarou durante a tramitação.

Números citados sobre abandono e adoção de cães

Durante a discussão do projeto, o autor citou números relacionados ao abandono e à adoção de animais no Brasil.

De acordo com o parlamentar, 81,5% dos animais abandonados no país seriam cães, em sua maioria sem raça definida.

Ainda segundo Saraiva, cães com o perfil popularmente conhecido como “caramelo” teriam até 90% menos chances de adoção em comparação com outros animais.

Esses dados foram utilizados como argumento político para sustentar a proposta.

O texto do projeto de lei, porém, não detalha a origem nem a metodologia empregada para chegar a esses percentuais.

As informações constam apenas nas declarações do autor ao longo do processo legislativo.

No mesmo contexto, o deputado afirmou que o reconhecimento cultural permitiria dar visibilidade a um problema cotidiano.

“O abandono tem rosto, e esse rosto é caramelo.
Ao transformar esse símbolo em interesse cultural do Estado, damos luz a um problema que é real, cotidiano e urgente”, disse.

Impacto institucional e limites do reconhecimento cultural

Especialistas em políticas públicas e proteção animal costumam apontar que reconhecimentos culturais têm impacto indireto, sobretudo na agenda pública e na comunicação institucional.

No caso do projeto aprovado, não há previsão de criação automática de campanhas, programas de adoção ou ampliação de serviços veterinários.

Ainda assim, a classificação como tema de interesse cultural pode servir de base para ações futuras.

Esse desdobramento depende da articulação entre governo, organizações da sociedade civil e iniciativas privadas.

Protetores independentes e entidades de acolhimento frequentemente relatam dificuldades para manter animais resgatados.

Entre os principais obstáculos estão custos com alimentação, vacinação, castração e atendimento veterinário, além de critérios estéticos adotados por parte dos interessados em adoção.

O projeto aprovado na Alesp foi apresentado como uma tentativa de inserir esse debate no campo institucional.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Símbolo cultural e debate sobre abandono animal

Ao longo dos últimos anos, o “vira-lata caramelo” passou a concentrar diferentes significados.

No ambiente digital, tornou-se um personagem recorrente associado ao humor e à identificação popular.

Fora das redes, continua ligado à realidade de animais em situação de vulnerabilidade.

Esses animais estão sujeitos a riscos como doenças, fome e acidentes.

O debate sobre abandono animal envolve, em geral, dois eixos centrais.

Um deles é a responsabilidade dos tutores, que inclui guarda responsável e controle reprodutivo.

O outro é a atuação do poder público, com políticas de educação, castração e atendimento básico.

O reconhecimento cultural aprovado pela Alesp se insere nesse contexto como um instrumento simbólico.

A proposta não altera diretamente essas frentes.

Sanção do governador e debate público

Com o envio do projeto ao Executivo, a sanção do governador passa a ser o principal ponto de atenção.

Caso seja sancionada, a lei reforçará a presença do “vira-lata caramelo” como referência oficial no estado de São Paulo.

Não há, no entanto, criação de obrigações práticas imediatas.

A discussão reacende um tema frequente entre gestores públicos e entidades de proteção animal.

A pauta envolve a ampliação da adoção de cães sem raça definida e a redução do abandono de forma contínua.

Esse debate costuma ir além de campanhas pontuais ou datas simbólicas.

Se o reconhecimento cultural amplia a visibilidade do problema, como transformar esse espaço institucional em ações concretas capazes de alterar a realidade dos animais que permanecem nas ruas?

Inscreva-se
Notificar de
guest
3 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Mara Lúcia Mello Bitello
Mara Lúcia Mello Bitello
21/12/2025 18:34

Os animais abandonados precisam, urgentemente, são de ações EFETIVAS junto às ONGs e protetores independentes! O descaso com esses animais e a INDIFERENÇA, quase um DESPREZO aos protetores e ONGs LOTADAS, mostra o real cenário de ABANDONO DOS ANIMAIS E DOS QUE OS RESGATAM, pelo poder público! São inúmeros animais abandonados e doentes todos os dias e nós já não temos para onde correr, pedir ajuda, se humilhar diariamente nas redes a pedi para, pelo menos, encher a barriguinha deles. Protetores: espaços físicos lotados, endividados, muitos morando precariamente, pois tudo que tem vão para os animais, muitos de nós em depressão, doentes, em insegurança alimentar, resumindo: EM DESESPERO! Não adianta vir com castração somente, e ainda, para aqueles que tem inscrição em CadÚnico. Protetores também trabalham, tem salários, mas são insuficientes para dar atendimento ao grande número de animais e sustentar nossas famílias tb. Hospitais veterinários inúteis, pois não há internação, especialistas, ficam longe, tem que tirar ficha e passar um dia inteiro aguardando e somente para baixa renda. Não tem como, gente! Quantos animais ainda terão que sofrer maus tratos, ser abandonados, passarem fome, frio, calor, adoecer nas ruas para que o PODER PÚBLICO DE ATENÇÃO EFETIVA A ESSES ANIMAIS? Quantos de NÓS, PROTETORES, ainda iremos adoecer fisicamente, mentalmente e nos suicidar por conta do desespero de não conseguir ajuda para ajudar os animais? Sim, está acontecendo. Sabe pq? ESTAMOS EXAUSTOS, nossa vida é cuidar, é pedir por eles 24h/dia. Pq o Poder Público está kgando pra nós? Pq cuidar de animais em maus tratos e abndonados, não dá dinheiro para os cofres públicos, dá despesas, então, eles fazem o mínimo e deixam o máximo, para nós, os protetores independentes que estão tão abandonados quanto os nossos resgatados. PRECISAMOS DE AJUDA! PRECISAMOS DE SOCORRO! PRECISAMOS DE AUXÍLIO! Estamos vivendo o abandono junto aos animais abandonados! SOCORRO! 🥺🥺

Bernadete
Bernadete
20/12/2025 22:37

Uma sociedade só mostra sua evolução com o respeito aos animais. Parabéns ao deputado. Que o projeto seja sancionado e que venham outros contra a crueldade praticada por seres humanos sem noção!

Italo
Italo
19/12/2025 08:00

O Brasil possui dezenas de raças de animais (inclusive cães) de interesse cultural
e econômico e muitos ligados à segurança alimentar que passam longe de qualquer interesse de pesquisa e reconhecimento por parte das autoridades. Estes políticos são tão sem noção que não ficaria surpreso se considerassem o javali invasor como patrimônio do Brasil.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
3
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x