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Arqueólogos escavam perto de shopping e encontram villa romana de 2 mil anos que revela rota esquecida do azeite no Império Romano

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 13/05/2026 às 11:08
Atualizado em 13/05/2026 às 11:10
Sarcófago romano esculpido em mármore diante de ruínas arqueológicas da antiga Salona, na Croácia, próximo à região onde foi descoberta uma villa rustica produtora de azeite.
Estruturas preservadas da antiga Dalmácia romana ajudam arqueólogos a compreender o cotidiano e a economia ligados às villas rusticas da região.
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Escavações em Mostine expuseram uma antiga propriedade rural romana, com prensa, canais de pedra, mosaicos, moedas e indícios de abastecimento ligado à cidade de Salona

Uma descoberta arqueológica em Split, na Croácia, revelou sob o solo da região de Mostine um complexo rural romano com cerca de 2 mil anos. A estrutura foi identificada durante escavações preventivas próximas a uma área comercial moderna e, com isso, passou a chamar atenção por unir vestígios residenciais e agrícolas em uma mesma propriedade. O conjunto foi interpretado como uma antiga villa rustica, modelo rural usado no Império Romano para combinar moradia, produção e administração de grandes áreas produtivas.

A propriedade ficava a poucos quilômetros de Salona, antiga capital da Dalmácia romana, hoje associada à região de Solin. Essa proximidade reforça a ligação entre o campo produtivo e o centro urbano, já que Salona dependia de alimentos, vinho, azeite e outros produtos para sustentar sua atividade política, administrativa e comercial. O achado também indica que Mostine integrou uma rede regional de abastecimento conectada aos portos e rotas da Dalmácia.

Estruturas rurais revelam função produtiva da antiga propriedade romana

Os trabalhos começaram como uma verificação arqueológica de rotina antes da expansão de uma área comercial, mas logo revelaram muros espessos, divisões internas e sinais claros de uso prolongado. Moedas de diferentes períodos, fragmentos de cerâmica e peças de vidro indicam ocupação contínua, com reformas e adaptações feitas ao longo de vários séculos. Esse padrão mostra que o complexo acompanhou mudanças políticas e econômicas da região.

A villa rustica romana designava propriedades rurais voltadas à produção agrícola em escala organizada. Em Mostine, os arqueólogos identificaram salas amplas, canais escavados na pedra, cisterna para armazenamento de água e estruturas ligadas ao processamento de alimentos. Esses elementos, distribuídos por centenas de metros quadrados, reforçam a interpretação de que o local funcionava como uma unidade produtiva relevante.

Sistema de azeite mostra como o complexo abastecia a região

Entre os achados mais importantes está o torcular, prensa típica usada na extração de azeite durante o período romano. O equipamento aparece associado a canais de pedra que conduziam o líquido para bacias menores, além de pisos preparados para escoamento. Essa estrutura reforça a função da propriedade como centro de processamento de azeitonas para abastecer Salona e outras localidades da Dalmácia.

A produção seguia etapas padronizadas no mundo romano, desde a colheita nos olivais próximos até o armazenamento em grandes recipientes cerâmicos. No sítio de Mostine, fragmentos de ânforas e tanques de decantação sugerem capacidade superior ao consumo local. Por isso, o azeite produzido ali provavelmente circulava por centros urbanos, áreas portuárias e rotas comerciais regionais.

Ligação com Salona ampliava a importância econômica da villa

Salona foi a capital da Dalmácia romana e funcionou como centro político, administrativo e comercial de grande alcance. A cidade reunia muralhas, termas, anfiteatro, teatro e uma intensa malha viária. Esse crescimento exigia fluxo constante de produtos vindos do campo, especialmente alimentos, azeite e vinho.

Os achados de Mostine reforçam esse vínculo entre campo e cidade ao revelar uma propriedade organizada e conectada a redes comerciais amplas. Moedas de diferentes séculos, tesselas de mosaico multicolorido, vidros decorativos e cerâmicas de cozinha indicam uma unidade agrícola estável. Esses vestígios também sugerem a presença de um proprietário abastado, ligado à economia regional e ao comércio adriático.

Mosaicos, moedas e cerâmicas revelam o cotidiano romano

Fragmentos de mosaicos indicam ambientes decorados usados para recepção e representação social do proprietário. Cerâmicas comuns, vasilhas de cozinha, vidros finos e moedas apontam para práticas alimentares, circulação de bens, presença de trabalhadores especializados e administração constante. Esses elementos ajudam a compreender como a elite rural e os trabalhadores viviam em uma área produtiva do Império Romano.

A equipe responsável pelas escavações enfrentou desafios como controle de inundações e proteção de estruturas fixas em meio à expansão urbana moderna. Parte dos muros e instalações foi coberta com geotêxtil e camada de cascalho, medida de arqueologia preventiva usada para preservar o patrimônio. Assim, a antiga villa rustica produtora de azeite continua a fornecer dados sobre trabalho, comércio e modos de vida em uma das regiões mais ativas do mundo romano.

Até que ponto cidades em expansão devem adaptar obras para preservar vestígios capazes de explicar o passado?

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Caio Aviz

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