Uma tempestade de granizo cobriu a estrada entre Piedade e Ibiúna, no interior de São Paulo, com um palmo de gelo que prendeu dezenas de motoristas por mais de uma hora. Carros patinavam sem conseguir avançar ou recuar, e o trânsito só foi liberado quando caminhões passaram quebrando o gelo. Piedade registrou 48 mm de chuva, mais de 100 casas foram danificadas e a prefeitura deve decretar calamidade pública.
Uma tempestade de granizo transformou a estrada entre Piedade e Ibiúna, no interior paulista, em um cenário que parecia mais a Patagônia do que São Paulo. A pista ficou completamente branca, coberta por um palmo de pedras de gelo que impediu dezenas de veículos de se moverem em qualquer direção. O motorista Luis Miguel Amorese, morador de Piedade, relatou que seu carro ficou “atolado no gelo” e que veículos tentavam subir um trecho da estrada mas “patinavam e iam para lá e para cá” sem conseguir sair do lugar. A parada durou mais de uma hora, e os motoristas só conseguiram retomar o percurso depois que caminhões e ônibus passaram pelo local, quebrando e derretendo o granizo que cobria a pista.
O granizo que atingiu a região não parou na estrada. Em Piedade, mais de 100 casas foram danificadas pela tempestade, 20 pessoas ficaram desalojadas, e um morador caiu do telhado enquanto tentava fazer reparos, sofrendo uma fratura na perna. A Defesa Civil do Estado de São Paulo enviou ajuda humanitária com kits de limpeza, dormitório, cestas básicas e higiene, e a prefeitura deve decretar estado de calamidade pública nesta segunda-feira (20). Piedade e Votorantim registraram os maiores acumulados de chuva da região de Sorocaba, com 48 mm nas últimas 24 horas.
O relato do motorista que ficou preso no granizo por mais de uma hora

Luis Miguel Amorese estava com o pai voltando de Ibiúna quando a tempestade começou. Primeiro veio a chuva forte, que reduziu a visibilidade a quase zero e obrigou os dois a parar o carro. Após andar cerca de 300 metros, a chuva diminuiu e eles retomaram o percurso. Mas cerca de seis quilômetros à frente, o granizo começou a cair com uma intensidade que Luis nunca tinha visto.
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As pedras de gelo caíam com tanta força que o barulho do impacto sobre o veículo era ensurdecedor. “Começou a cair umas pedras, assim, que não tinha explicação. Aí a gente encostou”, relata Luis, descrevendo que havia muito vento e folhagens caindo sobre o carro além do granizo. Quando saíram do veículo após a tempestade, encontraram a pista coberta por um palmo de gelo que impedia qualquer movimentação. Vários carros ao redor estavam na mesma situação, parados e sem conseguir se mover sobre o granizo acumulado.
Como o granizo transformou a rodovia em uma pista de gelo

Segundo informações divulgadas pelo portal do G1, o acúmulo de granizo na estrada entre Piedade e Ibiúna atingiu um nível que criou condições semelhantes às de uma pista coberta de neve. Os pneus dos carros perdiam tração sobre as pedras de gelo compactadas, e veículos que tentavam subir trechos inclinados da via patinavam sem conseguir avançar. A combinação de volume de granizo, inclinação da pista e ausência de qualquer sistema de remoção de gelo na estrada manteve dezenas de motoristas imobilizados.
A situação só se resolveu quando veículos mais pesados começaram a circular. Caminhões e ônibus, com peso suficiente para esmagar o granizo sob seus pneus, passaram pelo trecho e foram quebrando e derretendo o gelo compactado, abrindo trilhas por onde os carros menores puderam finalmente seguir. O processo levou mais de uma hora, durante a qual os motoristas não tiveram alternativa senão esperar. “Nunca tinha visto isso. O carro ficou atolado no gelo”, resumiu Luis.
Os danos que o granizo causou em mais de 100 casas em Piedade
O granizo que cobriu a estrada era apenas parte de uma tempestade que devastou a cidade de Piedade. Mais de 100 casas foram danificadas pelas pedras de gelo, que destruíram telhados, quebraram janelas e causaram infiltrações que comprometeram a estrutura de dezenas de residências. O bairro dos Soares foi o mais afetado, e a Igreja Presbiteriana local foi transformada em ponto de apoio para atender as famílias atingidas pelo granizo.
A situação deixou 20 pessoas desalojadas que não puderam retornar às suas casas. Na noite de sábado, um morador caiu do telhado enquanto tentava fazer reparos emergenciais e sofreu uma fratura na perna, sendo socorrido pelo Samu. O caso ilustra o risco adicional que tempestades de granizo criam: além dos danos diretos, os reparos improvisados sob pressão colocam moradores em perigo. A prefeitura de Piedade intensificou os atendimentos emergenciais e deve decretar estado de calamidade pública nesta segunda-feira.
A ajuda que chegou para as vítimas do granizo em Piedade
A Defesa Civil do Estado de São Paulo respondeu à tempestade enviando ajuda humanitária para os municípios mais afetados pelo granizo. Para Piedade, foram disponibilizados 50 kits de limpeza, 50 kits de limpeza avulsos, 50 kits dormitório, 50 cestas básicas e 50 kits de higiene, um conjunto de recursos que atende às necessidades imediatas das famílias que perderam pertences ou que foram desalojadas pela destruição de seus telhados.
A prefeitura de Piedade intensificou os atendimentos emergenciais que devem continuar nos próximos dias. O decreto de calamidade pública previsto para segunda-feira permitirá ao município acessar recursos estaduais e federais com mais agilidade para reparar os danos causados pelo granizo, incluindo a reconstrução de telhados, limpeza de vias públicas e assistência social às famílias afetadas. Para uma cidade do interior paulista, lidar com os efeitos de uma tempestade que cobriu estradas de gelo e destruiu mais de 100 casas é um desafio que ultrapassa a capacidade orçamentária municipal.
O que causou a tempestade de granizo no interior de São Paulo
Cidades da região de Sorocaba foram atingidas por fortes chuvas acompanhadas de vento e granizo neste sábado (18). Piedade e Votorantim registraram os maiores acumulados de chuva, com 48 mm em 24 horas, um volume significativo que, combinado com o granizo e as rajadas de vento, criou as condições para os estragos observados. A instabilidade atmosférica na região é favorecida pela presença de frentes frias que encontram ar quente e úmido, gerando tempestades severas com potencial para produzir granizo de tamanho considerável.
Para os moradores que vivenciaram a tempestade, as imagens da estrada coberta de gelo e dos carros parados em fila são o registro de um evento que muitos descreveram como inédito na região. Na Rodovia Bunjiro Nakao, no km 83,5, cerca de quatro quilômetros à frente de onde Luis fez seus registros, outros motoristas também encontraram a pista coberta por granizo, indicando que a tempestade cobriu uma faixa extensa de território. Os vídeos gravados por moradores e motoristas circularam nas redes sociais e mostraram a escala do fenômeno que transformou uma estrada paulista em um tapete branco de gelo.
Granizo cobriu uma estrada no interior de SP com um palmo de gelo e prendeu motoristas por mais de uma hora. Você já enfrentou algo parecido? Sua região foi atingida por essa tempestade? Conte nos comentários.

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