Governo da Venezuela pede à ONU a libertação de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, em meio a pressões internacionais e internas. Anistia soma 65 libertados em três dias, enquanto organizações denunciam limites da lei.
O governo da Venezuela solicitou a libertação imediata do presidente deposto Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores perante as Nações Unidas. O pedido foi feito nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, em Genebra, durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, segundo informações da Jovem Pan. Em paralelo, o Executivo divulgou avanços na anistia geral assinada em 19 de fevereiro, com solturas e promessas de revisão de casos antigos.
Maduro foi capturado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, em operação que incluiu bombardeios em Caracas e regiões vizinhas, conforme a mesma reportagem. Ambos, Maduro e Flores, enfrentam julgamento por tráfico de drogas em Nova York, onde o ex-mandatário se declarou “prisioneiro de guerra”. O episódio alterou a correlação de forças no país e acelerou medidas políticas e judiciais.
Após o ataque, Delcy Rodríguez assumiu o poder e iniciou um redesenho institucional, que incluiu libertações de presos políticos e o anúncio do fechamento da prisão de Helicoide. A estratégia ocorre sob pressão de Washington e de entidades de direitos humanos, que pedem transparência, abrangência e respeito a padrões internacionais.
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Pedido na ONU e contexto internacional, o que disse Yván Gil em Genebra
O chanceler Yván Gil afirmou que a Venezuela exige a “libertação imediata” de Nicolás Maduro e de Cilia Flores pelo governo dos EUA. Em discurso em Genebra, ele sustentou que direitos humanos “não podem ser instrumentos de guerra política” e defendeu o fim das sanções contra o país, de acordo com a Jovem Pan.
Gil declarou que a Venezuela “não está aqui para se esquivar das responsabilidades” e reiterou compromisso com o fortalecimento das instituições. O pronunciamento busca respaldo diplomático em meio a críticas internacionais e a uma crise doméstica em transformação acelerada.
Operação dos Estados Unidos em 3 de janeiro e processo por tráfico de drogas em Nova York
De acordo com a Jovem Pan, Maduro foi detido em 3 de janeiro por forças dos EUA, em ação que teve bombardeios em Caracas e em áreas próximas. A captura também envolveu a detenção de Cilia Flores, levando o caso ao sistema judicial norte-americano.
Maduro e a esposa respondem por tráfico de drogas em Nova York, cenário no qual o ex-presidente classificou a si mesmo como “prisioneiro de guerra”. O processo adiciona tensão a um quadro que já é crítico para a política venezuelana e amplia a disputa narrativa no plano internacional.
Especialistas em direito internacional lembram que ações militares e julgamentos transnacionais costumam gerar disputas de jurisdição e debates sobre soberania. Nesse ambiente, o apelo à ONU torna-se peça central na estratégia de Caracas para buscar pressão diplomática e mediação.
Anistia de 19 de fevereiro e números atualizados, balanço do governo e da sociedade civil
A anistia geral decretada em 19 de fevereiro vem produzindo efeitos mensuráveis. A ONG Foro Penal registrou 65 libertações em três dias, com 7 na sexta-feira, 15 no sábado e 43 no domingo, segundo o diretor Gonzalo Himiob, que afirmou ainda estar verificando outros casos.
No Legislativo, o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, informou que 1.500 pessoas já pediram anistia na Justiça. Ele também disse que cerca de 11 mil cidadãos em liberdade condicional ao longo de 27 anos do chavismo passariam a ter liberdade plena, abrindo espaço para um possível alívio do sistema prisional.
Limitações da lei e tensão nos presídios, greve de fome em Rodeo I e manifestações
Entidades de direitos humanos classificaram a anistia como insuficiente e excludente. A crítica central é que a medida não alcança casos relacionados a militares, justamente onde há grande concentração de detidos, citando a prisão de Rodeo I.
Segundo a Jovem Pan, cerca de 200 presos iniciaram greve de fome em Rodeo I no fim de semana. Do lado de fora, familiares misturavam preocupação e alívio com as primeiras solturas, em ambiente de vigilância e expectativa.
Dentro do presídio, ecoaram gritos de “Liberdade!”, “Vamos todos sair!” e “Rodeo I está em greve de fome!”. O gendarm argentino Nahuel Agustín Gallo, acusado de “terrorismo” e conspiração, aderiu ao protesto, ampliando a repercussão internacional do episódio.
A Cruz Vermelha teve acesso no domingo, 22 de fevereiro, a várias penitenciárias, incluindo El Rodeo, para avaliar as condições dos presos. A presença humanitária é vista como passo relevante para monitoramento independente e para ajustes na implementação da anistia.
Mudanças após o ataque, Delcy Rodríguez assume e revisa relação com Donald Trump
Após a operação dos EUA, Delcy Rodríguez assumiu formalmente o comando do país e buscou reduzir a tensão com o presidente Donald Trump, informou a Jovem Pan. Entre os movimentos, está a decisão de ceder o controle da indústria petrolífera, medida sensível em um país dependente do setor de energia.
Essas mudanças caminham junto ao processo de libertação de presos políticos e à tentativa de reconstituir pontes diplomáticas. O tabuleiro interno, porém, permanece volátil, com pressões de ONGs, familiares de detentos e atores internacionais por maior alcance da anistia.
Fechamento do Helicoide e plano de conversão, prazos e obras anunciadas
O governo determinou o fechamento da prisão de Helicoide, alvo de denúncias históricas de tortura. Paralelamente, anunciou a reforma do complexo para transformá-lo em centro social e esportivo para a polícia, enquanto ativistas defendem sua conversão em museu memorial.
O ministro de Obras Públicas, Juan José Ramírez, afirmou em vídeo publicado na rede X que o projeto começou “imediatamente” e já conta com consultas à comunidade e estudos de engenharia. “Em menos de um mês, o projeto já foi aprovado e está em fase de implementação“, disse.
As obras no Helicoide simbolizam tentativa de virada institucional e resposta às denúncias do passado. A efetividade do plano, contudo, dependerá da fiscalização independente, da participação social e da extensão das revisões judiciais prometidas.
E agora a discussão se divide entre quem vê a anistia e o fechamento do Helicoide como passos necessários e quem enxerga limitações e seletividade na aplicação da lei. Deixe seu comentário, concorda que as medidas atendem às demandas por justiça ou avalia que ainda faltam abrangência e transparência para encerrar as denúncias de violações no país

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