1. Início
  2. / Economia
  3. / Vale mira cobre de Carajás que ficou escondido no balanço por 20 anos e pode valer quase metade da empresa, segundo Exame, enquanto demanda global dispara com carros elétricos, data centers, 5G e energia renovável até 2040 no mundo todo
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

Vale mira cobre de Carajás que ficou escondido no balanço por 20 anos e pode valer quase metade da empresa, segundo Exame, enquanto demanda global dispara com carros elétricos, data centers, 5G e energia renovável até 2040 no mundo todo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 15/05/2026 às 22:46
Atualizado em 15/05/2026 às 22:49
Assista o vídeoCobre de Carajás vira aposta da Vale com demanda global puxada por data centers, energia renovável, 5G e carros elétricos até 2040.
Cobre de Carajás vira aposta da Vale com demanda global puxada por data centers, energia renovável, 5G e carros elétricos até 2040.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Com minério de ferro ainda dominante, Vale reorganiza metais básicos, separa divisão independente e mira dobrar produção de cobre até 2035 em Carajás. O plano surge enquanto a demanda global avança, a oferta preocupa analistas e acordos de Mariana e Brumadinho seguem pressionando o caixa da companhia nos próximos anos.

A Vale colocou o cobre no centro de sua próxima fase de crescimento depois de décadas associada principalmente ao minério de ferro. Segundo material da Exame, a companhia mira Carajás, no Pará, para ampliar a produção até 2035, em um movimento sustentado por eletrificação, data centers, redes 5G, energia renovável e aumento da demanda global.

O plano ocorre enquanto a mineradora tenta diversificar sua exposição além do ferro, sem abandonar o negócio que ainda sustenta a maior parte da receita. A estratégia passa por separar a divisão de metais, concentrar investimentos em Carajás e transformar ativos que ficaram menos visíveis dentro da estrutura da empresa em uma possível fonte de valor bilionário. A pergunta central é se o cobre pode repetir, em outra escala, o salto que Carajás deu à Vale nos anos 1980.

O cobre virou protagonista porque o mundo eletrificado precisa de mais metal

Cobre de Carajás vira aposta da Vale com demanda global puxada por data centers, energia renovável, 5G e carros elétricos até 2040.

O minério de ferro ainda é a base operacional da Vale. A companhia construiu escala global com minas, ferrovia e porto integrados, especialmente no Sistema Norte, que leva produção de Carajás até o litoral do Maranhão e, depois, ao mercado internacional.

Mas o crescimento futuro aparece cada vez mais ligado ao cobre. O metal é usado em carros elétricos, motores, redes elétricas, data centers, infraestrutura de 5G e projetos de energia renovável. Quanto mais a economia se eletrifica, mais o cobre deixa de ser coadjuvante e vira peça crítica da transição tecnológica.

Demanda global pode saltar até 2040 e a oferta não acompanha

A projeção citada no material aponta que a demanda global por cobre pode subir de 28 milhões de toneladas em 2025 para 42 milhões de toneladas até 2040. Esse avanço cria uma pressão estrutural porque novos projetos minerais costumam exigir anos de mapeamento, licença ambiental, construção e operação.

A oferta, segundo a análise apresentada, não avança no mesmo ritmo. O déficit projetado pode chegar a milhões de toneladas se novos investimentos não entrarem em operação. É nesse descompasso entre consumo crescente e produção limitada que a Vale tenta reposicionar Carajás.

Carajás concentra a vantagem que a Vale quer transformar em escala

Cobre de Carajás vira aposta da Vale com demanda global puxada por data centers, energia renovável, 5G e carros elétricos até 2040.

Carajás já é decisiva para o minério de ferro, mas também aparece como eixo da aposta em cobre. A região reúne conhecimento geológico, infraestrutura logística, ferrovia, porto e operações já instaladas. Isso reduz parte dos obstáculos que normalmente atrasam projetos minerais totalmente novos.

O diferencial apontado pela companhia está no teor dos depósitos. Enquanto projetos globais citados trabalham com teores médios mais baixos, a Vale afirma operar em áreas com cerca de 2% de cobre na rocha. Em mineração, teor maior pode significar menos material processado para obter o mesmo metal, o que afeta custo, margem e competitividade.

A meta é dobrar produção até 2035

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A Vale produziu 382 mil toneladas de cobre no período citado pela Exame, com a maior parte vinda de Carajás. A meta informada é chegar a cerca de 700 mil toneladas até 2035 e, depois, buscar 1 milhão de toneladas nos anos seguintes.

Se esse volume fosse alcançado hoje, a companhia estaria entre as maiores produtoras globais do metal, segundo a leitura apresentada no material. O tamanho da ambição mostra que a Vale não trata mais o cobre como complemento, mas como possível segundo eixo de crescimento.

Divisão separada tirou o negócio da sombra do minério de ferro

Por muitos anos, os metais básicos ficaram dentro da estrutura ampla da Vale e competiam por atenção com o minério de ferro. A entrada no segmento ganhou força com a compra da canadense Inco, cerca de 20 anos atrás, mas a companhia teve dificuldade em extrair todo o valor desses ativos.

A mudança veio com a separação da divisão de metais em uma estrutura independente, a Vale Base Metals. A unidade passou a ter gestão, metas e conselho próprios. Quando um negócio deixa de disputar prioridade dentro de um gigante operacional, o mercado começa a enxergar valor que antes ficava diluído no balanço.

Analistas veem valor bilionário na Vale Base Metals

O material informa que a contribuição da divisão de metais para o resultado da Vale subiu de uma faixa entre 10% e 15% para 22%, com expectativa de superar 30% no longo prazo. Esse avanço ajuda a explicar por que analistas passaram a olhar a Vale Base Metals de forma separada.

Em 2024, a saudita Manara Minerals comprou 10% da divisão por US$ 2,5 bilhões. A partir dessa referência, analistas citados avaliam que a VBM sozinha pode valer quase metade do valor de mercado da Vale. Esse é o ponto mais sensível da tese: um ativo que parecia secundário pode estar carregando valor relevante dentro da mineradora.

Data centers, 5G e energia renovável aumentam o peso estratégico do metal

A demanda por cobre não vem de um único setor. Ela aparece em veículos elétricos, expansão de redes, digitalização, inteligência artificial, transmissão de energia e equipamentos ligados à energia renovável. Por isso, o metal passou a ser tratado como insumo estratégico para várias cadeias ao mesmo tempo.

Os data centers reforçam essa pressão. A expansão da inteligência artificial exige infraestrutura elétrica robusta, cabos, equipamentos e redes de transmissão. O mesmo ocorre com 5G e geração limpa. Quando vários setores disputam o mesmo metal ao mesmo tempo, a demanda global ganha força e a oferta vira gargalo.

Minério de ferro segue forte, mas a China muda o cenário

A Vale ainda depende fortemente do minério de ferro. A produção citada no material mostra a companhia retomando posição de liderança global, com 336 milhões de toneladas no período analisado. O minério de alto teor também segue importante em um mundo que busca reduzir emissões na siderurgia.

Mesmo assim, o cenário chinês impõe atenção. A China continua compradora relevante, mas a produção de aço no país passa por transição. A Vale não está abandonando o ferro; está tentando evitar que seu futuro dependa apenas de um ciclo que pode não crescer como antes.

Mariana e Brumadinho ainda pesam no caixa da companhia

A estratégia de crescimento em cobre também precisa conviver com compromissos herdados dos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho. O material aponta que acordos judiciais relacionados aos desastres seguem pressionando o fluxo de caixa da mineradora.

Esse ponto limita a leitura puramente otimista. Investir em Carajás, ampliar produção, manter dividendos e reconstruir relações com reguladores e sociedade exige disciplina financeira. O cobre pode abrir uma nova frente de valor, mas não elimina os passivos que ainda acompanham a Vale.

Execução será o teste real da nova aposta

Colocar uma operação de cobre de pé não acontece rapidamente. O material aponta que projetos desse tipo podem levar de 10 a 15 anos, considerando mapeamento, licenciamento, abertura de mina, infraestrutura e processamento.

A vantagem de Carajás está no fato de a Vale já operar na região. A empresa pode estender a vida útil de minas, aproveitar estruturas existentes e desenvolver jazidas próximas. Ainda assim, a tese só se confirma com entrega. No papel, Carajás tem teor, logística e escala; na prática, o desafio é transformar potencial mineral em produção previsível.

A Vale vê no cobre uma chance de ampliar seu valor em um momento em que eletrificação, data centers, 5G, energia renovável e demanda global colocam pressão sobre a oferta mundial do metal. Carajás, que já mudou a história da empresa com o minério de ferro, volta ao centro da estratégia.

O ponto decisivo é saber se a companhia conseguirá executar essa expansão sem perder disciplina financeira, sem subestimar os passivos de Mariana e Brumadinho e sem depender apenas de projeções favoráveis. Você acha que o cobre pode virar a nova grande história da Vale ou o minério de ferro continuará mandando no destino da empresa? Comente sua opinião.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x