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Professores da Inglaterra terão aumento salarial de 6,6% em dois anos, mas escolas terão de bancar parte dos custos da medida

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Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 01/07/2026 às 21:40 Atualizado em 01/07/2026 às 21:45
Professora ministra aula em escola pública da Inglaterra.
Novo reajuste salarial busca fortalecer a permanência de professores nas escolas inglesas.
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Governo britânico confirma reajuste acima da inflação para professores da rede pública, amplia investimentos na educação e busca garantir previsibilidade orçamentária, enquanto sindicatos alertam para os impactos financeiros que ainda recaem sobre as escolas.

O governo da Inglaterra anunciou uma nova política de valorização dos profissionais da educação ao confirmar um reajuste salarial de 6,6% distribuído ao longo de dois anos para os professores da rede pública. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 1º de julho de 2026, e representa um aumento superior às previsões de inflação, atendendo parcialmente às reivindicações da categoria.

A informação foi divulgada pelo The Guardian, com base no anúncio oficial do Departamento de Educação do Reino Unido (Department for Education – DfE). Segundo a publicação, a medida pretende oferecer maior estabilidade financeira às escolas e reforçar a estratégia do governo para atrair e manter profissionais qualificados na educação pública.

Apesar da avaliação positiva sobre o reajuste, representantes dos sindicatos afirmam que a forma de financiamento ainda preocupa. Isso porque parte dos recursos necessários para pagar os aumentos continuará saindo diretamente dos orçamentos das próprias escolas.

Governo amplia investimento, mas escolas ainda terão participação no financiamento

De acordo com o plano apresentado, os professores receberão um aumento de 3,5% a partir de setembro de 2026. Além disso, haverá um novo reajuste de 3% em 2027, totalizando 6,6% no período de dois anos.

Para ajudar no pagamento desse aumento, o governo anunciou um investimento adicional de £ 1,8 bilhão destinado às escolas públicas ao longo dos próximos dois anos. Esses recursos também servirão para financiar parte do reajuste oferecido aos profissionais de apoio escolar, que receberam uma proposta de aumento de 3,3%, com pagamento retroativo a abril de 2026.

Segundo a secretária de Educação, Bridget Phillipson, o acordo demonstra o compromisso do governo com os profissionais da educação e oferece maior previsibilidade para o planejamento financeiro das instituições de ensino.

Inicialmente, o governo defendia um reajuste de 6,5% distribuído em três anos, abrangendo o período entre 2026-2027 e 2028-2029. Entretanto, o School Teachers’ Review Body (STRB), órgão independente responsável por analisar a remuneração dos professores, recomendou um reajuste equivalente a 6,6% em apenas dois anos, proposta posteriormente aceita pelo Executivo.

Sindicatos apoiam reajuste, mas criticam impacto nos orçamentos escolares

Embora o reajuste tenha sido considerado superior à inflação prevista, entidades que representam os profissionais da educação demonstraram preocupação com a origem dos recursos.

Segundo estimativas apresentadas pelos sindicatos, as escolas terão de absorver aproximadamente £ 460 milhões dos custos relacionados ao aumento salarial utilizando recursos já previstos em seus próprios orçamentos.

Para Daniel Kebede, secretário-geral do National Education Union (NEU), essa situação poderá afetar diretamente a capacidade das instituições de manter seus quadros de funcionários.

De acordo com o dirigente sindical, esse valor corresponde ao custo aproximado de 8.300 profissionais da educação, sendo 3.900 professores e 4.400 funcionários de apoio.

Diante desse cenário, o NEU informou que avalia novas formas de mobilização. Em maio, a entidade já havia aprovado a realização de uma consulta interna para decidir sobre uma possível greve durante o outono europeu caso o governo não garantisse um reajuste totalmente financiado e acima da inflação.

Medidas também alcançam faculdades e limitam salários de executivos

Além das escolas, o governo confirmou novos recursos para instituições de ensino superior e educação técnica.

O Departamento de Educação anunciou um investimento adicional de £ 485 milhões para faculdades e demais instituições de educação continuada durante os próximos dois anos. O objetivo é fortalecer a retenção de profissionais e minimizar os impactos provocados pelo aumento do custo de vida.

Outro anúncio envolve mudanças na remuneração de executivos das academias educacionais.

O governo estabeleceu que salários superiores a £ 174 mil dependerão de autorização oficial. Atualmente, cerca de 1.000 multi-academy trusts pagam remunerações superiores a £ 200 mil para parte de seus dirigentes.

A medida recebeu críticas da Confederation of School Trusts (CST), que considera a nova regra um fator capaz de aumentar a burocracia e dificultar a contratação de líderes qualificados para o setor.

Mesmo diante das divergências, o governo destaca que os professores da rede pública acumularão um aumento salarial de aproximadamente 17% desde a última eleição, elevando o salário médio anual para mais de £ 52.800 a partir de setembro de 2026 e para mais de £ 54.400 a partir de setembro de 2027.

Com isso, o Reino Unido busca fortalecer a valorização da carreira docente, embora o debate sobre o financiamento integral do reajuste continue no centro das negociações entre governo, sindicatos e gestores escolares.

Você acredita que aumentar o salário dos professores é suficiente para melhorar a qualidade da educação ou também são necessários mais investimentos na estrutura das escolas?

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