Enquanto a Marinha britânica leva até 6 anos para construir um único destróier, o porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford retornou ao porto de Norfolk no dia 16 de maio de 2026.
O retorno fechou 326 dias consecutivos no mar, recorde da Marinha dos EUA desde 1991.
Conforme reportagem do gCaptain, o navio executou 1.700 sortidas durante a Operation Epic Fury no Mar Vermelho.
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Por isso, o porta-aviões nuclear se consolida como o maior do mundo em operação, com 100.000 toneladas de deslocamento e 333 metros de comprimento.

Conforme a US Navy, o navio carrega 4.660 tripulantes e até 90 aeronaves embarcadas.
Entre as aeronaves estão F/A-18 Super Hornet, E-2D Hawkeye e helicópteros MH-60.
Por isso, o navio é o primeiro da nova classe Ford, sucessora dos 10 Nimitz construídos entre 1968 e 2009.
Rear Admiral Gavin Duff comandou o porta-aviões até Norfolk
O grupo de ataque ficou sob comando do Contra-Almirante Gavin Duff, oficial nascido em San Diego, Califórnia, e veterano de quatro deployments anteriores.
Conforme a US Navy, a Carrier Strike Group 12 incluía o navio, dois cruzadores classe Ticonderoga e quatro destróieres classe Arleigh Burke.
O grupo totalizou 7 navios, 70 aeronaves e cerca de 7.500 marinheiros e fuzileiros distribuídos entre as embarcações.
A missão começou em junho de 2025 e durou exatos 326 dias até o retorno em 16 de maio de 2026.
Conforme o U.S. Naval Institute, foi a maior duração contínua de um deployment de carrier strike group desde a Operação Desert Storm de 1991.
Além disso, segundo registros da United States Navy, o deployment supera em 80 dias o anterior recordista USS Theodore Roosevelt em 2020.
USS Gerald R. Ford e o EMALS: a catapulta eletromagnética de US$ 13 bilhões que substituiu o vapor
O navio custou US$ 13,3 bilhões ao Pentágono e levou 12 anos do contrato à comissão.
Conforme o construtor Huntington Ingalls Industries, com base em Newport News, Virgínia, o navio incorpora 23 tecnologias inéditas.
Por isso, a principal é o Electromagnetic Aircraft Launch System (EMALS), que substituiu as catapultas a vapor da classe Nimitz. O sistema acelera aeronaves de 0 a 240 km/h em 2 segundos.
Conforme a Naval Air Systems Command, o EMALS reduz desgaste mecânico em 30% e permite lançar drones leves que catapultas a vapor não conseguiam.
Além do EMALS, o navio usa Advanced Arresting Gear (AAG) para pousos e Dual Band Radar AN/SPY-3 para detecção simultânea de 800 alvos.

Operation Epic Fury: 1.700 sortidas e ataques aos houthis no Mar Vermelho
O grupo de ataque chegou ao Mar Vermelho em outubro de 2025 para participar da Operation Epic Fury contra ataques dos houthis a navios comerciais.
Conforme a US Central Command (CENTCOM), aeronaves do Ford executaram 1.700 sortidas em 7 meses contra alvos no Iêmen.
Conforme dados oficiais, o grupo derrubou 31 drones suicidas Shahed-136 e interceptou 12 mísseis balísticos antinavio em rota para navios comerciais no estreito de Bab el-Mandeb.
Por isso, o tráfego comercial no Canal de Suez voltou a crescer 18% entre março e maio de 2026, segundo a Autoridade do Canal de Suez.
Antes da operação, 67 navios comerciais haviam sido atingidos por mísseis houthis desde 2023, com perda de 4 marinheiros e 2 navios afundados.
O Capitão Steve McManus levou a Ford ao Caribe primeiro
A bordo da embarcação, o comando ficou com o Capitão Steve McManus, piloto da Marinha norte-americana com 24 anos de serviço.
McManus comandou anteriormente o esquadrão VFA-31 Tomcatters de F/A-18 Super Hornet.
Sob McManus, o navio iniciou a missão no Caribe com a Operation Absolute Resolve, voltada para narcotráfico marítimo entre Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.
Conforme a Joint Interagency Task Force South, a operação interceptou 14 toneladas de cocaína em 3 meses no Caribe antes de a Strike Group ser redirecionada ao Mediterrâneo em setembro de 2025.
Por que o USS Gerald R. Ford custou 3 vezes mais que um Nimitz
O custo unitário do Ford ficou em US$ 13,3 bilhões.
Por isso, é 2,5 vezes o custo do último Nimitz construído, o USS George H.W. Bush, comissionado em 2009 por US$ 5,4 bilhões.
Segundo análise do Congressional Research Service, o salto deriva das 23 tecnologias novas do Ford somadas a atrasos no programa.
Além disso, o projeto sofreu 11 anos de delays entre o contrato em 2008 e a entrega operacional em 2017, com a primeira missão de combate só em 2022.
Por isso, o segundo navio da classe, USS John F. Kennedy (CVN-79), reduziu o custo unitário para US$ 11,9 bilhões e deve entrar em serviço em 2026 ou 2027.

Como o porta-aviões se compara aos maiores navios militares do mundo
Segundo a CTBUH naval, o Ford é o maior porta-aviões em operação no mundo em 2026.
Conforme registros da US Navy, a classe Nimitz tem 332,8 metros de comprimento e 97.000 toneladas.
O HMS Queen Elizabeth britânico tem 280 metros e 65.000 toneladas, e o russo Admiral Kuznetsov tem 305 metros e 58.500 toneladas.
- USS Gerald R. Ford (EUA): 100.000 t, 333 m, 90 aeronaves, comissionado 2017
- USS Nimitz (EUA): 97.000 t, 332,8 m, 85 aeronaves, comissionado 1975
- Fujian (China): 80.000 t, 320 m, 60 aeronaves, em testes 2024
- HMS Queen Elizabeth (Reino Unido): 65.000 t, 280 m, 40 aeronaves, comissionado 2017
- Admiral Kuznetsov (Rússia): 58.500 t, 305 m, 41 aeronaves, comissionado 1990
Conforme o Council on Foreign Relations, os Estados Unidos operam 11 porta-aviões nucleares, mais que todos os outros países somados.
Para comparação com outros navios em portos brasileiros, ver a cobertura naval do CPG e o Suncatcher orbital da SpaceX e Google.
USS John F. Kennedy entra em 2027 e os Doris Miller começam 2032
O cronograma da Marinha norte-americana prevê quatro navios da classe Ford até 2050.
Por isso, o segundo, USS John F. Kennedy (CVN-79), deve entrar em serviço em 2026 ou 2027 segundo a Huntington Ingalls Industries.
Conforme cronograma da Marinha, o terceiro USS Enterprise (CVN-80), tem previsão para 2029 com custo estimado em US$ 12 bilhões.
Além disso, o quarto USS Doris Miller (CVN-81), será o primeiro porta-aviões da Marinha norte-americana batizado em homenagem a um marinheiro afro-americano. Entrega prevista para 2032.

O navio retorna a Norfolk para período de manutenção programada de 60 dias antes do próximo deployment.
No entanto, a Marinha norte-americana ainda discute se o próximo desdobramento será ao Pacífico ou novamente ao Mediterrâneo.
Além disso, segundo análise estratégica da RAND Corporation, o tempo médio entre deployments do navio caiu de 18 meses para 12 meses entre 2022 e 2026.
Conforme o relatório, a pressão deriva da disputa naval com a China no Indo-Pacífico.
Conforme o relatório, a Marinha norte-americana ampliou a frequência operacional dos seus 11 porta-aviões para responder ao crescimento da frota chinesa que já soma 3 porta-aviões em operação em 2026.
Porém, para os 4.660 tripulantes que passaram 326 dias longe de casa, o retorno em 16 de maio marca um dos deployments mais longos da história naval norte-americana desde a Segunda Guerra Mundial.

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