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USS Gerald R. Ford: porta-aviões dos EUA volta após 326 dias e 1.700 sortidas no Mar Vermelho

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 19/05/2026 às 09:30
Atualizado em 19/05/2026 às 09:32
O USS Gerald R. Ford fez história com uma missão de 316 dias. Confira os detalhes da volta do porta-aviões mais moderno da Marinha e seus marcos operacionais.
O USS Gerald R. Ford fez história com uma missão de 316 dias. Confira os detalhes da volta do porta-aviões mais moderno da Marinha e seus marcos operacionais. (Imagem meramente ilustrativa)
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Enquanto a Marinha britânica leva até 6 anos para construir um único destróier, o porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford retornou ao porto de Norfolk no dia 16 de maio de 2026.

O retorno fechou 326 dias consecutivos no mar, recorde da Marinha dos EUA desde 1991.

Conforme reportagem do gCaptain, o navio executou 1.700 sortidas durante a Operation Epic Fury no Mar Vermelho.

Por isso, o porta-aviões nuclear se consolida como o maior do mundo em operação, com 100.000 toneladas de deslocamento e 333 metros de comprimento.

USS Gerald R. Ford porta-aviões norte-americano em operação no Mar Vermelho
USS Gerald R. Ford (CVN-78) retorna a Norfolk após 326 dias de deployment, com 100.000 toneladas e 333 metros de comprimento. Foto: US Navy.

Conforme a US Navy, o navio carrega 4.660 tripulantes e até 90 aeronaves embarcadas.

Entre as aeronaves estão F/A-18 Super Hornet, E-2D Hawkeye e helicópteros MH-60.

Por isso, o navio é o primeiro da nova classe Ford, sucessora dos 10 Nimitz construídos entre 1968 e 2009.

Rear Admiral Gavin Duff comandou o porta-aviões até Norfolk

O grupo de ataque ficou sob comando do Contra-Almirante Gavin Duff, oficial nascido em San Diego, Califórnia, e veterano de quatro deployments anteriores.

Conforme a US Navy, a Carrier Strike Group 12 incluía o navio, dois cruzadores classe Ticonderoga e quatro destróieres classe Arleigh Burke.

O grupo totalizou 7 navios, 70 aeronaves e cerca de 7.500 marinheiros e fuzileiros distribuídos entre as embarcações.

A missão começou em junho de 2025 e durou exatos 326 dias até o retorno em 16 de maio de 2026.

Conforme o U.S. Naval Institute, foi a maior duração contínua de um deployment de carrier strike group desde a Operação Desert Storm de 1991.

Além disso, segundo registros da United States Navy, o deployment supera em 80 dias o anterior recordista USS Theodore Roosevelt em 2020.

USS Gerald R. Ford e o EMALS: a catapulta eletromagnética de US$ 13 bilhões que substituiu o vapor

O navio custou US$ 13,3 bilhões ao Pentágono e levou 12 anos do contrato à comissão.

Conforme o construtor Huntington Ingalls Industries, com base em Newport News, Virgínia, o navio incorpora 23 tecnologias inéditas.

Por isso, a principal é o Electromagnetic Aircraft Launch System (EMALS), que substituiu as catapultas a vapor da classe Nimitz. O sistema acelera aeronaves de 0 a 240 km/h em 2 segundos.

Conforme a Naval Air Systems Command, o EMALS reduz desgaste mecânico em 30% e permite lançar drones leves que catapultas a vapor não conseguiam.

Além do EMALS, o navio usa Advanced Arresting Gear (AAG) para pousos e Dual Band Radar AN/SPY-3 para detecção simultânea de 800 alvos.

Catapulta eletromagnética EMALS do USS Gerald R. Ford em operação
Sistema EMALS de catapulta eletromagnética: acelera aeronaves de 0 a 240 km/h em 2 segundos, substituindo o vapor da classe Nimitz. Foto: US Navy.

Operation Epic Fury: 1.700 sortidas e ataques aos houthis no Mar Vermelho

O grupo de ataque chegou ao Mar Vermelho em outubro de 2025 para participar da Operation Epic Fury contra ataques dos houthis a navios comerciais.

Conforme a US Central Command (CENTCOM), aeronaves do Ford executaram 1.700 sortidas em 7 meses contra alvos no Iêmen.

Conforme dados oficiais, o grupo derrubou 31 drones suicidas Shahed-136 e interceptou 12 mísseis balísticos antinavio em rota para navios comerciais no estreito de Bab el-Mandeb.

Por isso, o tráfego comercial no Canal de Suez voltou a crescer 18% entre março e maio de 2026, segundo a Autoridade do Canal de Suez.

Antes da operação, 67 navios comerciais haviam sido atingidos por mísseis houthis desde 2023, com perda de 4 marinheiros e 2 navios afundados.

O Capitão Steve McManus levou a Ford ao Caribe primeiro

A bordo da embarcação, o comando ficou com o Capitão Steve McManus, piloto da Marinha norte-americana com 24 anos de serviço.

McManus comandou anteriormente o esquadrão VFA-31 Tomcatters de F/A-18 Super Hornet.

Sob McManus, o navio iniciou a missão no Caribe com a Operation Absolute Resolve, voltada para narcotráfico marítimo entre Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.

Conforme a Joint Interagency Task Force South, a operação interceptou 14 toneladas de cocaína em 3 meses no Caribe antes de a Strike Group ser redirecionada ao Mediterrâneo em setembro de 2025.

Por que o USS Gerald R. Ford custou 3 vezes mais que um Nimitz

O custo unitário do Ford ficou em US$ 13,3 bilhões.

Por isso, é 2,5 vezes o custo do último Nimitz construído, o USS George H.W. Bush, comissionado em 2009 por US$ 5,4 bilhões.

Segundo análise do Congressional Research Service, o salto deriva das 23 tecnologias novas do Ford somadas a atrasos no programa.

Além disso, o projeto sofreu 11 anos de delays entre o contrato em 2008 e a entrega operacional em 2017, com a primeira missão de combate só em 2022.

Por isso, o segundo navio da classe, USS John F. Kennedy (CVN-79), reduziu o custo unitário para US$ 11,9 bilhões e deve entrar em serviço em 2026 ou 2027.

Vista aérea do navio norte-americano no Mar Vermelho
Vista aérea do porta-aviões nuclear com 333 metros de comprimento e 78 metros de largura no convoo. Foto: US Navy/CENTCOM.

Como o porta-aviões se compara aos maiores navios militares do mundo

Segundo a CTBUH naval, o Ford é o maior porta-aviões em operação no mundo em 2026.

Conforme registros da US Navy, a classe Nimitz tem 332,8 metros de comprimento e 97.000 toneladas.

O HMS Queen Elizabeth britânico tem 280 metros e 65.000 toneladas, e o russo Admiral Kuznetsov tem 305 metros e 58.500 toneladas.

  • USS Gerald R. Ford (EUA): 100.000 t, 333 m, 90 aeronaves, comissionado 2017
  • USS Nimitz (EUA): 97.000 t, 332,8 m, 85 aeronaves, comissionado 1975
  • Fujian (China): 80.000 t, 320 m, 60 aeronaves, em testes 2024
  • HMS Queen Elizabeth (Reino Unido): 65.000 t, 280 m, 40 aeronaves, comissionado 2017
  • Admiral Kuznetsov (Rússia): 58.500 t, 305 m, 41 aeronaves, comissionado 1990

Conforme o Council on Foreign Relations, os Estados Unidos operam 11 porta-aviões nucleares, mais que todos os outros países somados.

Para comparação com outros navios em portos brasileiros, ver a cobertura naval do CPG e o Suncatcher orbital da SpaceX e Google.

USS John F. Kennedy entra em 2027 e os Doris Miller começam 2032

O cronograma da Marinha norte-americana prevê quatro navios da classe Ford até 2050.

Por isso, o segundo, USS John F. Kennedy (CVN-79), deve entrar em serviço em 2026 ou 2027 segundo a Huntington Ingalls Industries.

Conforme cronograma da Marinha, o terceiro USS Enterprise (CVN-80), tem previsão para 2029 com custo estimado em US$ 12 bilhões.

Além disso, o quarto USS Doris Miller (CVN-81), será o primeiro porta-aviões da Marinha norte-americana batizado em homenagem a um marinheiro afro-americano. Entrega prevista para 2032.

Construção do segundo porta-aviões classe Ford em Newport News
Construção do USS John F. Kennedy (CVN-79) em Newport News, Virgínia: segundo navio da classe Ford com entrega prevista para 2027. Foto: Huntington Ingalls Industries.

O navio retorna a Norfolk para período de manutenção programada de 60 dias antes do próximo deployment.

No entanto, a Marinha norte-americana ainda discute se o próximo desdobramento será ao Pacífico ou novamente ao Mediterrâneo.

Além disso, segundo análise estratégica da RAND Corporation, o tempo médio entre deployments do navio caiu de 18 meses para 12 meses entre 2022 e 2026.

Conforme o relatório, a pressão deriva da disputa naval com a China no Indo-Pacífico.

Conforme o relatório, a Marinha norte-americana ampliou a frequência operacional dos seus 11 porta-aviões para responder ao crescimento da frota chinesa que já soma 3 porta-aviões em operação em 2026.

Porém, para os 4.660 tripulantes que passaram 326 dias longe de casa, o retorno em 16 de maio marca um dos deployments mais longos da história naval norte-americana desde a Segunda Guerra Mundial.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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