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Incidente com tecnécio-99m no Ipen chama atenção no Brasil e revela o bastidor pouco conhecido do radiofármaco que sai de São Paulo para abastecer 2 milhões de exames médicos por ano

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 13/06/2026 às 09:00
Atualizado em 13/06/2026 às 09:02
Linha de produção de radiofármacos com recipientes azuis identificados por símbolo de radiação, em ambiente controlado de laboratório nuclear.
Imagem ilustrativa mostra recipientes usados em ambiente controlado de radiofarmácia, setor ligado à produção de materiais como o tecnécio-99m.
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Episódio confirmado pela CNEN envolve traços de contaminação na principal unidade responsável pela produção de radiofármacos utilizados na medicina nuclear brasileira

Uma ocorrência registrada no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus da USP, em São Paulo, trouxe para o centro do debate um dos materiais mais importantes da medicina nuclear moderna.

O episódio envolveu o tecnécio-99m, radiofármaco utilizado diariamente em hospitais e clínicas de todo o país. A ocorrência foi confirmada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) em 11 de junho de 2026, após a divulgação de informações apuradas pelo G1 com base em denúncia apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Sindsef-SP).

Dados da própria CNEN mostram que o Ipen atende aproximadamente 430 clínicas e hospitais brasileiros, contribuindo para cerca de 2 milhões de procedimentos médicos anuais, especialmente em exames ligados ao diagnóstico e acompanhamento de doenças graves, incluindo diferentes tipos de câncer.

Investigação interna identificou traços de contaminação durante a produção do material

Informações divulgadas pelo G1 apontam que a ocorrência foi registrada em 29 de maio de 2026, durante atividades realizadas no Centro de Radiofarmácia do instituto.

Um técnico que participava da produção de geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m teve a roupa contaminada durante o processo operacional.

Dias depois, em 1º de junho, um segundo vestígio de contaminação foi localizado no calçado de outro operador que atuava na mesma área.

Exames de contagem de corpo inteiro foram realizados nos dois profissionais para verificar a possibilidade de contaminação interna.

Resultados apresentados pela CNEN indicaram níveis considerados baixos, sem evidências de incorporação do material radioativo pelos trabalhadores.

Relato oficial da comissão também informou que o material permaneceu restrito à área controlada da instalação, sem indicação de propagação para ambientes externos.

Tecnécio-99m é considerado peça-chave da medicina nuclear mundial

Grande parte dos exames de medicina nuclear realizados atualmente depende do uso do tecnécio-99m.

Dados divulgados pela BBC apontam que esse é o isótopo radioativo mais utilizado no mundo para diagnósticos médicos.

Aplicações do material permitem a obtenção de imagens detalhadas de órgãos e estruturas internas do corpo humano.

Exames de cintilografia utilizam o radiofármaco para avaliar funções do coração, rins, pulmões e sistema ósseo, auxiliando médicos na identificação de alterações que muitas vezes não aparecem em exames convencionais.

Importância clínica do tecnécio-99m está diretamente ligada às suas características físicas.

Explicação fornecida pelo professor de química Rodrigo Machado ao G1 destaca que o material emite radiação porque seu núcleo é instável.

Tempo reduzido de meia-vida, estimado em aproximadamente seis horas, faz com que a radioatividade diminua rapidamente após a realização dos exames.

Produção depende da transformação do Molibdênio-99

Processo utilizado pelo Ipen começa com a produção de Molibdênio-99, substância que funciona como um gerador radioativo.

Transformação natural desse elemento produz o Tecnécio-99m, material efetivamente empregado nos procedimentos médicos realizados em hospitais e clínicas.

Capacidade de produção do instituto faz da unidade uma das estruturas mais estratégicas para o funcionamento da medicina nuclear brasileira.

Interrupções ou problemas operacionais nesse sistema podem impactar diretamente o abastecimento de radiofármacos utilizados em diversas regiões do país.

Autoridade nuclear solicitou esclarecimentos ao instituto

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) confirmou que a Radiofarmácia do Ipen possui autorização de operação vigente.

Notificação técnica encaminhada ao instituto estabeleceu prazo até 18 de junho de 2026 para apresentação de informações complementares.

Solicitação contempla dois conjuntos distintos de exigências.

Primeiro grupo aborda aspectos relacionados à manutenção das condições de licenciamento, incluindo proteção radiológica, gestão de rejeitos radioativos, procedimentos operacionais e cultura de segurança.

Segundo grupo concentra-se especificamente nos esclarecimentos sobre a ocorrência comunicada às autoridades reguladoras.

Posicionamento oficial da ANSN ressalta que notificações desse tipo fazem parte das atividades rotineiras de supervisão regulatória conduzidas pelo órgão.

Definição de eventuais medidas adicionais dependerá da análise técnica da documentação apresentada pelo instituto.

Caso reforça importância dos protocolos de segurança na produção de radiofármacos

Ocorrência registrada no Ipen chamou atenção para uma atividade essencial da saúde pública brasileira e para os protocolos adotados na produção de materiais utilizados diariamente na medicina nuclear.

Confirmação da CNEN de que não houve evidência de contaminação interna nos trabalhadores envolvidos mantém o foco da investigação nos procedimentos operacionais e nas informações solicitadas pelos órgãos reguladores.

Acompanhamento conduzido pela ANSN deverá esclarecer os detalhes do episódio e avaliar se novas medidas serão necessárias para garantir a continuidade das operações dentro dos padrões exigidos de segurança radiológica.

Você acha que o incidente com tecnécio-99m no Ipen pode afetar a confiança na produção de radiofármacos usados em exames médicos no Brasil?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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