1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / China quer transformar a usina solar espacial em fonte de energia limpa, mas estudo revela que os mesmos feixes de micro-ondas enviados da órbita para a Terra também podem servir para guerra eletrônica, controle de comunicações e apoio militar em larga escala
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 4 comentários

China quer transformar a usina solar espacial em fonte de energia limpa, mas estudo revela que os mesmos feixes de micro-ondas enviados da órbita para a Terra também podem servir para guerra eletrônica, controle de comunicações e apoio militar em larga escala

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 06/04/2026 às 15:57
Atualizado em 06/04/2026 às 18:18
Usina solar espacial da China pode gerar energia limpa e também apoiar comunicações, interferência eletrônica e funções militares.
Usina solar espacial da China pode gerar energia limpa e também apoiar comunicações, interferência eletrônica e funções militares.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
41 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A usina solar espacial da China, criada para captar energia solar quase contínua em órbita e transmiti-la à Terra por feixes de micro-ondas altamente controlados, passou a ser vista também como peça estratégica com potencial para comunicação, navegação, interferência eletrônica e suporte a operações militares

A usina solar espacial planejada pela China voltou ao centro das atenções após cientistas indicarem que a mesma infraestrutura projetada para gerar energia limpa em órbita também poderá sustentar operações militares, como controle de comunicações e guerra eletrônica.

O projeto prevê uma estrutura orbital de grande escala capaz de captar energia solar no espaço e transmiti-la à Terra por meio de feixes de micro-ondas altamente focalizados.

A proposta está ligada ao conceito de energia solar baseada no espaço, que busca aproveitar a incidência quase contínua de luz solar em órbita, sem interferência do clima ou do ciclo de dia e noite.

Nesse modelo, a energia captada é convertida em eletricidade e enviada sem fio para estações receptoras na Terra, normalmente por micro-ondas ou lasers.

Sistema da usina solar espacial pode ter funções militares

O debate ganhou força após a publicação de um artigo assinado por Duan Baoyan, professor da Universidade Xidian e apontado como um dos principais arquitetos da iniciativa chinesa “Zhuri”, também chamada de “perseguição solar”.

No estudo, ele descreve uma arquitetura reformulada para o sistema, com capacidade para desempenhar múltiplas funções além do envio de energia a partir do espaço.

Entre essas funções estão comunicação, navegação, reconhecimento, interferência e controle remoto, o que amplia o alcance estratégico da proposta. A tecnologia continua apresentada como uma futura fonte de energia limpa, mas o potencial de dupla utilização passou a ser tratado como um dos pontos centrais do projeto.

A arquitetura utiliza feixes de micro-ondas extremamente estreitos e direcionáveis com alta precisão, capazes de transmitir energia da órbita para receptores terrestres a longas distâncias. Embora o objetivo principal seja a transferência eficiente de energia, essa mesma capacidade de formação de feixe pode, em teoria, ser aplicada para atingir sistemas de comunicação, interferir em sinais ou proteger comunicações militares.

Como funciona o projeto orbital da China

A base tecnológica da usina solar espacial está no aproveitamento da luz solar em órbita, onde os painéis operam sem perdas atmosféricas e sem cobertura de nuvens. Pesquisadores avaliam que, nessas condições, sistemas orbitais podem produzir muito mais energia por unidade de área do que fazendas solares terrestres.

O desenho chinês recebeu o nome de OMEGA, sigla para Orbit M-shaped Exploration and Gigawatt Application, e foi apresentado pela primeira vez nos anos 2010.

Desde então, o conceito evoluiu para uma arquitetura modular, composta por várias unidades menores de coleta solar, uma escolha voltada a reduzir desafios de engenharia, melhorar o gerenciamento térmico e manter o sistema operando mesmo com falhas em parte dos módulos.

Apesar do avanço conceitual, o projeto ainda enfrenta obstáculos técnicos e econômicos relevantes. Entre eles estão a construção de estruturas com escala de quilômetros em órbita, a transmissão de energia por dezenas de milhares de quilômetros e a necessidade de manter controle preciso dos feixes durante toda a operação.

Corrida internacional por energia solar no espaço

A China não está sozinha nessa disputa e a busca por sistemas de energia solar espacial mobiliza agências e centros de pesquisa em diferentes países. Nos Estados Unidos, a NASA já explorou o conceito SPS-ALPHA, baseado em grandes redes de unidades modulares para captar energia solar e transmiti-la à Terra.

Na Califórnia, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia lançaram em 2023 o protótipo Space Solar Power Demonstrator. O projeto testou estruturas implantáveis, células fotovoltaicas avançadas e uma matriz de micro-ondas capaz de transmitir energia sem fio em órbita.

A Europa também estuda o tema por meio da iniciativa SOLARIS, da Agência Espacial Europeia, que avalia se usinas orbitais poderão fornecer energia renovável contínua à Terra nas próximas décadas. O interesse crescente em diferentes regiões reforça que a usina solar espacial deixou de ser apenas uma hipótese distante e passou a integrar planos concretos de pesquisa.

A usina solar espacial dentro da estratégia chinesa

O esforço chinês nesse campo aparece ao lado de outros projetos espaciais de longo prazo que revelam a escala do planejamento do país. Entre eles estão conceitos como o “Projeto Nantianmen”, descrito na mídia chinesa como um sistema teórico de porta-aviões espacial, além de propostas para a construção de um reator nuclear na Lua no início da década de 2030.

Outras missões em andamento seguem a mesma linha de experimentação, como a Tianwen-2, que deverá executar uma operação de coleta de amostras de asteroides com braços robóticos projetados para se ancorarem em uma rocha espacial em rotação. O país também discutiu conceitos de lançamento futuristas, incluindo uma plataforma eletromagnética capaz de acelerar espaçonaves com sistemas terrestres em vez de foguetes convencionais.

Nesse cenário, a usina solar espacial Zhuri surge como parte de uma estratégia mais ampla voltada à criação de infraestrutura orbital de longa duração. Seu objetivo principal segue sendo a geração contínua de energia limpa, mas a capacidade de transmitir micro-ondas altamente controladas e de apoiar funções de comunicação e navegação indica que o sistema também poderá integrar uma rede orbital maior de suporte a satélites e outros sistemas espaciais.

A tecnologia ainda é tratada como experimental, mas os avanços em transmissão de energia sem fio, estruturas espaciais modulares e fabricação orbital aproximam aplicações práticas de ideias antes restritas a estudos teóricos.

Com isso, a usina solar espacial chinesa passa a concentrar interesse não apenas como projeto energético, mas também como peça de valor estratégico em futuras operações no espaço e na Terra

Inscreva-se
Notificar de
guest
4 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Helde Lima
Helde Lima
12/04/2026 17:57

Acho que esses chineses sao todos mineiros, vão comendo quietinho

Ludy
Ludy
09/04/2026 14:41

Essa ideia foi minha, tinha 10 anos na época, não sei como isso foi possível. Uma fez conversei com o chat gpt sobre isso. Engraçado um país agora querer fazer isso.

Mercês
Mercês
08/04/2026 08:31

A CHINA acha que o mundo ao seu redor é ****, vai comendo pelas beiradas, não sabe nem cuidar de mais de 1 bilhão de chineses e quer dominar o mundo? Psicopatia puríssima.

Edilson
Edilson
Em resposta a  Mercês
09/04/2026 16:01

Estão fazendo o serviço, e você aí fazendo o julgamento. Quem irá vencer? Aliás o governo cuidar de 1 bilhão? E as pessoas não sabem se cuidar? Hoo coitado…

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
4
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x