Arqueólogos localizam a lendária cidade perdida Alexandria do Tigre perto do Golfo Pérsico. Descoberta revela planejamento urbano, palácio central e hub comercial helenístico.
Depois de séculos esquecida sob sedimentos costeiros do Golfo Pérsico, a lendária cidade perdida Alexandria do Tigre foi finalmente identificada por uma equipe internacional de arqueólogos.
Fundada por Alexandre, o Grande, no século IV a.C., a metrópole, conhecida também como Charax Spasinou, funcionava como um dos hubs comerciais mais importantes da Antiguidade, conectando rios interiores e rotas marítimas à rica rede de cidades mesopotâmicas.
Usando drones, magnetometria de césio e mapeamentos topográficos avançados, os pesquisadores reconstruíram digitalmente o plano urbano, revelando ruas em grade, setores industriais, blocos residenciais amplos e um palácio central de impressionantes proporções.
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A descoberta oferece novas perspectivas sobre como a geografia costeira moldava a economia e a política das cidades helenísticas no Oriente Médio.
Leia o estudo publicado no periódico Economies of the Edge,
Cidade perdida fundada por Alexandre, o Grande é encontrada sob sedimentos no Golfo Pérsico e descoberta revela centro comercial gigante da Antiguidade
Para mapear a cidade perdida, arqueólogos da Universidade de Tübingen e da Universidade de Basileia combinaram magnetometria de césio, drones e levantamentos topográficos. O sítio cobre cerca de 6 km², com blocos residenciais de 160 x 85 metros e muralhas defensivas que chegam a seis metros de altura.
As áreas industriais continham fornos e depósitos de mercadorias, enquanto o palácio de Mesene, com 110 x 100 metros, indicava luxo e controle administrativo. Ruas pavimentadas e sistemas de drenagem mostram o cuidado com organização e infraestrutura.

Hub comercial entre rios e mar
A Alexandria do Tigre funcionava como um hub estratégico, redistribuindo mercadorias vindas da Índia e do Golfo Pérsico para cidades como Seleucia, Ctesiphon e Nipur.
Produtos importados incluíam tecidos finos, perfumes, pedras preciosas e metais valiosos, enquanto exportações locais abrangiam vinhos, tâmaras e cerâmica.
O porto costeiro também abrigava colônias de mercadores estrangeiros, incluindo comerciantes de Palmira, reforçando o caráter multicultural da cidade e sua importância comercial regional.
Luxo e poder no Palácio de Mesene
O palácio de Mesene, no centro da cidade, possuía pátios peristilos, colunas caneladas de tijolo cozido e reboco de alta qualidade, comparável às construções de centros urbanos como Nipur.
Servia como sede administrativa e palco de disputas dinásticas, incluindo eventos registrados da dinastia Arsácida, como a conquista por Vologases III em 150/151 d.C.
Declínio ambiental e preservação natural
O declínio da cidade não ocorreu por guerras, mas por fatores ambientais. O rápido acúmulo de sedimentos e a mudança dos canais fluviais afastaram a cidade da linha costeira, comprometendo o porto e o comércio marítimo.
Mesmo assim, a sedimentação preservou ruas, fundações e o palácio, permitindo que arqueólogos reconstruíssem digitalmente a cidade.
Alexandria do Tigre deixou de ser capital por volta de 410 d.C., mas bispos cristãos residiram na região até pelo menos 605 d.C.
Alexandria do Tigre comparada à Alexandria do Egito
Embora menos conhecida, a Alexandria do Tigre compartilhava funções semelhantes com a cidade egípcia: ambas conectavam rios e mares, funcionavam como centros culturais e comerciais e foram planejadas em grande escala pelos sucessores de Alexandre.
A localização costeira do Golfo Pérsico trouxe desafios únicos, como inundações frequentes e sedimentação rápida, limitando seu prestígio histórico.
Ainda assim, a cidade permaneceu relevante como centro administrativo e hub comercial durante séculos.
A redescoberta da cidade perdida Alexandria do Tigre no litoral do Golfo Pérsico amplia a compreensão sobre urbanismo, comércio e cultura helenística no Oriente Médio.

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