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União Europeia prepara plano para encerrar importações de petróleo e gás russos

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 17/12/2025 às 12:45
Parlamento Europeu aprova plano para eliminar gás russo e Comissão Europeia prepara proposta para acabar gradualmente com importações de petróleo da Rússia.
Parlamento Europeu aprova plano para eliminar gás russo e Comissão Europeia prepara proposta para acabar gradualmente com importações de petróleo da Rússia.
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Parlamento Europeu aprova plano para eliminar gás russo e Comissão Europeia prepara proposta para acabar gradualmente com importações de petróleo da Rússia.

A União Europeia deu mais um passo decisivo para redesenhar sua política energética ao aprovar um plano que prevê o fim gradual das importações de gás da Rússia. A medida, que também abre caminho para uma proposta específica sobre o petróleo russo, reforça o compromisso do bloco em reduzir a dependência de combustíveis fósseis provenientes de Moscou, em resposta direta à guerra na Ucrânia.

A decisão foi tomada em um momento de reorganização do mercado europeu de energia, marcado por pressões geopolíticas, busca por segurança no abastecimento e aceleração de estratégias de diversificação de fornecedores.

O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira o plano da União Europeia para eliminar gradualmente as importações de gás russo até o fim de 2027. A votação representou a superação de um dos últimos entraves legais para que a proibição entre em vigor.

Ao todo, 500 parlamentares votaram a favor da proposta, enquanto 120 se posicionaram contra e 32 se abstiveram. O resultado demonstra ampla maioria em apoio à ruptura energética com a Rússia, antiga principal fornecedora de gás da Europa.

Apesar da aprovação no Parlamento, a legislação ainda precisa passar por uma etapa formal. A expectativa é que os ministros da União Europeia validem o acordo no início do próximo ano, sem alterações no texto aprovado.

Legislação busca contornar resistência interna

A lei foi estruturada para ser aprovada por maioria reforçada de países-membros, um mecanismo que permite superar resistências internas. Hungria e Eslováquia, por exemplo, defenderam a manutenção de relações energéticas com Moscou e se posicionaram contra a proposta.

Com esse formato jurídico, a União Europeia busca garantir a implementação do plano mesmo diante da oposição de alguns governos, reforçando o caráter estratégico da decisão para o bloco como um todo.

Cronograma prevê fim do gás russo até 2027

De acordo com o acordo aprovado, a UE suspenderá as importações de gás natural liquefeito (GNL) da Rússia até o final de 2026. Já o fornecimento de gás por gasodutos deverá ser encerrado até o fim de setembro de 2027.

Os números mostram uma mudança significativa nos últimos anos. Em outubro, a Rússia respondeu por cerca de 12% das importações de gás da União Europeia. Antes da invasão da Ucrânia, em 2022, essa participação era de aproximadamente 45%.

Mesmo com a queda expressiva, alguns países ainda mantêm compras do combustível russo. Hungria, França e Bélgica estão entre os Estados-membros que continuam recebendo gás de Moscou.

Comissão Europeia mira também o petróleo russo

Além do gás, a Comissão Europeia deixou claro que o petróleo também está no centro da estratégia de afastamento energético. O órgão anunciou que apresentará, no início de 2026, uma proposta legislativa específica para eliminar gradualmente as importações de petróleo russo.

A iniciativa deve seguir a mesma lógica aplicada ao gás, com prazos escalonados e mecanismos legais para garantir adesão dos países-membros. O objetivo é reduzir de forma definitiva a exposição do bloco europeu às exportações de petróleo da Rússia.

Essa movimentação ocorre em um contexto de sanções econômicas já impostas desde o início do conflito na Ucrânia, que afetaram o comércio de petróleo, carvão e derivados energéticos russos com países ocidentais.

Guerra na Ucrânia redefine política energética da Europa

A ruptura energética com Moscou cumpre uma promessa feita pela União Europeia após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. Desde então, o bloco vem adotando uma série de medidas para diminuir sua dependência de recursos russos, incluindo acordos com novos fornecedores e investimentos em fontes alternativas.

A exclusão gradual do petróleo russo é vista como mais um passo nessa trajetória. No entanto, especialistas apontam que o processo exige ajustes complexos na logística, nos contratos de longo prazo e no equilíbrio de preços do mercado internacional de petróleo.

Impactos no mercado e na geopolítica do petróleo

A decisão europeia tende a provocar reflexos no mercado global de petróleo, uma vez que redireciona fluxos comerciais e pressiona a Rússia a buscar novos compradores. Ao mesmo tempo, países produtores de outras regiões podem ganhar espaço no fornecimento ao bloco europeu.

Internamente, a UE aposta que a diversificação de fontes e a redução da dependência russa trarão maior estabilidade energética no médio e longo prazo, mesmo diante de desafios econômicos e políticos no curto prazo.

Com a aprovação do plano e a sinalização clara sobre o petróleo, a União Europeia consolida uma das maiores reconfigurações de sua política energética nas últimas décadas, alinhando decisões econômicas, estratégicas e geopolíticas em um cenário global cada vez mais complexo.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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