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Uma partícula menor que um fio de cabelo acelera com luz e promete transformar a extração de urânio do oceano em aposta gigante para alimentar reatores nucleares da China sem depender só do velho método passivo de coleta

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/04/2026 às 00:21
Atualizado em 27/04/2026 às 07:32
Micromotor chinês movido a luz captura urânio da água do mar e pode abrir nova fase na extração oceânica.
Micromotor chinês movido a luz captura urânio da água do mar e pode abrir nova fase na extração oceânica.
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Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram um micromotor movido a luz que navega pela água, captura íons de urânio e pode abrir uma nova rota para explorar os 4,5 bilhões de toneladas dissolvidas no oceano, embora a tecnologia ainda enfrente desafios de escala.

A extração de urânio da água do mar ganhou um novo avanço com pesquisadores liderados por chineses, que criaram um micromotor movido a luz capaz de navegar na água e capturar ativamente íons do combustível usado em reatores nucleares.

Extração de urânio avança com micromotor movido a luz

A tecnologia foi desenvolvida por uma equipe da Academia Chinesa de Ciências, no Instituto de Lagos Salgados de Qinghai. O sistema usa uma estrutura metalorgânica, conhecida como MOF, capaz de converter luz em movimento e atuar como um coletor autopropulsor em microescala.

O urânio segue como combustível essencial para reatores nucleares. Embora existam cerca de 4,5 bilhões de toneladas dissolvidas na água do mar, a concentração extremamente baixa sempre tornou a extração tecnicamente complexa e economicamente inviável.

A busca por soluções no oceano tem relação direta com a expansão da capacidade nuclear chinesa. Como o país ainda depende de importações, garantir um fornecimento estável de urânio se tornou uma prioridade estratégica para Pequim.

Material inovador imita predadores para isolar urânio em ambientes aquáticos. (Imagem representativa)

Partículas porosas se movem na água e capturam íons

Em escala microscópica, a equipe produziu partículas porosas semelhantes a esponjas, com cerca de 2 micrômetros de diâmetro. Elas são bem mais finas que um fio de cabelo humano e tiveram sua composição química interna ajustada para manter estabilidade a longo prazo em ambientes aquosos.

Essas partículas funcionam como micromotores. Quando expostas a pequenas quantidades de peróxido de hidrogênio, geram propulsão e se deslocam pela água a cerca de 7 micrômetros por segundo, substituindo a difusão passiva por navegação ativa.

A exposição à luz aumenta o desempenho do sistema. Nessa condição, as partículas aceleram, quase dobram sua velocidade e ganham um impulso movido a energia solar, o que reforça o potencial do material como coletor ativo.

Nos testes de laboratório, os micromotores demonstraram alta eficiência na extração de urânio da água. O material capturou até 406 miligramas por grama, e o urânio foi convertido em uma forma mineralizada estável, facilitando a separação e o armazenamento seguro.

Tecnologia tenta superar limites dos adsorventes tradicionais

O novo sistema se diferencia dos adsorventes convencionais porque não depende apenas do contato passivo com os íons de urânio. Em vez de permanecer parado, o micromotor navega pela água para localizar e capturar o material.

Yongquan Zhou, líder da equipe de pesquisa, afirmou que trabalhos anteriores com micromotores movidos a luz não tinham foco específico na extração de urânio. A tecnologia de base já existia, mas sua aplicação nesse campo ainda permanecia relativamente pouco explorada.

O comportamento autônomo é um dos pontos centrais do avanço. Alimentado por luz, o micromotor se desloca sozinho e oferece uma abordagem mais eficiente em termos energéticos, além de ambientalmente mais adequada que materiais tradicionais e estáticos.

Em experimentos controlados, os pesquisadores também registraram comportamentos emergentes parecidos com dinâmicas biológicas de predador e presa. Quando micromotores ativos foram combinados com partículas coloidais passivas, surgiram padrões semelhantes a caça, fuga e movimento coordenado em enxame.

Essas interações mudaram conforme a concentração de combustível foi alterada. O resultado reforçou a complexidade do sistema em microescala e mostrou que o movimento ativo pode influenciar diretamente o modo como as partículas interagem no ambiente aquoso.

Pesquisa ainda enfrenta desafios de escala

Grande parte do trabalho experimental foi conduzida por Ikram Muhammad. Para Zhou, o conceito também pode ser ampliado futuramente para recuperar outros elementos estratégicos, como rubídio e césio.

Apesar dos resultados iniciais promissores, a tecnologia ainda está em estágio inicial. A aplicação prática depende de novas pesquisas, melhorias de engenharia e soluções para ampliar o sistema além dos testes de laboratório.

Ambientes de alta salinidade, como lagos salgados, ainda limitam o funcionamento dos micromotores. Esse obstáculo mantém a extração de urânio por micromotores ativos como uma tecnologia em desenvolvimento, com potencial relevante, mas ainda distante de uso amplo.

Com informações de South China Morning Post.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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