1. Início
  2. Curiosidades
  3. Uma mina de carvão escavada sob o fundo do mar sustentou por décadas uma cidade inteira no meio do oceano, quando o carvão acabou, 5.000 moradores partiram e deixaram para trás Hashima, a “ilha navio” do Japão, hoje um dos lugares abandonados mais impressionantes do planeta
Faça um comentário 7 min de leitura

Uma mina de carvão escavada sob o fundo do mar sustentou por décadas uma cidade inteira no meio do oceano, quando o carvão acabou, 5.000 moradores partiram e deixaram para trás Hashima, a “ilha navio” do Japão, hoje um dos lugares abandonados mais impressionantes do planeta

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 17/03/2026 às 17:44
Assista o vídeoUma mina de carvão escavada sob o fundo do mar sustentou por décadas uma cidade inteira no meio do oceano, quando o carvão acabou, 5.000 moradores partiram e deixaram para trás Hashima, a “ilha navio” do Japão, hoje um dos lugares abandonados mais impressionantes do planeta
Foto: Reprodução/Mar sem fim
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Hashima, a “ilha navio” do Japão, abrigou mais de 5 mil pessoas sobre uma mina submarina de carvão e foi abandonada em 1974. Hoje é um dos lugares fantasma mais impressionantes do mundo.

A poucos quilômetros da costa de Nagasaki, no Japão, existe uma pequena ilha cercada por muros de concreto e edifícios em ruínas que parecem emergir diretamente do mar. Vista à distância, sua silhueta lembra a forma de um navio de guerra. Foi justamente essa aparência que deu origem ao apelido que a tornaria famosa no mundo inteiro: Gunkanjima, ou “ilha navio”. O nome oficial do lugar é Hashima, uma pequena ilha que durante décadas funcionou como uma verdadeira cidade industrial construída sobre uma mina submarina de carvão. Em seu auge, mais de 5.000 pessoas viveram em apenas 6,3 hectares, transformando o local em uma das áreas mais densamente povoadas do planeta.

Por quase um século, Hashima foi um símbolo da rápida industrialização japonesa. Trabalhadores desciam diariamente centenas de metros abaixo do fundo do mar para extrair carvão que alimentava fábricas, navios e usinas do país. Quando a era do carvão chegou ao fim, porém, a cidade inteira desapareceu praticamente da noite para o dia.

Hoje, décadas depois de ter sido abandonada, a ilha permanece congelada no tempo — com prédios vazios, escadas quebradas e corredores silenciosos que contam a história de um dos lugares mais incomuns já construídos pelo ser humano.

A origem de Hashima: uma ilha transformada em centro de mineração submarina

A história de Hashima começa no final do século XIX, quando depósitos de carvão foram descobertos sob o fundo do mar na região de Nagasaki. O carvão era um recurso estratégico naquele período, pois alimentava locomotivas, navios a vapor e indústrias que impulsionavam a revolução industrial japonesa.

Em 1887, começaram as primeiras operações de mineração na ilha. Poucos anos depois, em 1890, a poderosa empresa japonesa Mitsubishi comprou Hashima e iniciou um grande projeto de exploração industrial.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Para alcançar os depósitos de carvão, engenheiros construíram túneis que se estendiam centenas de metros abaixo do fundo do oceano. Trabalhadores desciam diariamente nesses corredores subterrâneos para extrair o mineral, que era transportado até a superfície e embarcado em navios.

Com o crescimento da mineração, tornou-se necessário criar uma comunidade permanente para os trabalhadores. Assim começou a transformação da pequena ilha rochosa em uma cidade compacta, construída praticamente sobre o mar.

A construção de uma cidade vertical no meio do oceano

Como Hashima tinha uma área extremamente limitada, a solução encontrada foi construir edifícios altos e densos. A ilha se tornou um laboratório de arquitetura urbana compacta muito antes de esse conceito se tornar comum nas grandes cidades.

Durante o início do século XX, foram erguidos vários prédios de concreto armado, algo relativamente raro no Japão daquela época. Um dos edifícios construídos em 1916 é frequentemente citado como um dos primeiros grandes prédios de concreto do país.

Esses edifícios abrigavam apartamentos pequenos onde viviam famílias de mineiros. Apesar do espaço reduzido, a ilha possuía praticamente tudo que uma cidade precisa para funcionar:

  • escolas
  • hospital
  • cinema
  • lojas
  • barbearias
  • restaurantes
  • áreas de lazer

As crianças brincavam nos telhados dos prédios, já que quase não havia espaço livre no solo. Passarelas e escadas conectavam os edifícios, criando uma espécie de cidade vertical onde quase tudo era acessível a pé.

Uma das maiores densidades populacionais do planeta

Durante a década de 1950, Hashima atingiu seu auge populacional. Em 1959, cerca de 5.300 pessoas viviam na ilha, que possui apenas 6,3 hectares de área.

Isso significa que a densidade populacional ultrapassava 80.000 habitantes por quilômetro quadrado, um número muito superior ao de muitas metrópoles modernas. Para efeito de comparação, cidades extremamente densas como Tóquio ou Nova York possuem densidades muito menores do que Hashima tinha naquele período.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A ilha era um ambiente extremamente compacto. Praticamente todos os espaços disponíveis estavam ocupados por edifícios ou instalações da mineração.

Apesar disso, relatos de antigos moradores indicam que a comunidade possuía uma vida relativamente organizada. Havia escolas para as crianças, áreas de convivência e até clubes esportivos para os trabalhadores.

A vida diária em uma cidade construída sobre uma mina submarina

A rotina em Hashima girava completamente em torno da mineração. Todos os dias, mineiros desciam por elevadores que levavam a túneis escavados sob o fundo do oceano. Essas galerias subterrâneas eram quentes, úmidas e muitas vezes perigosas. A mineração de carvão sempre foi uma atividade de alto risco, com possibilidade de desmoronamentos e acúmulo de gases.

Mesmo assim, o trabalho na ilha oferecia salários relativamente estáveis em comparação com outras regiões do Japão naquele período. Isso atraiu trabalhadores e famílias inteiras para viver naquele pequeno território cercado por muros de concreto.

Os muros eram necessários para proteger a ilha das fortes ondas do Mar da China Oriental, que frequentemente atingiam a costa durante tempestades. A vida na ilha era isolada, mas também muito estruturada. Navios conectavam Hashima ao continente regularmente, trazendo alimentos, suprimentos e novos trabalhadores.

O declínio do carvão e o início do abandono

Durante grande parte do século XX, o carvão foi uma das principais fontes de energia do Japão. No entanto, a partir da década de 1960, o país começou a mudar sua matriz energética. O petróleo, que se tornava cada vez mais barato e eficiente, passou a substituir o carvão em várias indústrias.

Esse processo teve consequências diretas para Hashima. À medida que a demanda por carvão diminuía, a mineração na ilha começou a perder viabilidade econômica. Em 1974, a Mitsubishi anunciou o fechamento definitivo da mina.

Sem a mineração, não havia motivo para manter a cidade funcionando. Em poucos meses, todos os moradores deixaram a ilha. A evacuação foi rápida. Famílias inteiras partiram levando apenas seus pertences essenciais. Apartamentos, escolas e prédios comerciais ficaram vazios. De um dia para o outro, Hashima se transformou em uma cidade fantasma no meio do oceano.

Décadas de abandono e o avanço da deterioração

Após o fechamento da mina, Hashima permaneceu completamente abandonada por décadas. O mar, o vento e o clima salino começaram a deteriorar lentamente as estruturas de concreto.

Sem manutenção, muitos prédios sofreram colapsos parciais. Escadas desmoronaram, janelas desapareceram e plantas começaram a crescer entre as rachaduras.

Durante muitos anos, o acesso à ilha foi proibido por questões de segurança. Mesmo assim, sua imagem começou a circular pelo mundo, especialmente entre fotógrafos e exploradores urbanos interessados em locais abandonados.

A aparência dramática da ilha — com edifícios deteriorados cercados por mar aberto — ajudou a transformar Hashima em um dos cenários urbanos abandonados mais famosos do planeta.

A redescoberta turística da ilha Hashima

Em 2009, após avaliações estruturais e adaptações de segurança, parte da ilha foi finalmente aberta para visitação turística controlada. Passarelas foram construídas para permitir que visitantes observem as ruínas sem se aproximar das áreas mais perigosas.

Foto: Divulgação

Desde então, Hashima se tornou uma atração turística popular na região de Nagasaki. Barcos levam visitantes até a ilha, onde guias explicam a história da mineração e da comunidade que viveu ali.

Apesar de apenas uma pequena área ser acessível ao público, o impacto visual do lugar continua impressionante. Os prédios deteriorados, alinhados lado a lado, criam uma paisagem que parece saída de um filme pós-apocalíptico.

Reconhecimento internacional e patrimônio mundial

Em 2015, Hashima recebeu reconhecimento internacional ao ser incluída na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. A ilha faz parte do conjunto denominado “Sites da Revolução Industrial Meiji do Japão”, que reúne locais históricos ligados ao processo de industrialização acelerada do país entre os séculos XIX e XX.

O reconhecimento destacou o papel da mineração de carvão e da indústria pesada no desenvolvimento econômico japonês. Hoje, Hashima representa não apenas uma cidade abandonada, mas também um testemunho histórico de um período fundamental da transformação industrial do Japão.

Uma cidade fantasma que preserva a memória da industrialização japonesa

Mais de cinquenta anos após ter sido abandonada, Hashima continua despertando fascínio em visitantes, historiadores e fotógrafos.

O que antes era uma pequena ilha mineradora se transformou em um dos lugares abandonados mais conhecidos do mundo. Seus edifícios deteriorados e ruas silenciosas são um retrato poderoso de como cidades inteiras podem surgir e desaparecer dependendo das mudanças econômicas e tecnológicas.

Ao caminhar pelas passarelas que hoje permitem observar a ilha, é possível imaginar o som das máquinas, o movimento das famílias e a rotina intensa dos mineiros que viveram ali.

Hashima permanece como um lembrete concreto de um momento em que o carvão impulsionava a indústria global e de como uma cidade inteira pode desaparecer quando a fonte de energia que a sustentava deixa de existir.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x