A jovem galesa Phoebe Tesoriere, de 23 anos, recebeu diagnósticos errados de ansiedade, depressão e epilepsia durante 4 anos até que, após sair de um coma de 3 dias provocado por convulsão, digitou seus sintomas no ChatGPT, que sugeriu paraplegia espástica hereditária, confirmada por exames genéticos.
Durante quatro anos, uma jovem de 23 anos chamada Phoebe Tesoriere ouviu de médicos que seus problemas eram ansiedade, depressão e epilepsia. A jovem, que mora em Cardiff, capital do País de Gales, chegou a ser alertada por profissionais de saúde de que seria tratada como paciente psiquiátrica se continuasse retornando ao pronto atendimento. Nenhum dos diagnósticos explicava o conjunto completo de sintomas que ela apresentava desde a infância, incluindo dificuldade para andar, problemas de equilíbrio e convulsões que se tornaram cada vez mais graves ao longo dos anos.
O ponto de virada aconteceu em julho de 2025, quando uma convulsão grave deixou a jovem em coma por três dias. Ao se recuperar, um médico disse a Phoebe que ela não tinha epilepsia, mas sim ansiedade, contradizendo o diagnóstico anterior. Foi então que a jovem decidiu digitar seus sintomas no ChatGPT. O chatbot respondeu com uma lista de possíveis condições, incluindo paraplegia espástica hereditária, uma doença rara que afeta a coordenação motora. A jovem apresentou a sugestão ao clínico geral, que concordou que era uma hipótese plausível, e exames genéticos confirmaram o diagnóstico que nenhum médico havia sequer considerado em quatro anos de consultas.
Os quatro anos de diagnósticos errados que a jovem enfrentou antes do ChatGPT

Segundo g1, a história de Phoebe Tesoriere começa na infância. A jovem mancou durante toda a infância, nasceu sem uma cavidade articular no quadril e passou por cirurgias quando bebê. Ela também tinha problemas de equilíbrio e chegou a ser testada para dispraxia, condição que afeta a coordenação física, mas o resultado foi negativo.
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Os sintomas foram sempre atribuídos às cirurgias infantis, e ninguém conectou os pontos entre os diferentes problemas que a jovem apresentava.
Aos 19 anos, a jovem desmaiou e teve uma convulsão no trabalho, mas os médicos disseram que era ansiedade. “Eu não tinha histórico de ansiedade, era uma pessoa muito feliz e vibrante”, relatou Phoebe.
Em 2022, a jovem recebeu diagnóstico de epilepsia e começou a tomar medicação. Em dezembro de 2024, voltou a se sentir mal e não conseguia manter a medicação, o que causou mais convulsões. Foi diagnosticada erroneamente com paralisia de Todd, uma condição associada à epilepsia. Em janeiro de 2025, caiu de uma escada e passou três meses no hospital com exames inconclusivos.
O momento em que a jovem decidiu perguntar ao ChatGPT
Após sair do coma de três dias em julho de 2025, a jovem recebeu mais uma vez o diagnóstico de ansiedade em vez de uma explicação neurológica concreta.
Frustrada e sem respostas após quatro anos, Phoebe digitou todos os seus sintomas no ChatGPT e recebeu uma lista de condições possíveis, entre elas a paraplegia espástica hereditária. A jovem analisou a sugestão várias vezes com sua parceira antes de decidir levar a hipótese ao médico.
“Analisei a questão várias vezes perguntando ‘vou ao médico?’, ‘não vou?’, ‘o que devo fazer?’, ‘com certeza não pode ser isso'”, relembrou a jovem.
O clínico geral concordou que a paraplegia espástica hereditária era uma razão plausível para o conjunto de sintomas, e testes genéticos confirmaram o diagnóstico. Uma ferramenta de inteligência artificial encontrou em segundos o que profissionais de saúde não identificaram em quatro anos de consultas, internações e exames.
O que é a paraplegia espástica hereditária que o ChatGPT sugeriu para a jovem
A paraplegia espástica hereditária é uma condição neurológica rara que afeta a capacidade motora e a coordenação. Segundo o NHS, o serviço de saúde pública do Reino Unido, não se sabe quantas pessoas sofrem dessa condição porque ela muitas vezes não é diagnosticada.
Os sintomas incluem rigidez e fraqueza progressiva nas pernas, dificuldade de equilíbrio e problemas de coordenação que podem ser confundidos com outras condições neurológicas ou até com transtornos psiquiátricos.
Os sintomas podem ser controlados com fisioterapia, mas não existe cura para a condição. A jovem não consegue mais trabalhar como professora de alunos com necessidades educacionais especiais devido aos sintomas e hoje usa cadeira de rodas.
Apesar das limitações, Phoebe busca um novo caminho profissional cursando mestrado em psicologia, afirmando que ainda quer “fazer algo que ajude as pessoas”. O diagnóstico correto, mesmo tardio, pelo menos permitiu que ela entendesse o que acontece com seu corpo e parasse de tomar medicação para epilepsia que nunca teve.
O que médicos e especialistas dizem sobre usar inteligência artificial para diagnóstico
A clínica geral Rebeccah Tomlinson, que atende a região de Cardiff, reconhece que a situação reflete uma pressão real sobre os profissionais de saúde. “É difícil para os clínicos gerais conhecer tudo, e com as pressões sobre o NHS, precisamos saber ainda mais”, declarou a médica.
Ela recomenda que pacientes que pesquisarem sintomas em ferramentas de IA levem os resultados para discutir com profissionais, e que os médicos estejam abertos a ouvir o que os pacientes trazem.
Um estudo recente da Universidade de Oxford concluiu que chatbots de IA fornecem aconselhamento médico inconsistente, misturando respostas boas e ruins, o que dificulta a identificação de quais sugestões são confiáveis.
A jovem Phoebe teve sorte de que a sugestão do ChatGPT era precisa, mas o mesmo sistema poderia ter sugerido condições erradas que levariam a outros caminhos equivocados. Para Tomlinson, ferramentas de IA “são um bom ponto de partida, que deve ser seguido por consulta a um profissional médico para discutir as preocupações com mais detalhes”.
O que o caso da jovem galesa revela sobre os limites do sistema de saúde
A história de Phoebe expõe uma falha que vai além da competência individual dos profissionais. Quando uma jovem passa quatro anos ouvindo que seus sintomas são ansiedade e é ameaçada de ser tratada como paciente psiquiátrica por insistir que algo está errado, o problema é sistêmico.
A tendência de atribuir sintomas inexplicados a transtornos psiquiátricos, especialmente em mulheres jovens, é documentada na literatura médica e foi exatamente o que aconteceu com Phoebe antes que o ChatGPT oferecesse uma alternativa.
O Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale declarou que “lamenta saber da experiência de Phoebe” mas não comentou o caso individual. A jovem entende a dificuldade enfrentada pelos profissionais, mas afirma que precisou recorrer à IA porque sua experiência no sistema de saúde foi “muito difícil” e ela precisou “lutar para ser ouvida”.
O caso não prova que a inteligência artificial substitui médicos. Prova que, quando o sistema falha, pacientes desesperados buscam respostas onde conseguem encontrá-las.
O que você acha de uma jovem receber o diagnóstico correto de uma inteligência artificial depois de 4 anos de erros médicos? Confiaria no ChatGPT para pesquisar sintomas ou acha perigoso? Conta nos comentários. O debate sobre inteligência artificial na saúde está apenas começando, e casos como o de Phoebe mostram que a discussão é mais urgente do que parece.

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