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Uma área de mais de 100 mil km² do oceano, do tamanho da Islândia, brilhou de forma contínua por mais de 40 noites ao sul de Java, na Indonésia, em 2019, num raríssimo fenômeno chamado mar leitoso que foi flagrado por satélites e confirmado pela tripulação de um veleiro

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 01/06/2026 às 20:50 Atualizado em 01/06/2026 às 20:53
O fenômeno do mar leitoso fez 100 mil km² do oceano brilharem por 40 noites ao sul de Java em 2019, flagrado por satélites e confirmado por um veleiro.
O fenômeno do mar leitoso fez 100 mil km² do oceano brilharem por 40 noites ao sul de Java em 2019, flagrado por satélites e confirmado por um veleiro.
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O brilho não pisca como o das ondas: é uma luz pálida, contínua e uniforme, que faz o mar noturno parecer um campo de neve. Cientistas tentavam flagrá-lo do espaço há anos. A prova veio quando um veleiro em volta ao mundo, por acaso, atravessou as águas luminosas e tirou as primeiras fotos.

Uma área de mais de 100 mil km² do oceano, do tamanho da Islândia, brilhou de forma contínua por mais de 40 noites ao sul de Java, na Indonésia, em 2019. O raríssimo fenômeno, conhecido como mar leitoso, foi flagrado por satélites e, mais tarde, confirmado pela tripulação de um veleiro que, por coincidência, atravessou exatamente aquela região de águas brilhantes, num episódio que ajudou a ciência a entender melhor esse mistério dos oceanos.

O evento ocorreu entre o fim de julho e o início de setembro de 2019, mas só foi detalhado em um estudo científico publicado em 2022, liderado pelo pesquisador Steven Miller, da Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos. Vale um esclarecimento desde já: embora o fenômeno seja real e bem documentado, sua causa exata ainda não é totalmente compreendida pela ciência, e as explicações sobre o que o provoca permanecem, em boa parte, no campo das hipóteses.

O que é o fenômeno do mar leitoso

O fenômeno do mar leitoso fez 100 mil km² do oceano brilharem por 40 noites ao sul de Java em 2019, flagrado por satélites e confirmado por um veleiro.
Diferente de outros brilhos do oceano, o mar leitoso tem uma natureza peculiar. 

Trata-se de um fenômeno em que vastas áreas da superfície do oceano emitem uma luz pálida, suave, contínua e uniforme durante a noite, fazendo a água parecer um campo de neve iluminado sob um céu escuro e sem lua, segundo descrevem os pesquisadores que o estudam.

O detalhe mais intrigante é que esse brilho não depende do movimento.

Ao contrário da bioluminescência mais comum, aquela que acende em flashes quando a água é agitada por ondas, barcos ou animais nadando, o mar leitoso brilha de forma constante e ampla, sem precisar ser perturbado.

É essa característica que o torna tão diferente e tão difícil de explicar, intrigando navegadores e cientistas há muito tempo.

O gigantesco brilho ao sul de Java

O fenômeno do mar leitoso fez 100 mil km² do oceano brilharem por 40 noites ao sul de Java em 2019, flagrado por satélites e confirmado por um veleiro.
O evento de 2019 entrou para a história pela sua escala impressionante. 

Sensores de satélite especializados em captar baixa luminosidade detectaram, ao sul de Java, uma mancha brilhante que se estendia por mais de 100 mil km², uma área comparável ao tamanho da Islândia, e que permaneceu ativa por mais de 40 noites seguidas, um dos maiores e mais duradouros registros já documentados do fenômeno.

O que mais chamou a atenção dos cientistas foi justamente a estabilidade do brilho.

Em vez de acender e apagar conforme o movimento das águas, o mar parecia emitir uma luz constante, espalhada por uma área enorme. Isso reforçou a ideia de que o mar leitoso é um evento de natureza distinta, possivelmente ligado à atividade de microrganismos em escala gigantesca, e não a um simples reflexo ou ilusão de ótica.

A prova veio de um veleiro

O fenômeno do mar leitoso fez 100 mil km² do oceano brilharem por 40 noites ao sul de Java em 2019, flagrado por satélites e confirmado por um veleiro.
A grande virada na compreensão do fenômeno veio de uma coincidência extraordinária. 

O veleiro Ganesha, um iate privado de 16 metros que fazia uma volta ao mundo, atravessou por acaso a região do mar leitoso na noite de 2 de agosto de 2019, e sua tripulação registrou fotos das águas brilhantes, sem nem saber, na hora, do que se tratava.

A embarcação navegava entre a Indonésia e as Ilhas Cocos quando se deparou com o espetáculo.

Foi só depois que uma das tripulantes, Naomi McKinnon, soube pela imprensa das detecções feitas por satélite e procurou os cientistas para relatar a experiência.

Ao cruzar a rota do veleiro com os dados orbitais, o pesquisador Steven Miller confirmou que ambos haviam testemunhado o mesmo fenômeno.

Foi a primeira vez que se conseguiu unir uma observação de satélite a um registro fotográfico feito na superfície do mar ao mesmo tempo, aumentando muito a confiança nas medições espaciais.

O que pode causar o brilho

Aqui entra a parte ainda envolta em mistério, que exige cautela. 

A principal hipótese é que o brilho seja causado por uma bactéria luminosa chamada Vibrio harveyi, que precisaria se acumular em números colossais, na casa dos trilhões, para que sua luz combinada se tornasse visível até do espaço.

Ainda assim, os próprios cientistas reconhecem que a composição, a estrutura e a causa exata do mar leitoso permanecem amplamente incertas.

O mecanismo por trás desse acendimento coletivo teria um nome: quorum sensing.

Segundo essa hipótese, as bactérias liberam moléculas sinalizadoras na água e, quando percebem que sua população atingiu uma densidade enorme, passam a brilhar todas juntas, criando a luz contínua observada.

É uma explicação fascinante, mas que ainda precisa ser melhor comprovada, já que coletar amostras desses eventos raros, no meio do oceano, é extremamente difícil.

Por que as bactérias brilhariam

Se a causa já é incerta, a função do brilho é ainda mais especulativa. 

Uma das hipóteses levantadas por pesquisadores é que a luz serviria para atrair peixes, que acabariam ingerindo as colônias de bactérias, e que, no intestino desses animais, os microrganismos encontrariam um ambiente rico em nutrientes e mais protegido do que o oceano aberto, funcionando como uma estratégia de sobrevivência e dispersão.

Por essa lógica, brilhar não seria um desperdício de energia, mas um investimento evolutivo: ao se tornarem visíveis e atraentes, as bactérias garantiriam transporte e abrigo dentro de outros seres vivos.

Vale frisar, no entanto, que essa explicação é uma das possibilidades estudadas, e não uma certeza, fazendo parte do conjunto de perguntas em aberto que cercam esse fenômeno tão raro quanto fascinante.

Um mistério antigo visto do espaço

Embora pareça novidade, o mar leitoso acompanha a humanidade há muito tempo. 

Relatos de marinheiros sobre águas que brilhavam como leite existem há séculos, mas a primeira confirmação científica por satélite só aconteceu em 2005, quando uma mancha luminosa de cerca de 15.400 km² foi detectada na costa da Somália e durou três noites, abrindo caminho para que os cientistas passassem a caçar esses eventos do espaço.

O fenômeno é raríssimo, ocorrendo, em média, de zero a duas vezes por ano em todo o planeta, geralmente em águas tropicais e subtropicais, como o noroeste do Oceano Índico e o sul de Java.

O caso de 2019 mostra como a tecnologia de satélites transformou a forma de estudar os oceanos: um espetáculo que antes parecia lenda de navegação hoje pode ser monitorado a centenas de quilômetros de distância, no espaço.

O fenômeno do mar leitoso ao sul de Java é um daqueles lembretes de que o oceano ainda guarda mistérios capazes de desafiar a ciência e encantar a imaginação.

Uma área do tamanho de um país inteiro brilhando por semanas, provavelmente graças a bactérias microscópicas, é o tipo de maravilha natural que une relatos antigos de marinheiros à tecnologia mais avançada de observação espacial.

Ainda que muitas perguntas sigam sem resposta, cada novo registro aproxima os pesquisadores de entender como a vida invisível pode iluminar o mar numa escala que só faz crescer nosso fascínio pelo planeta.

E você, já tinha ouvido falar do fenômeno do mar leitoso? Consegue imaginar a sensação de estar num barco cercado por águas que brilham até onde a vista alcança? Deixe seu comentário, conte o que achou desse mistério dos oceanos e compartilhe a matéria com quem ama ciência, natureza e os enigmas que ainda existem no fundo do mar.

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Joaquim Mario cordeiro Oliveira
Joaquim Mario cordeiro Oliveira
07/06/2026 12:36

Não acredito que sejam bactérias

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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