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Um “jovem” de 17 anos reuniu materiais caseiros, montou um reator nuclear no quintal de casa e expôs 40 mil pessoas a risco radiológico nos Estados Unidos

Publicado em 27/01/2026 às 16:00
Atualizado em 27/01/2026 às 20:02
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Imagem: Ilustração artística
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Em 1995, nos Estados Unidos, um escoteiro de 17 anos montou um laboratório nuclear caseiro, mobilizou polícia, agências federais e autoridades ambientais

No ano de 1995, um escoteiro de 17 anos de Commerce Township, no estado de Michigan, chamou atenção nacional após policiais encontrarem materiais radioativos em seu carro, revelando um experimento caseiro que expôs um bairro inteiro a riscos nucleares.

O jovem era David Hahn, morador de um subúrbio próximo a Detroit, cuja curiosidade científica ultrapassou limites domésticos e chegou ao radar das autoridades federais.

A descoberta ocorreu durante uma abordagem policial de rotina, quando agentes localizaram substâncias suspeitas no porta-malas do veículo conduzido pelo adolescente naquele momento.

Questionado sobre o conteúdo transportado, Hahn afirmou aos policiais que os materiais eram radioativos, declaração que desencadeou uma investigação imediata e aprofundada.

As apurações revelaram que o jovem mantinha um laboratório improvisado no quintal da casa da madrasta, onde realizava experimentos nucleares sem qualquer supervisão técnica.

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Um laboratório improvisado em área residencial

No galpão montado no quintal, Hahn tentou construir um reator nuclear caseiro, mais especificamente um reator reprodutor, usando materiais coletados de fontes domésticas.

Embora não tenha alcançado o objetivo técnico de gerar combustível nuclear, conseguiu criar uma fonte rudimentar de nêutrons, suficiente para espalhar radiação detectável pelo bairro.

A radiação alcançou residências vizinhas, gerando preocupação imediata sobre exposição involuntária de moradores e possíveis consequências à saúde pública local.

O experimento extremo transformou uma curiosidade científica juvenil em um caso de segurança nacional acompanhado por múltiplas agências governamentais.

Interesse precoce e trajetória autodidata

Desde a infância, Hahn demonstrava interesse incomum por ciência, estudando química de forma autodidata e realizando experiências cada vez mais complexas em casa.

Aos dez anos, já pesquisava conteúdos avançados, e aos 14 chegou a fabricar nitroglicerina, levando seus pais a restringirem os locais dos experimentos.

Inicialmente realizados no quarto, os testes foram transferidos para o porão e, posteriormente, para o galpão no quintal, devido a danos recorrentes.

Frequentador assíduo de bibliotecas públicas, Hahn passava horas estudando manuais técnicos, aprofundando-se em temas nucleares pouco acessíveis ao público geral.

O objetivo de construir um reator reprodutor

O principal objetivo do adolescente era construir um reator de reprodução nuclear, projeto considerado complexo até mesmo em ambientes científicos profissionais.

Paralelamente, Hahn buscava coletar todos os elementos da tabela periódica, incluindo substâncias radioativas, desafio pessoal que orientava suas pesquisas.

Em 1991, esse interesse lhe rendeu uma medalha de mérito escoteira em energia atômica, reconhecimento formal dentro do movimento escoteiro.

Para avançar, entrou em contato com a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos, usando pseudônimos para obter informações técnicas sensíveis.

Coleta de materiais e riscos crescentes

Hahn reuniu materiais radioativos a partir de objetos cotidianos, como lanternas antigas, detectores de fumaça, miras luminosas e baterias domésticas.

O tório vinha de lanternas, o amerício de detectores, o trítio de miras e o lítio de baterias, com gasto aproximado de mil dólares.

Filtros de café, potes de picles e utensílios comuns eram usados na manipulação química, evidenciando improvisação e ausência de protocolos de segurança.

A proteção pessoal se limitava basicamente a uma máscara de gás, o que aumentava significativamente os riscos físicos e de contaminação radiológica.

Acidentes, contaminação e resposta das autoridades

Durante os experimentos, Hahn sofreu queimaduras químicas, desmaiou em testes e tingiu acidentalmente o cabelo de verde por exposição tóxica acidental.

Apesar dos acidentes, persistiu até criar uma fonte funcional de nêutrons, radioativa o suficiente para ser detectada a várias casas de distância.

Após localizar o galpão, autoridades acionaram órgãos federais, incluindo a Agência de Proteção Ambiental, diante do risco coletivo identificado.

O local foi classificado como área Superfund, exigindo operação especial de descontaminação, diante da estimativa de exposição potencial de cerca de 40 mil moradores.

Consequências pessoais e desfecho do caso do experimento nuclear

Mesmo após o desmonte do laboratório, Hahn recusou avaliações médicas e seguiu sua vida, chegando a conquistar o posto de Eagle Scout.

Em entrevista à Harper’s Magazine em 1998, afirmou que os experimentos o ajudavam a lidar com emoções e buscar reconhecimento.

Nos anos seguintes, enfrentou instabilidade marcada por relacionamento fracassado, o suicídio da mãe e dificuldades persistentes de saúde mental.

Em 2007, voltou a ser detido ao tentar furtar detectores de fumaça contendo amerício, levando à evacuação temporária de um condomínio.

Hahn foi condenado a 90 dias de prisão por tentativa de furto e morreu cerca de uma década depois, aos 39 anos, após combinação de álcool, difenidramina e fentanha, encerrando um caso que marcou a história da ciência amadora nos Estados Unidos.

Com informações de Aventuras na História.

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Romário Pereira de Carvalho

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