Após cinco anos pagando £1.087 por mês para quitar um táxi elétrico de US$ 94 mil, motorista londrino detalha ganhos anuais de £13 mil, impactos fiscais, riscos enfrentados durante a pandemia e o efeito do limite legal de 15 anos que reduz drasticamente o valor final do veículo
Um motorista londrino quitou um táxi elétrico preto avaliado em cerca de US$ 94.000 após cinco anos de financiamento e relatou que a decisão gerou aumento anual efetivo de £13.000, mas manteve riscos financeiros, fiscais e o limite máximo de 15 anos de uso imposto aos veículos licenciados.
A romantização do táxi preto e a realidade do trabalho em Londres
Possuir e dirigir um táxi londrino costuma ser visto como símbolo da cidade, mas a operação diária envolve custos elevados, regras rígidas e um longo processo de formação. Tom, conhecido no YouTube como Tom the Taxi Driver, afirma que a imagem idealizada não reflete a complexidade da profissão.
Antes de comprar seu próprio veículo, Tom seguiu o caminho comum entre motoristas iniciantes e alugou um táxi TX4 a diesel. O custo era de 240 libras por semana, cerca de 320 dólares, com manutenção incluída e despesas previsíveis ao longo do tempo.
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O teste centenário e o início da carreira como motorista
Para se tornar taxista em Londres, os candidatos precisam ser aprovados em um exame criado há cerca de 160 anos, considerado um dos mais difíceis do mundo. A aprovação, porém, marca apenas o início da trajetória profissional.
Durante o período de aluguel, Tom destacou a tranquilidade de não se preocupar com manutenção, mas também a sensação de que o dinheiro desaparecia semanalmente, já que os pagamentos iam diretamente para o dono da frota, sem gerar patrimônio.
Do diesel ao elétrico: financiamento de £70 mil e escolha forçada
A decisão de comprar enfrentou entraves importantes. Instituições financeiras trataram o financiamento do táxi como empréstimo pessoal, obrigando Tom a escolher entre adquirir um veículo ou uma casa. Em seguida, a Transport for London proibiu novos táxis a diesel e reduziu sua vida útil.
Restou como alternativa um táxi elétrico novo, com preço aproximado de 70.000 libras, cerca de 94.000 dólares. Com entrada de £5.000 e contrato de financiamento de cinco anos, Tom assumiu parcelas mensais de £1.087, equivalentes a US$ 1.460.
Crise, quitação e o limite de 15 anos que reduz o valor final
Em teoria, as prestações eram semelhantes ao aluguel, com a vantagem de reduzir o saldo devedor a cada pagamento. Na prática, a pandemia de COVID derrubou a demanda e manteve as parcelas obrigatórias mesmo em dias de receita inferior a 50 libras.
Tom só conseguiu manter os pagamentos com moratórias, apoio governamental, trabalhos extras e persistênica. Com o táxi quitado, ele calcula um ganho anual adicional de £13.000 para o mesmo volume de trabalho.
O alívio financeiro, porém, traz novos efeitos. Menos despesas resultam em maior carga tributária, e os táxis licenciados em Londres têm limite máximo de 15 anos. Ao fim desse prazo, mesmo bem conservado, o veículo tende a valer pouco mais que sucata, encerrando o ciclo econômico do investimento.
