Um homem comprou sem saber o próprio carro roubado semanas antes. Ele descobriu a verdade ao notar objetos familiares no porta-malas e confirmar, pelo GPS e número VIN, que era seu antigo Honda Civic
Um caso inusitado chamou a atenção no Reino Unido. Um homem acabou comprando o próprio carro roubado semanas depois do crime, sem perceber que o veículo à venda era exatamente o mesmo que havia desaparecido da garagem de sua casa em Solihull, West Midlands. A história, que viralizou nas redes e foi confirmada pela polícia britânica, parece saída de um filme.
O roubo e a “coincidência perfeita”
Tudo começou quando Ewan Valentine, de 36 anos, acordou e percebeu que seu Honda Civic Type R, de nove anos, havia sumido. A namorada, que usaria o carro naquela manhã, notou o desaparecimento e imediatamente o casal acionou a polícia e a seguradora. Porém, o processo era lento e burocrático, o que levou Ewan a procurar por conta própria outro carro semelhante para substituir o antigo.
Durante a busca, ele se deparou com um anúncio que parecia um verdadeiro déjà vu: um Honda Civic preto, com o mesmo sistema de escape personalizado e detalhes idênticos ao seu veículo roubado. As placas eram diferentes, mas o resto parecia igual. Convencido de que era apenas uma coincidência, ele foi até o local para conferir o carro e acabou comprando-o por 20 mil libras, o equivalente a cerca de R$ 135 mil.
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As primeiras suspeitas
Nos dias seguintes, Valentine começou a notar pequenos detalhes que pareciam familiares demais. No porta-malas, encontrou uma barraca de acampamento e alguns galhos de pinheiro, objetos que ele mesmo havia guardado antes do roubo. Depois, achou embalagens que lembrava ter deixado no antigo carro e percebeu o mesmo cheiro de cerveja que o veículo exalava desde que ele quebrou uma garrafa por acidente dentro do Honda.
“Tudo poderia ser coincidência, mas algo não parecia certo”, contou Ewan ao portal Yahoo News UK. Ele decidiu então verificar o histórico do GPS do carro — e foi aí que o mistério se desfez: o sistema mostrava exatamente os mesmos endereços que ele frequentava, incluindo sua casa, a dos pais e a da namorada. Para completar, o Bluetooth do carro reconheceu automaticamente o celular dele, sem precisar emparelhar novamente.
A confirmação: era o carro roubado
Ao entrar em contato com a polícia, veio a confirmação. Os ladrões haviam alterado o número de identificação do veículo (VIN), apagando o código original do motor e substituindo as plaquetas de fábrica por adesivos falsos. Também pintaram outro número de série no bloco do motor, tentando mascarar a origem do automóvel.
Com a ajuda de técnicos, a polícia conseguiu conectar um computador ao sistema do carro e recuperou o VIN original, comprovando que aquele era, de fato, o mesmo Honda Civic roubado semanas antes. “Eles tentaram apagar tudo, mas o sistema ainda guardava o número real. Foi aí que ficou claro que o carro era meu”, contou Ewan.
Investigações e lições do caso
De acordo com as autoridades, o taller onde o carro foi comprado também foi vítima do golpe e não tinha conhecimento de que o veículo era roubado. Os criminosos haviam falsificado documentos para revender o automóvel como se fosse legítimo.
“Foi um alívio saber que o lugar não estava envolvido, mas é inacreditável que isso tenha acontecido”, disse Valentine. “É uma mistura de sorte e absurdo ter conseguido comprar o meu próprio carro de volta.”
O caso reacendeu o debate sobre o mercado de carros roubados no Reino Unido, onde gangues especializadas em clonagem de veículos têm agido com cada vez mais sofisticação. Para a polícia, a história serve de alerta: sempre que possível, é essencial verificar o número de série e o histórico completo de um automóvel antes de fechar a compra.


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