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Turistas encontram fêmur de preguiça gigante com 80 cm e cerca de 400 mil anos em falésias de Santa Clara del Mar e descoberta surpreende paleontólogos na costa de Buenos Aires

Publicado em 14/03/2026 às 13:32
Preguiça gigante, Fêmur
Trabalho de escavação do fêmur fossilizado de um Megatherium americanum. Crédito: Museu Lorenzo Scaglia.
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Turistas encontram fêmur de 80 cm de megatério com cerca de 400 mil anos em falésias da costa de Buenos Aires e descoberta mobiliza paleontólogos

Um achado inesperado em falésias ao sul de Santa Clara del Mar, na província de Buenos Aires, revelou um fêmur de megatherium com cerca de 80 centímetros, pertencente a um animal que viveu há aproximadamente 400.000 anos.

Descoberta do megatherium em falésias da costa argentina

A descoberta ocorreu no último sábado, quando Mario Cianciola e Lumar Ávila González exploravam a área dos penhascos.

Os turistas, da zona norte da Grande Buenos Aires, perceberam algo incomum projetando-se do sedimento.

Eles observaram uma superfície arredondada de coloração laranja que emergia do solo. O objeto tinha tamanho aproximado ao de uma bola de futebol, o que despertou curiosidade imediata durante a caminhada pela área costeira.

Intrigados, retornaram ao ponto para observar melhor. Tiraram uma fotografia e enviaram a um amigo geólogo, que rapidamente identificou o potencial científico do material encontrado.

Seguindo a orientação do especialista, os dois entraram em contato com pesquisadores do Museu Municipal de Ciências Naturais Lorenzo Scaglia, localizado em Mar del Plata.

A partir desse contato inicial, foi organizada uma intervenção científica. O trabalho contou também com apoio de estudantes do Programa Técnico Superior em Paleontologia do ISFT nº 194, sediado em Miramar.

Fóssil da preguiça gigante apresenta estado de conservação incomum

Após o resgate do material e sua transferência para laboratório, os pesquisadores iniciaram as primeiras análises.

Os estudos indicaram que o estado de conservação do fóssil é incomum para achados em ambientes costeiros.

O fêmur mede cerca de 80 centímetros de comprimento e quase 50 centímetros de largura. Segundo especialistas, pertenceu a um megatherium, uma preguiça-gigante pré-histórica que integrou a megafauna sul-americana.

O paleontólogo Matías Taglioretti, do Museu Scaglia, afirmou que restos desse animal são raros na região.

Ele destacou que o fêmur está entre os exemplares mais completos encontrados na costa sudeste da província.

Durante a inspeção do local também foram identificados restos da pelve. Esses fragmentos apresentam bom estado de conservação, embora sua retirada envolva maior complexidade operacional.

A instabilidade do penhasco representa risco de desmoronamento. Por esse motivo, a recuperação do material poderá exigir maquinário pesado e uma logística mais ampla para garantir segurança na escavação.

Coloração do fóssil revela processo de formação em solo antigo

O osso apresenta uma coloração laranja intensa que chamou a atenção dos pesquisadores. Essa tonalidade é característica de fósseis formados em solos antigos saturados por água.

Nesse ambiente, a circulação de óxidos de ferro atravessa os sedimentos e altera a aparência dos restos orgânicos fossilizados.

Paradoxalmente, essas condições contribuíram para a preservação do material. As marcas deixadas pela inserção muscular permanecem visíveis na superfície do fêmur.

Essas estrias permitirão análises anatômicas detalhadas. Os dados coletados poderão ajudar cientistas a compreender melhor a estrutura corporal desse animal pré-histórico.

O material será utilizado pelo pesquisador Néstor Toledo, do Conicet e da Universidade Nacional de La Plata.

Ele pretende empregar o fóssil em estudos voltados à reconstrução da musculatura do megatherium.

Após as etapas iniciais de análise, o fóssil será transferido ao Museu de Ciências Naturais da Pachamama, em Santa Clara del Mar, onde passará a integrar a coleção paleontológica regional.

Região registra diversas descobertas de megatherium

Os penhascos do sudeste da província de Buenos Aires são conhecidos por revelar vestígios da pré-história. A região tornou-se uma importante janela para o estudo da megafauna sul-americana.

Em abril de 2023, um pescador encontrou restos de megatherium nos penhascos de Camet Norte, localizados a cerca de 14 quilômetros de Mar Chiquita.

Na ocasião, técnicos recuperaram falanges, vértebras, costelas e dentes pertencentes a um exemplar que viveu há aproximadamente 20.000 anos.

Outro caso ocorreu em 2022, quando uma menina de 12 anos descobriu uma vértebra de megatherium em Mar del Plata enquanto escavava em terras da família.

Pouco antes disso, na mesma região, um menino de oito anos encontrou o crânio fossilizado de um camelídeo sul-americano estimado em cerca de 700.000 anos.

A lista inclui ainda um crânio de megatherium descoberto em 2021 em San Eduardo del Mar, próximo a Miramar. O fóssil foi datado em mais de 3,5 milhões de anos.

Preguiça gigante da megafauna do Pleistoceno

O megatherium foi um dos maiores mamíferos terrestres da América durante o Pleistoceno. Apesar de aparentado com preguiças modernas, tamanduás e tatus, seu tamanho era muito superior.

O animal podia alcançar até seis metros de comprimento e pesar cerca de três toneladas. Quando caminhava sobre quatro patas, atingia quase dois metros de altura.

Apesar da aparência robusta, não era predador. Suas grandes garras curvas eram usadas principalmente para puxar galhos e folhas das árvores.

Sua alimentação consistia em folhas, brotos e ramos macios. O animal podia erguer-se sobre as patas traseiras, apoiando-se na cauda para alcançar vegetação mais alta.

Durante milhare s de anos, esses gigantes adaptaram-se ao clima frio da Era do Gelo, acumulando reservas de gordura que funcionavam como proteção térmica.

No entanto, ao final do último período glacial, cerca de 11.700 anos atrás, a preguiça gigante desapareceu da fauna sul-americana.

Pesquisadores associam a extinção a mudanças climáticas relacionadas ao recuo das geleiras. Alguns estudos também sugerem possível influência da expansão humana no continente.

Mesmo assim, novas descobertas continuam ampliando o conhecimento sobre esses animais que habitaram a região muito antes da presença humana moderna.

Com informações de Tempo.com.

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Romário Pereira de Carvalho

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