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Tupy, gigante de Joinville dos blocos de motor, troca prejuízo de R$ 40 milhões por lucro de R$ 54 milhões em um ano, fatura R$ 2,6 bilhões no trimestre e recebe R$ 300 milhões do BNDES a 10,4% ao ano

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 07/11/2026 às 03:54 Atualizado em 07/11/2026 às 03:55
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Vista aérea de um complexo industrial de galpões azuis e chaminés entre mata verde, com baía e céu alaranjado ao fundo.
Planta da Tupy em Joinville (SC), onde a empresa concentra a produção de blocos e cabeçotes. Foto: Divulgação/Tupy
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A Tupy divulgou o balanço em 5 de novembro. Fizemos a conta de quanto sobra a cada R$ 100 vendidos, quanto custa o dinheiro novo e quanto falta da meta de ganhos com a troca de linhas entre as fábricas.

Cerca de R$ 2 de lucro a cada R$ 100 vendidos (conta nossa). Esse é o tamanho da virada da Tupy: a companhia de Joinville lucrou R$ 54 milhões no terceiro trimestre de 2026, contra prejuízo de R$ 40 milhões um ano antes, com receita líquida de R$ 2,6 bilhões.

O balanço saiu em 5 de novembro. Entre um terceiro trimestre e outro, a diferença chega a R$ 94 milhões (conta nossa). A saída do vermelho também é recente: em agosto, a NSC Total registrava perda de R$ 11 milhões no trimestre anterior.

Indicador da Tupy3º tri 20252º tri 20263º tri 2026
Lucro ou prejuízoR$ 40 mi negativosR$ 11 mi negativosR$ 54 mi
Receita líquidaR$ 2,4 biR$ 2,5 biR$ 2,6 bi
Margem Ebitda ajustado6,9%6,3%11,5%
Dívida líquida sobre Ebitdanão localizado4,14 vezes2,94 vezes

De onde veio o lucro da Tupy no terceiro trimestre?

Do lado das vendas, veio de veículo pesado e de exportação. A reportagem da NSC Total com os dados do balanço aponta alta de 26% no volume vendido ao mercado norte-americano. As aplicações para veículos comerciais médios e pesados subiram 87%.

No total, o volume físico cresceu 10% sobre o terceiro trimestre de 2025, mesmo com o real 6% mais valorizado diante do dólar. Isso pesa porque as receitas em moeda estrangeira foram 61% do total, como detalha o Grupo Amanhã.

A parte fraca ficou no mercado interno. A unidade de energia, descarbonização e distribuição vendeu menos, afetada por juros altos e crédito mais restrito.

“Os resultados comprovam a consistência e a disciplina na execução da estratégia planejada”, disse o CEO da Tupy, Harro Burmann, em declaração reproduzida pela NSC Total.

A companhia publicou no próprio canal o vídeo TUPY3 Comenta sobre os resultados do trimestre:

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Quanto do resultado da Tupy veio de efeito pontual?

O número grande é o Ebitda ajustado, o lucro operacional antes de juros, impostos e depreciação: R$ 298 milhões, alta de 81%, com margem de 11,5%.

Braço robótico laranja segura uma peça marrom sobre a linha, com operadores de capacete azul ao fundo.
Robô em linha de fundição da Tupy, em foto da galeria da empresa. Foto: Divulgação/Tupy

Só que a própria Tupy faz uma ressalva no balanço. Sem os efeitos pontuais de negociações comerciais, a margem seria de cerca de 9,5%.

Dois pontos percentuais parecem pouco, mas sobre R$ 2,6 bilhões de receita equivalem a cerca de R$ 52 milhões (conta nossa). É quase o valor do lucro líquido do terceiro trimestre.

As duas medidas não são a mesma coisa, então a conta não significa que o lucro sumiria. Ela mostra outra coisa: a melhora que se repete é a que leva a margem de 6,9% a 9,5%. O restante depende de negociação que não volta necessariamente nos próximos balanços.

Quanto custam os R$ 300 milhões do BNDES para a Tupy?

Em outubro, a empresa recebeu a última parcela, de R$ 300 milhões, da linha contratada com o BNDES no Programa Brasil Soberano, na modalidade Giro Exportação. O prazo é de 60 meses, com 12 de carência para o principal e juros fixos de 10,4% ao ano.

Com o saldo cheio, esse juro do BNDES dá cerca de R$ 31,2 milhões nos primeiros 12 meses (conta nossa). Por trimestre, são R$ 7,8 milhões, ou 14% do lucro que a Tupy acaba de apresentar. A conta não inclui o custo da fiança bancária que garante a operação.

O caixa da companhia chegou a R$ 2,4 bilhões, com geração operacional e captações do Brasil Soberano. A dívida líquida caiu 23% em um ano, para R$ 1,7 bilhão. A parcela do BNDES de outubro entrou depois do fechamento do trimestre, que vai até setembro.

A companhia também foi ao mercado naquele mês. A Tupy recomprou debêntures de cerca de R$ 257 milhões em valor nominal e desembolsou R$ 250 milhões, informa o release. São R$ 7 milhões abaixo do valor de face (conta nossa).

O que muda em Joinville com a concentração de blocos e cabeçotes?

A fábrica catarinense vira a referência do grupo em blocos e cabeçotes. “Joinville vai ser o centro aqui no Brasil de blocos e cabeçotes”, disse Harro Burmann no podcast TUPY3 Comenta, citado pela NSC Total em agosto.

Forno cubilô de grande porte, cercado por escadas e guarda-corpos amarelos, dentro de um galpão de fundição.
Forno cubilô em imagem da sala de imprensa da Tupy. Foto: Divulgação/Tupy

Betim fica com outro papel. A administração da Tupy considera que a unidade mineira dilui as margens do grupo, e o plano é direcioná-la principalmente à produção de peças, segundo a Exame em setembro.

A empresa diz que as peças que não são blocos e cabeçotes movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano, informou o ND Mais em maio.

Aqui está a conta que fica em aberto. A troca de linhas de blocos e cabeçotes rendeu cerca de R$ 50 milhões em nove meses, e a Tupy espera chegar a R$ 100 milhões em 2026, conforme o Grupo Amanhã.

Faltam R$ 50 milhões em três meses (conta nossa), a mesma soma dos nove anteriores. A captura, nas palavras da companhia, “dependerá da conclusão das transferências, homologações e estabilização operacional”.

O investimento também subiu: R$ 128 milhões no terceiro trimestre, contra R$ 105 milhões um ano antes. A maior parte foi para novos programas de fundição e usinagem, eficiência operacional, saúde, segurança e meio ambiente. O balanço do quarto trimestre é onde a meta de blocos e cabeçotes em Joinville vai aparecer em número.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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